Atualizações do blog

By magnani, 08/02/2010 12:13

A mudança mais evidente foi no design do site. Agora tem umas fotos da última viagem ali em cima. Mas há outras mudanças mais importantes, pois refletem um novo momento. Primeiro, a Viagem ao Atacama sai do foco, juntando-se às outras viagens lá na parte de relatos. Para quem tiver interesse, juntei os posts em um único texto. Está na página Viagem ao Atacama – Relato Resumido

Como escrevi por aí, não pretendo desta vez fazer um registro detalhado. Provavelmente farei um texto maior mais para a frente, incluindo outras histórias sobre motociclismo. Quem quiser saber dos detalhes, por enquanto, só no tête-à-tête com cevada mesmo.

E essa retirada do pedestal da última viagem, aliada ao novo foco na escrita, tem tudo a ver com a outra mudança no site. As brincadeiras literárias – sempre envolvendo o motociclismo – agora vêm para a frente. Consegui acabar o terceiro episódio de Os Motoqueiros do Sertão, que tem o título provisório de Uma Nova Dama. A história toda dos motoqueiros, até o momento, está em: Os Motoqueiros do Sertão – vols. 1 a 3. Lembrando que são textos só de brincadeira, para testar temas, pontos de vista e desenvolvimento de personagens. Mas o fato de estarem ali na frente sinalizam as minhas intenções futuras…

Viagem ao Atacama – Estamos em casa!

By magnani, 01/02/2010 21:10

Nesta viagem nos vimos em vários lugares que nos deixavam sem palavras, como que suspensos no tempo. A primeira visão dos Andes, o banho no Pacífico e estar no meio do Atacama, só para dar alguns exemplos. O problema é que sempre – em algum momento – tínhamos que parar a contemplação e seguir a viagem. Se fôssemos mariquinhas, em uma dessas situações teríamos dito: “Que lugar fantástico. Pena que ficamos tão pouco tempo e já tenhamos que ir embora”. Além disso – se fôssemos mariquinhas -, no momento da despedida do local teríamos, talvez, até deixado correr uma lágrima. Mas como somos machos, toda vez que nos víamos na situação de ter que ir embora de um lugar que gostamos muito, dizíamos: “Vamos embora desta bosta!”. Pode não ser algo de classe para ser dito, mas é coisa de macho.

Nos despedimos do Geraldinho em Foz do Iguaçu. De lá, eu e o Wagner seguimos para Curitiba. Como a estrada não tinha muitos atrativos, aproveitamos para retomar o prazer de simplesmente pilotar uma moto. Curvas, ultrapassagens, retões, subidas e descidas.

No sábado de manhã pegamos chuva na estrada. Tínhamos ainda 7 dias para chegar em Recife. Conheceríamos a Rio-Santos, o sul mineiro e pararíamos em alguma praia nordestina. Mas a saudade bateu mais forte. Olhamos um para o outro e falamos quase que em uníssono: “Vamos embora desta bosta!”.

O que se seguiu foi um Iron Butt triplo. 3.100 km em três dias. Com direito a cruzar São Paulo, contornar Curitiba e Belo Horizonte.

Sabem quando uma empresa quer te impressionar e diz algo do tipo: “Se colocássemos juntos todos os caminhões produzidos nos últimos 5 anos no Brasil poderíamos fazer uma fila ininterrupta de Belo Horizonte até Recife”? Bem… alguém resolveu fazer essa tal fila. Ficamos 2 dias inteiros ultrapassando caminhões em alta velocidade. Foi perigoso, acredito, mas para quem estava com saudade de uma boa andada de moto, foi excitante. A injeção constante de adrenalina fazia esquecermos o cansaço.

Para não perdermos tempo em desmontar as motos à noite nesses três dias, chegamos ao mais baixo nível de desleixo. Já havíamos desistido de tomar banho pela manhã há um certo tempo. Mas agora não havia tempo nem mais para trocar de roupa… vão direto para o lixo.

Cheguei em casa agora a pouco. A Renata, Gabriela e Dante estavam à minha espera na sacada. Que mais alguém pode querer?

Nas outras viagens que fiz sempre chegava em casa já pensando na próxima. Mas desta vez é diferente. Quero mais é aproveitar os três. Também quero aproveitar mais a minha moto, fazendo passeios com mais calma. Parando em uma sombra para tomar uma água e prosear com os moradores.

Sobre esta viagem, não pretendo escrever um registro detalhado como das outras vezes. Quero ver se escrevo algo com mais cuidado, com a intenção de entreter, não registrar. Não seria bem um livro ainda, mas um proto-livro. Tenham paciência. Quem estiver com mais pressa, é só me convidar para uma conversa.

Vou pegar o dinheiro que economizei chegando alguns dias antes para comprar uma jaqueta de couro tradicional. Nada mais de Iron Butt ou grandes maratonas turísticas. Pelo menos por um tempo.

Depois de rodar mais de 15.000 km em terras distantes, ter caminhado por desertos, conversado com fantasmas, feito a côrte à morte e amassado a bunda no banco da minha moto, deixo – como Forrest Gump – uma frase que sintetiza à perfeição como me sinto neste momento:

“Estou cansado.”

Coisas que não entendi no Chile

By magnani, 31/01/2010 07:40

Claro que eu esperava ver coisas diferentes no Chile, como a comida, a língua e o relevo. Mas alguns costumes que tomava como universais são diferentes por lá. Não entendi a razão de alguns desses costumes até hoje.

Em Valparaíso fui até uma livraria de esquina, parecida com uma de nossas bancas. Ao escolher o livro, perguntei ao vendedor quanto custava. Ele prontamente disse o preço. Peguei os CH$ 15.000 (!) no bolso e entreguei para ele. O cara se negou a pegar o dinheiro. Ao invés disso, escreveu o preço em um boleto e me entregou. Quando fui tentar dar o dinheiro novamente, ele apontou o caixa. Chegando lá, estava vazio. Fiquei esperando até que o mesmo vendedor desse a volta e entrasse no caixa. Tentei de novo dar o dinheiro, mas daí ele apontou para o papel que tinha me dado. Assim que viu o boleto, tomou bruscamente da minha mão de forma a ler o valor. Só então recebeu o dinheiro do livro.

Ainda em relação ao comércio, aparentemente não há nenhum padrão de horários e preços. Cada loja abre e fecha várias vezes durante o dia, em horários aleatórios. Mesmo se você perguntar para o dono da loja, ele vai responder que “amanhã abriremos às 09:00, ou às 10:00″. Os preços variam muito entre uma loja e outra. Um mesmo produto pode custar 3 vezes mais na loja ao lado.

Nos hotéis quase sempre há uma banheira. Essas banheiras têm uns cabos misteriosos, com nenhuma função aparente.

Outro grande mistério é onde fica o interruptor da luz do banheiro. Em cada hotel fica em um lugar diferente. No quarto, no corredor, ao lado da banheira. Mas nunca – repito, nunca – ao lado da porta na entrada do banheiro.

94% dos bares e restaurantes não vendem bebidas alcoólicas, mesmo as fracas como cerveja. Sempre que mudava de cidade era um trabalhão descobrir onde comprar. Isso, aliado ao fato de não saber o horário em que as coisas fechariam, tornavam o final do dia assustador.

Os vira-latas são todos grandes, bonitos, fortes e tosados. No começo imaginei que tinham dono, mas que passavam o dia soltos na rua. Mas todos a quem perguntei diziam que eram simplesmente cachorros de rua, crescidos daquele jeito sozinhos mesmo.

Só havia uma coisa previsível e certa no Chile. Todas as tomadas têm 3 pinos em linha. Em outras palavras, não consegui usar absolutamente nenhuma delas.

——–

Claro que isso é uma brincadeira. Essas diferenças de costumes foram muito gostosas de viver. O Brasil talvez seja bem esquisito para quem vem de fora.

Atacama News

By magnani, 28/01/2010 11:41

Em Arica fomos visitar o Morro. Lá os chilenos demonstram um grande orgulho militar que, como brasileiro, não consigo compreender. Parece ser algo bem anterior ao regime militar, sendo parte integrante da identidade daquele povo. Mesmo sabendo que o militarismo é perigoso, aquele orgulho é inspirador.

Nos despedimos do Pacífico em Iquique. Foi um bom companheiro. Agora teremos como amigo o sol, que será o nosso guia todos os dias pela manhã enquanto prosseguirmos para o leste, rumo ao Atlântico.

Entre Iquique e San Pedro temíamos pela falta de combustível e pelo calor. O calor foi um pouco maior que nos outros dias, mas nada tão quente como o nosso sertão ou o sul/sudeste brasileiro no verão. Passamos de novo por perto de Humberstone ao nascer do sol. A coloração desgastada e as sombras deixam o lugar mais fantástico ainda. Encontramos gasolina em Maria Elena, a antiga oficina salitrera que hoje em dia continua vivendo com outra indústria mineral. Não conseguimos encontrar Coya Sur.

Durante essa nossa viagem temos encontrados muitas pessoas viajando com motos pequenas. O ritmo delas é bem diferente do nosso. Vão parando para descansar na sombra. Conhecem mais pessoas. Fiquei pensando seriamente em comprar uma custom, que me obrigaria a mudar de ritmo. Mas talvez não seja necessário. Posso continuar com a minha XT660 desde que me esforce para quebrar os planos e andar mais devagar, parando por aí. Aposto que a Renata iria curtir muito mais as viagens deste jeito. Depois de ter me satisfeito com essa grande viagem ao Atacama, acho que no próximo momento eu gostaria de ter mais tempo para ler, escrever, conhecer pessoas, levar bem menos bagagem e contemplar os lugares. Vamos ver…

O deserto aqui não é mais impressionante como no começo, perto de Chanaral. É um grande plano interminável. Por um lado não é mais uma festa para os olhos, mas a cabeça fica mais solta. Bem, não sei se isso tem a ver com Zen ou meditação, mas quando você consegue entrar em um estado sem distrações exteriores, mas com a necessidade de manter a concentração, como no caso da pilotagem de uma moto, então às vezes a sua mente se desloca do lugar comum. Você perde a sua individualidade e se mescla ao ambiente. Muito legal.

As cuecas que eram brancas já não estão mais manchadas como nos primeiros dias da viagem. Adquiriram agora um tom marrom homogêneo. O spray contra chulé é muito bom para diminuir o cheiro das roupas de cordura, luva e capacete.

San Pedro de Atacama é um oásis no meio do deserto. A cidade de adobe é bonita. Não é o meu estilo. Cheia de turistas. Ao contrário do deserto, SPA é um monumento à distração visual. Tudo é lindo e impressionante. Legal, mas um pouco fora do meu intento por aqui. No sábado ficamos passeando intensamente durante 17 horas. Desde o nascer do sol nos geysers até depois do pôr-do-sol no Vale da Lua. O que mais gostei foi a caminhada pelas dunas no Vale da Morte, com sol a pino.

No domingo nos despedimos do Chile e dos Andes. O Paso de Jama, entre o Chile e a Argentina, é lindo. Bem diferente do Paso Libertadores, com suas montanhas rochosas. Aqui em Jama ficamos andando em um deserto de mais de 4.000m de altura, por mais de 100 km. Pegamos tempestades de raio, andamos entre as nuvens e aproveitamos o deserto colorido: amarelo, vermelho, verde e bege. A descida para a Argentina é vertiginosa.

Chegando à Argentina tivemos contato novamente com a vegetação. A animação das pessoas é bem diferente da dos chilenos.

De Jujuy para Foz foram dois dias de bastante calor, retas e ansiedade. Queríamos chegar logo ao Brasil. Ao examinar a corrente da minha moto pela manhã, vi que a trava tinha caído. Conseguimos encontrar outra trava sem grandes dificuldades.

Ontem foi dia de compras no Paraguai e descanso no hotel. Hoje as motos estão na oficina para trocar pneus e óleo. Tudo na mais completa paz. Só tenho muitas saudades da minha família. Mas tenho sorte de ter uma mulher que me acompanhou nesta viagem enquanto pôde. E agora, quando não pode mais porque tem que cuidar de nosso bebê, fica me apoiando ao máximo. Sempre orgulhosa de que consegui fazer algo muito importante para mim.

Minha filha, de praticamente 14 anos, como diria ela, está em uma viagem também. Espero que esteja sendo fantástica. Tenho quase certeza que ela também tem muito orgulho da minha viagem. Daqui a pouco ela vai gostar desse tipo de viagem também, para conhecer outros povos, a história de outros lugares e os sonhos das outras pessoas.

Já o nosso bebezinho não tem idade ainda para entender as coisas. Mas mandei vários postais para ele dos lugares onde estive. Posso quase apostar que quando ele for maiorzinho vai olhar para aqueles postais de lugares distantes e sonhar com uma vida de aventuras. Sempre respeitando as outras culturas e querendo aprender mais.

Mal posso esperar para apertar os três novamente.

Nosso próximo destino é a Rio-Santos. Mando notícias de lá.

A viagem ainda não acabou, hein? Temos pelo menos mais uns 8 dias e 4.000 km pela estrada.

Abraços a todos!

Atacama – Novas Fotos

Continuo devendo as legendas das fotos antigas. Quando tiver um tempo maior coloco lá. Seguem algumas fotos novas. Desculpem não ter tempo para responder aos comentários. Estou lendo todos.

Arica-CH

San Pedro de Atacama-CH

Abraços a todos!

Atacama – Estamos voltando

By magnani, 21/01/2010 17:55

Hoje não há grandes notícias porque estamos em um momento de deslocamento puro entre o Parque Nacional Lauca (com base em Arica) e São Pedro de Atacama.

Deixamos Arica hoje pela manhã sem maiores transtornos.  O Geraldinho e o Wagner foram conhecer a missa chilena. Eu, como bom ateu, fiquei tomando conta das motos. Gosto de pensar que tenho um lugar reservado no primeiro círculo do inferno, lugar destinado aos ateus bonzinhos, onde terei a companhia dos grandes filósofos gregos. Mas talvez seja impedido de ficar por lá porque fui batizado – contra a minha vontade, que fique bem claro!

A estrada foi a mesma que usamos para ir, mas desta vez não passamos em Pisagua. Só o Wagner precisou de combustível extra. A descida para Iquique continua linda.

Trocamos o óleo, filtro de óleo, lavamos a roupa e aproveitamos para descansar um pouco mais. Até tomamos banho de piscina no hotel. Amanhã vai ser o deserto mesmo. Dizem que a estrada entre Iquique e Calama é bem quente, quase sem gasolina ou movimento. Vamos ver. Estamos aqui para isso mesmo.

Quero ver se passo pelas Oficinas Maria Elena e Coya, lugares descritos no livro O Fantasista sobre o qual falei outro dia.

Em São Pedro temos 3 passeios em mente:  geysers, salar e Valle de la Luna.  Depois voltamos para casa levando uns 12 dias mais. Não sabemos ainda se vamos voltar pelo Paraná ou pelo Rio Grande do Sul. Mas é quase certo que passemos na Rio-Santos.

Abraços a todos!

Atacama – Mais Notícias

By magnani, 20/01/2010 20:06

No domingo saímos de Antofagasta de manhã sem a neblina e o frio. Nos dias anteriores aqui no deserto o sol aparecia só no decorrer do dia. O mercado no porto de Antofagasta é lindo. Há gaivotas e pelicanos voando por todos os lados, alvoroçados enquanto os homens tratam os peixes que chegam nos barcos. Conhecemos um senhor por lá, Juan, que nos contou as estórias escritar por Hernan Rivera Letelier. Eu já tinha lido O Fantasista antes de vir para cá, mas não estava conseguindo encontrar outros títulos. Comprei mais quatro livros dele. Todos sobre as salitreras. São engraçados, comoventes, simples e sábios ao mesmo tempo. Depois uma mulher que trabalha em uma livraria de Arica me disse que as pessoas daqui não gostam muito dele porque são obrigadas a ler na escola. A mesma razão pela qual não gostamos de nossos autores brasileiros. A arte deve ser livre!

A estrada entre Antofagasta e Cobija parece um cartão postal. Há uma grande cordilheira à direita e uma grande plano até o mar à esquerda. Chegando em Cobija – que é um porto fantasma da época do salitre -, a neblina nos cobriu novamente, como que para tornar o ambiente mais lúgrube. É uma sensação muito forte caminhar por suas ruinas perto do mar, com as cordilheiras nos olhando do alto.

Hoje finalmente caiu a ficha de que estou no Atacama. Em vários momentos fiquei bastante emocionado dentro do meu capacete.

Por falar nisso, em várias ocasiões da viagem – serra entre Córdoba e Villa Dolores, Andes e na costa do Pacífico -, parece que falta o ar. No início pensei que fosse efeito da altitude, mas depois percebi que às vezes ficamos tão entretidos com alguma paisagem espetacular que simplesmente esquecemos de respirar.

Depois de Cobija a estrada se transforma em um zig-zag no meio das rochas. Uma delícia para pilotar. Almoçamos em uma posada. Essas são pequenos restaurantes no meio da estrada. Por fora parecem favelas, mas por dentro são muito bem arrumadas e com boa comida.

Tocopilla oferece um ambiente bem diferente. Chegando lá a pessoa se surpreende com suas imensas termoelétricas próximas ao mar. Parece que você entrou no meio de um parque industrial. Interessante.

A estrada ao redor de Tocopilla é bem sinuosa, com relevo rochoso – mar de um lado e montanhas do outro. Mais Need for Speed. Depois de Tocopilla a cordilheira finalmente encontra o mar. A estrada agora fica literalmente na encosta. Uns 80 km ao norte, a cordilheira retrocede novamente. Parece que fica mais alta, formando uma imensa rampa. Por cima da cordilheira, lá no deserto para onde voltaremos na segunda-feira, há muitas nuvens.

Dormimos em Iquique, onde não aconteceu nada de espetacular a não ser termos conseguido comprar cerveja durante a Lei Seca do Chile. Por falar em cerveja, ainda não conseguimos entender onde se vende bebida por aqui. Na maior parte das lanchonetes e restaurantes não se vende cerveja. Não é como no Brasil que se compra em qualquer padaria, posto ou banca de revista.

Na saída de Iquique conhecemos outro senhor, Fernando, que morou no Brasil muitos anos. Nos contou várias histórias. Esses encontros são a melhor parte da viagem. Mas temos que tocar em frente.

As estradas perto de Iquique são simplesmente fantásticas. Dá a impressão que você está subindo uma duna de 600m de altura. Não faço idéia de como eles conseguem manter aquelas estradas naquele tipo de terreno.

Depois de rodar uns 40 km, fomos visitar as salitreras Santa Laura e Humberstone. Muito bem preservadas, fazem com que você tenha sentimentos muito fortes. Não é possível compreender o que se sente, nem classificar o tipo de emoção. Mas estão lá de qualquer maneira. Gostaria de ter reservado mais tempo para passar por ali.

Eu não teria feito esta viagem sozinho, por medo de quebras na moto em regiões isoladas do deserto. Meus companheiros são grandes pessoas, com quem gosto muito de passar o tempo. Mas não posso negar de que em alguns momentos, como lá em Humberstone, ou quando ando no deserto, talvez tivesse gostado de passar um pouco mais de tempo sozinho. Quando se está na companhia de outros, sua mente fica rondando por uma área segura e conhecida. Tenho curiosidade de saber para onde ela iria se tivesse experimentado em solidão a imensidão do deserto ou as impressões de Humberstone. Mas, como eu disse, esta possibilidade não existe porque não teria vindo sozinho.

Entre Antofagasta e Iquique estávamos na costa. Depois da subida de Iquique voltamos para o deserto, em uma região completamente plana e mais quente. Sopra um vento forte lateral por aqui. Em alguns lugares vímos dezenas de redemoinhos. Em Huara paramos para comprar combustível. Mas a senhora que vende não estava em casa. Sorte que tínhamos trazido tanques reservas.

Viramos novamente para o oeste, em busca da cidade de Pisagua, no Pacífico. Outra descida vertiginosa. Lindo.

Nestes últimos dias venho sentindo o corpo um pouco cansado. Às vezes fico irritadiço e não aproveito tanto a viagem. Hora de parar um pouco. Como estávamos adiantados um dia em nosso cronograma, combinamos dar uma parada de um dia para descansar o corpo e a mente. Perfeito.

Entre Piságua e Arica subimos e descemos várias vezes “dunas” quilométricas. Na última delas, no vale do Azapa, há uma região bem verde no meio do deserto. Imagino, sem pensar muito, que a Crescente Fértil talvez fosse algo deste tipo. Muito legal. Arica tem dois destes vales: Lutta e Azata.

Ontem fomos de van conhecer o Parque Nacional Lauca, com cidades antigas, vulcão Parinacota e lago Chungará. A lagoa fica a 4.500 m de altitude. Desta vez não me cansei tanto. Não sei se foi pela experiência anterior da altitude, as cheiradas de Cocoroco, o chá de coca ou ainda as folhas de coca. Experimentamos de tudo que tínhamos direito. Comemos até carne de Alpaca.

A descida para Arica, vista pela janela da van, é tão íngreme que parece que se está descendo de avião. De moto você fica mais preocupado com a estrada e não tem essa impressão.

Hoje foi dia de descanso aqui em Arica. Mas ainda deu um tempo para visitarmos o Morro de Arica.

Amanhã rumamos para San Pedro de Atacama. A viagem deve demorar 2 ou 3 dias. Uma parte pela estrada em que viemos, outra parte em uma estrada paralela, desta vez por dentro do deserto ao invés da costa.

Abraços a todos!

Atacama – Fotos

Seguem algumas fotos. Depois volto para colocar as legendas. Abraços a todos!

 Cataratas do Iguaçu-PR

Missões-AR

Córdoba-AR

Paso Libertadores-AR

Valparaíso-CH

Deserto do Atacama nas proximidade de Chañaral-CH

Deserto do Atacama nas proximidade de Copiapó-CH

Laguna Santa Rosa-CH

Laguna Verde e Vulcão Ojos del Salado (o vulcão ativo mais alto do mundo)-CH

Olho d´água próximo à Laguna Verde-CH

Descida dos Andes para Copiapó-CH

Próximo à Antofagasta-CH

Antofagasta-CH

Próximo à Cobija-CH

Próximo à Tocopilla-CH

Tocopilla-CH

Próximo à Tocopilla-CH

Próximo à Iquique-CH

Iquique-CH

Oficina Santa Laura-CH

Próximo à Pisagua-CH

Próximo à Arica-CH

Próximo à Putre-CH

Vulcão Parinacota-CH

Putre-CH

Próximo à Laguna Chungará

Próximo à Arica-CH

Atacama – Oficial

By magnani, 16/01/2010 20:57

Oficialmente já tínhamos chegado no Atacama há dois dias, mas na prática foi hoje mesmo. Depois de subirmos uma pequena serra em Chañaral, chegamos ao deserto. Um lugar sem nenhuma vegetação. Grandes áreas abertas, com montanhas rochosas imensas. Exatamente como eu sonhava há mais de um ano.

O céu parece que foi feito em um computador. Não tem nenhuma falha.

A estrada entre Caldera e Chañaral também é linda. Deserto de um lado e um mar bravo do outro. Um lugar para voltar com mais calma com a Renata. Depois desta viagem acho que fiquei satisfeito com grandes distâncias sozinho. Quero aproveitar mais com ela.

Se Copiapó é onde o deserto encontra os Andes, Chañaral é onde o deserto encontra o Pacífico. Os dois lugares são perfeitos.

Vimos o primeiro cemitério da época das salitreras. Pessoas que vieram para cá em busca de trabalho e depois foram deixadas para trás quando o comércio de salitre natural ficou inviável. Mais para frente espero poder ver portos e cidades fantasmas da época do salitre.

Também passamos na Mano del Desierto. Um marco importante para a nossa viagem. Bonitinha, mas se torna comum quando comparada com a beleza natural do deserto.

Estamos em Antofagasta. A descida do deserto para a cidade portuária é impressionante. Amanhã seguimos para Iquique, pela via litorânea. Isso se deixarem, porque hoje passamos batidos em um posto de controle. Depois fiquei pensando que devia ter parado ao ouvir os apitos e tiros. (brincadeira, viu?).

Continuo devendo fotos, mas não temos muito tempo livre (ainda bem… hehe). Prometo que coloco depois com calma.

Mais uma vez peço desculpas por não responder direito os seus comentários. Mas escrevam mesmo assim. Leio todos. Ajuda a matar a saudade dos amigos.

Agora vou ver se acho alguma coisa para comer. Amanhã é a eleição presidencial, por isso estão fechando todo o comércio.

Abraços a todos!

Atacama – Copiapó

By magnani, 15/01/2010 21:37

Antes de mais nada, esqueci de contar sobre a minha aventura nos cassinos da Argentina. Por mais que todos dissessem para eu não ir, sempre tive muita convicção do meu esquema infalível. Joguei algo equivalente a R$ 4,00 e ganhei R$ 13,00. Tripliquei o valor investido. Mas, para não ter nenhum tipo de azar com o dinheiro ganho no jogo, doei para uma família carente. Me senti um Robin Hood, roubando dos ricos para dar aos pobres.

Ontem conseguimos marcar a tour pelo Parque Nacional Nevado Tres Cruces. Valeu a pena. Por um lado não andamos de moto, mas andamos em um monte de estradas na beira de abismos, salares e desertos. Foram 550 km, em um passeio de quase 11 horas. Se tivéssemos ido de moto, teríamos conhecido apenas a Ruta Principal. A máxima altura foi de 4.200 m. Nos sentimos bastante cansados naquele lugar.

O guia foi o Gino Bianchi, um piloto do Dakar aqui do Chile. Muito chic. Ouvimos várias histórias. Quando fui levar a moto na oficina dele, descobriram que um dos pinos da minha corrente estava quase caindo. Por sorte tinham uma outra DID por lá. Fizeram a troca rapidamente.

Amanhã sairemos sem rumo para o norte. Talvez paremos em Chañaral, talvez em Antofagasta.

Abraços a todos!

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