Outlaw Motorcycle Gangs

By magnani, 15/03/2010 06:35

O FBI usa o termo OMG – Outlaw Motorcycle Gang (Gangue de Motocicletas Fora-da-Lei) – para diferenciar os motoclubes criminosos daqueles que não cometem crimes. Mas deve ficar claro que essa é uma visão do FBI, pois os motoclubes americanos não se assumem como organizações criminosas. Segundo eles, o fato de alguns membros eventualmente cometerem crimes não torna a organização criminosa. Como exemplo, citam o caso de policiais criminosos que não incriminam toda a instituição policial.

Segundo o relatório do FBI National Gang Threat Assessment 2009 (Levantamento Nacional das Ameaças de Gangues 2009), os mais importantes motoclubes fora-da-lei dos EUA são: Bandidos, Hells Angels, Mongols, Outlaws and Sons of Silence. Dependendo da fonte, os Pagans também seriam incluidos como OMG.

Os OMG usam geralmente 3 patches nas costas: nome do motoclube (superior), logo (central) e chapter, ou filial, (inferior). Usam ainda um patch com as letras MC para se identificarem como fora-da-lei. Por falar nisso, o termo fora-da-lei, para os motoclubes, não significa que sejam criminosos, mas sim que não se submetem às leis da AMA (associação dos motociclistas da américa). Além disso, podem usar uma série de outros patches com seus nomes-de-estrada, posição no motoclube e ações já realizadas (assassinatos etc).

Uma diferença entre os OMG e a máfia, por exemplo, é que eles não criaram o motociclismo para servir de fachada para os – eventuais – crimes. Na realidade, os – eventuais – crimes são realizados para manter o seu estilo de vida.

Essa história de não respeitar as leis tem um tom de anarquismo que eu acho bem legal. Mas, por outro lado, crimes cometidos contra inocentes – se é que são praticados – já passam do limite. Agora, onde está realmente esse limite? Será que eles realmente cometem crimes contra inocentes ou apenas contra o governo? Lembremos que nem sempre o governo ou as leis representam os interesses da maioria.

Agora, há uma crítica que eu não posso deixar de fazer sobre os OMG. Alguns deles não permitem a entrada de negros ou hispânicos. Eu não consigo ver uma boa justificativa para isso.

A relação que têm com as mulheres também não é de igualdade. Mas aqui a coisa fica mais complicada, pois parece ser uma simbiose interessante aos dois lados.

Algumas referências legais na internet para entender o assunto são:

Outlaw Motorcycle Club
Bandidos
Hells Angels
Mongols
Outlaws
Pagans
Sons of Silence

Itamaracá-PE

By magnani, 09/03/2010 06:34

07.03.2010

Nossos cafés-da-manhã motociclísticos aqui para as bandas do Recife normalmente são nos mesmos lugares: alguma das várias padarias burguesas da cidade, o Rei das Coxinhas em Gravatá, Delícias da Roça em Abreu e Lima ou Recanto Matuto em Paudalho.

Desta vez fomos a uma padaria no bairro da Torre. Comidinha razoável se você gosta de pão. As frutas deixam a desejar. Mas o que mais faz falta mesmo é o café de verdade. Que mania é essa agora de oferecerem apenas café expresso por aí?

Da Torre você pode ir para a BR-101 norte por Casa Forte. Mas é bem mais bonito ir pela orla de Olinda: Bairro Novo, Casa Caiada e Rio Doce. Sem sair da região metropolitana chega-se em Paulista: Janga, Pau Amarelo e Maria Farinha.

Costumava haver uma balsa na charmosa travessia entre Maria Farinha e Nova Cruz, mas anda desativada. Então o negócio é pegar a estrada de asfalto mesmo, rumo a Abreu e Lima. Ali já andamos mais de 50 km e nada de estrada aberta ainda. Só uma grande mistura de cidades. Logo se alcança Igarassu, local da primeira igreja católica do Brasil, segundo as placas.

De Igarassu até a Ilha de Itamaracá a estradinha é muito gostosa, cheia de curvas e muito verde. Assim que se entra na ilha, pega-se uma estrada de paralelepípedo até Vila Velha. Uma vilazinha lá em cima do morro, de onde se vê o mar imenso e a ilhota Coroa do Avião.

Vila Velha tem uma igrejinha no lugar onde a vista é mais bonita e um campo de futebol bem no meio de tudo. O jogo corre solto enquanto o visitante toma um côco, aprecia a vista ou sobe até o sino da igreja.

Um dos melhores lugares para se estar no mundo. É para parar a moto de baixo de uma árvore e ficar olhando o mato crescer.

De Vila Velha – se você conseguir ir embora -, o negócio é conhecer o Forte Orange e a Coroa do Avião lá embaixo.

Tempo vem, tempo vai, são 150 km de asfalto, em umas 5 horas. Dá até tempo para almoçar em casa na volta. É passeio para repetir sempre, para lembrar o que realmente é importante nesta vida.

Fotos:

A moto fica descansando debaixo da árvore lá em Vila Velha.

Lá de cima dá para ver a ilhota Coroa do Avião.

Enquanto os turistas passeiam, o que vale mesmo aqui é o futebol, no campo do meio do mundo.

Na igrejinha sem frescuras conservacionistas, ainda é possível conhecer tudo sozinho, subir no sino e perambular à vontade.

Aqui o tempo pára.

Para almoçar na Coroa do Avião é só tomar um desses barquinhos de aluguel.

O Forte Orange é lugar para imaginar as batalhas entre soldados e piratas, santos e hereges.

Miniaturas

By magnani, 05/03/2010 05:53

Já fiz algumas coleções em minha vida. Tinha todas as principais Graphic Novels que circulavam nos anos 80: Cavaleiro das Trevas, Akira, Watchmen etc etc etc. Também já colecionei alguns discos de vinil. Nada de mais, talvez algumas centenas. Meus livros também não deixam de ser uma coleção. Mas só. De resto, sou bem adepto dos sábios dizeres daquela propaganda de TV: “Felicidade é não ter mais do que se pode carregar”.  Tenho pavor de guardar coisas que não estou usando.

Acho que fazer coleções é alguma coisa que herdamos de nossos antepassados, que guardavam pedras brilhantes. Tenho dois amigos próximos que possuem centenas de miniaturas de moto. Também gostaria de ter, mas não tenho lugar para guardar, nem recursos para comprá-las. Fazer uma coleção dessas pode ser torturante. Quando você tem o dinheiro não encontra a moto que deseja. Quando encontra a moto, não tem o dinheiro.

Por todas essas razões, decidi fazer uma mini-coleção. Apenas uma de cada tipo e ponto final. Todas na escala 1:18. O legal é que quase todas são motos que eu gostaria de ter. Segue a lista:

 

 

Vespa 125 1953 (Scooter)

 

BMW R 1100 GS (Adventure)

 

Honda RC212V 2007 (Sport)

 

Harley Davidson FSX Low Ride 1977 (Cruiser)

 

Ducati GT1000 (Naked)

 

Honda Gold Wing (Touring)

BMW F650 GS (Dual Purpose)

 

Honda CR250R (Dirt Bike)

 

Triumph Boneville (Standard)

Vingadores de Pandora – parte 1

By magnani, 03/03/2010 05:48

As cinco motocicletas do motoclube Vingadores de Pandora entraram na cidade fazendo um enorme barulho. A nuvem de poeira deixada para trás naquele crepúsculo de verão fazia a visão ser mais terrível ainda. As mães puxavam suas crianças para a calçada, as velhas trancavam as janelas das casas, os jovens – comumente tão valentões com os de fora – ficaram parados em suas mesas de bar orando para que o tempo passasse logo. Um teatro onde todos sabiam como se portar.

Os vingadores desfilaram por toda a avenida central. Depois voltaram, parando suas motos no jardim central. Ninguém da cidade tinha coragem de olhar diretamente para o grupo. Os cinco homens se vestiam do mesmo jeito. Jaqueta de couro com o brasão nas costas, cabelo comprido e barba. O cheiro forte de suor, depois de tantos dias na estrada também os fazia iguais. Até o olhar confiante, de quem toma o que quer, era o mesmo. Somente os nomes e posições – bordados em seus peitos – é que os diferenciava. Aqueles cinco representavam a cúpula do motoclube.

Como que para quebrar o encanto, o sorridente capitão da polícia militar caminhou até o grupo assim que terminou seu cafezinho na padaria. A cidade toda agora olhava para o jovem uniformizado.

Como que nobres em um castelo, os cinco motoqueiros receberam o comandante com bastante familiaridade, mas também com altivez. Depois dos cumprimentos, somente o presidente falava. “Comandante Feijó, nós estamos aqui para programar uma festa na sua bela cidade de Miracaia do Norte. Os meus homens dos Vingadores de Pandora estão precisando relaxar.”

Como de costume, o comandante aceitou todos os pedidos dos vingadores. Seu trabalho não seria impor dificuldades, mas sim manter a calma durante os festejos. Nunca com violência, sempre com diplomacia. Os vingadores eram a atração anual da cidade. O povo amava aquele grupo muito mais do que temia. Como sempre, as meninas se entregariam, os rapazes fariam de tudo para serem aceitos, as crianças passariam os dias vidradas nas máquinas e os adultos ganhariam dinheiro com a venda de bebida.

A conversa entre o presidente e o comandante corria solta até que o policial mudou sua prática comum, tentando pressionar o motoqueiro.

“Sabe que andam perguntando muito por aí sobre os dois novos integrantes do seu motoclube? Tem gente graúda na polícia curiosa em saber como dois caras sobem até a diretoria do maior motoclube do estado em apenas dois meses. Por falar nisso, onde estão eles?”

“Olha aqui, Feijó. Não adianta vir com essa conversa mole não. Os caras são nossos amigos. Subiram na hierarquia por sua liderança. Eles sabem agir na hora certa e sabem controlar o grupo quando é preciso.”

“Mas desde que eles apareceram, também começaram a surgir suspeitas de que seu motoclube estaria agindo fora da lei. O clube está mais organizado, ágil e valente. Não combina muito com você. Está perdendo o controle do clube? Onde essa brincadeira toda vai acabar?”

Nisso o presidente dos vingadores – o Chapadão -, empurra de leve, mas agressivamente, o peito do comandante. Com o dedo apontando para o seu nariz grita para o policial:

“Ninguém aqui está perdendo o controle nenhum, caramba! Eu mando e desmando neste clube. Pessoal, vamos embora que essa cidadezinha de merda já está me deixando azedo.”.

Em poucos segundos todos já estavam em cima de suas motos ligando os motores. As motos saíram acelerando, deixando para trás muito barulho e poeira em Miracaia do Norte.

Ao comando do presidente, o grupo parou na beira da estrada, a poucos quilômetros da cidade. O presidente, ainda transtornado com a conversa, gritou:

“Quem manda aqui sou eu! Entenderam? Quando chegarmos na chácara eu vou ter uma conversinha com esses dois novatos!”

Ficou esbravejando até que um dos seus diretores lhe deu um abraço. Nisso o homem deu um suspiro e olhou para o grupo com um olhar cansado, velho e desesperançado. De que lado aquele grupo ficaria? Do lado de um velho carinhoso e preguiçoso, ou do lado dos dois forasteiros que traziam promessas grandiosas.

—-

Um pouco depois, na chácara, os dois motoqueiros conversavam calmamente.

“Jessé, você não…”

“Quantas vezes já não te disse para não me chamar de Jessé? Agora eu sou o Bomba e você é o Gloqui. Se acostume logo com isso!”

“Tá certo, Bomba. Você acha mesmo que esse motoclube é um bom lugar para nos escondermos?”

“Por um tempo sim. Por incrível que pareça, ninguém iria procurar Os Motoqueiros do Sertão no meio de outros motoqueiros, né? Devem achar que estamos escondidos em outro lugar. Mas daqui a pouco vão perceber que este motoclube está mudado. Daí sim virão atrás da gente. E o senador Abobrinha virá junto.”

“Nesse caso vamos fazer o que?”

“Vai depender de que lado essa cambada vai ficar. Não tenho certeza ainda se preferem brincar ao lado do Chapadão ou se vão querer ação de verdade do nosso lado. Esse velho é só panca. Ele finge que é violento. O pessoal das cidadezinhas finge que o respeitam. O povo quer é distração. Quer um palhaço inofensivo vestido de diabo.”

Willi – digo, Gloqui – virou para a estrada ao ouvir as motos chegando em velocidade. Assim que as máquinas foram desligadas, o presidente começou a disparar.

“O que é que as duas mocinhas ficaram fazendo aqui na chácara? Por que não foram para a cidade? Estão com medinho da polícia?”

Jessé – digo, Bomba – respira fundo e pesa suas opções. Ele não precisava provar nada para ninguém, mas queria aquele grupo. Mas eles não estavam preparados para ações fortes ainda. Por isso, desistiu de pegar a pistola escondida por baixo da camisa. Ao invés disso, foi até Chapadão e puxou o velho pelo cangote jogando-o ao chão. Assim que o presidente tentou se levantar, de quatro, Bomba chutou a sua bunda com força. O velho se esborrachou no chão, chorando como uma criança.

“Esse motoclube tem outro presidente agora. Alguém se opõe?”

Os quatros motoqueiros se olham incertos. Gloqui, percebendo a indecisão, sacou a sua pistola e atirou várias vezes para cima, comemorando com um largo sorriso.

“Viva o novo presidente, viva o novo presidente!”

(continua)

Músicas & Estrada

By magnani, 24/02/2010 06:43

Lista das 10 melhores músicas para se ouvir na estrada. (em qualquer ordem)

1 – Roadhouse Blues – The Doors
2 – Running With the Devil – Van Halen
3 – Rock and Roll – Led Zeppelin
4 – Route 66 – Rolling Stones
5 – Long Way Round – Stereophonics
6 – This Life – Curtis Stigers & The Forest Rangers
7 – Born to be Wild – Steppenwolf
8 – I Wanna Rock & Roll All Night – Kiss
9 – Highway to Hell – AC/DC
10 – Heading Out to the Highway – Judas Priest

Sons of Anarchy

By magnani, 19/02/2010 15:23

Seguem aí o trailer e música tema do seriado Sons of Anarchy (Filhos da Anarquia). Aqui no Brasil os episódios passam na FX, todas quintas às 22:00. Ontem foi o último episódio da primeira temporada. Nos EUA eles já estão no meio da segunda temporada.  Fontes legais para conhecer um pouco mais são:

TRAILER

 

TEMA

 

“This Life” (Esta Vida)
Curtis Stigers & The Forest Rangers

 

Ridin’ through this world (Pilotando pelo mundo)
All alone (Com mais ninguém)
God takes your soul (Deus toma a tua alma)
You’re on your own (Conte só com você)

The crow flies straight (Há uma reta)
A perfect line (Uma linha perfeita)
On the devil’s path (No caminho do demônio)
Until you die (Até a morte)

This life is short (Esta vida é curta)
Baby that’s a fact (Baby, isso é um fato)
Better live it right (Melhor viver direito)
You ain’t comin’ back (Você não vai voltar)

Gotta raise some hell (Faça uma confusão)
Before they take you down (Antes deles te abaterem)
Gotta live this life (Viva esta vida)

Gotta look this world (Olhe este mundo)
In the eye (Direto nos olhos)
Gotta live this life (Viva esta vida)
Till you die (Até a morte)

You better have soul (Que você tenha uma alma)
Nothin’ less (Nada menos que isso)
Cause when it’s business time (Porque quando chega a hora)
It’s life or death (É vida ou morte)

The king is dead (O rei está morto)
But life goes on (Mas a vida segue)
Don’t lose your head (Não perca a cabeça)
When a deal goes down (Quando algo der errado)

Better keep your eye (Melhor manter o olhar)
On the road ahead (Na estrada em frente)
Gotta live this life (Viva esta vida)

Gotta look this world (Olhe este mundo)
In the eye (Direto nos olhos)
Gotta live this life (Viva esta vida)
Till you die (Até a morte)

Novos Livros Sobre Motoclubes

By magnani, 18/02/2010 06:58

Ultimamente tenho gostado muito de assitir a uma série na televisão chamada Sons of Anarchy. A estória toda se passa em torno de um motoclube criminoso – pelo menos do ponto de vista do governo. O legal é que não é maniqueísta – ou preto ou branco, ou bom ou mau – de jeito nenhum. Fica difícil julgar quando estão realizando um crime ou usando a liberdade individual contra os interesses de uma grande corporação – o governo. Os relacionamentos amorosos são uma mistura de amor, paixão, dependência, carência e compromisso. As punições sempre são em nome da lealdade ao coletivo, mas às vezes beneficiam interesses particulares. Alguns policiais são corruptos, alguns bikers são idealistas. Isso sem contar o visual, a ação e a trilha sonora. Grande diversão.

Já tinha uma certa visão sobre os motoclubes dos Filmes de Moto e a Livros Sobre Motoclubes. Mas coisa pequena: uma visão romantizada do “Hollister Riot” imortalizada no filme “Wild One”; a gênese dos Hell´s Angels vista tanto pelo lado do jornalista Hunter S. Thompson quanto do então presidente Sonny Barger; e a infiltração do policial William Queen nos Mongols.

Riding on the Edge: A Motorcycle Outlaw's Tale The Original Wild Ones: Tales of the Boozefighters Motorcycle Club The Mammoth Book of Bikers Running with the Devil: The True Story of the ATF's Infiltration of the Hells Angels No Angel: My Harrowing Undercover Journey to the Inner Circle of the Hells Angels The Assimilation: Rock Machine Become Bandidos - Bikers United Against the Hells Angels The Brotherhoods: Inside the Outlaw Motorcycle Clubs

Nesse embalo da série, fiquei com vontade de conhecer um pouco mais sobre a cultura dos motoclubes. Por isso encomendei cinco novos livros. Devem chegar daqui uns três meses.

Riding on the Edge: A Motorcycle Outlaw’s Tale – John Hall. A história real de John Hall nos anos 60, com suas aventuras nos Pagans – definidos uma vez pelo FBI como o grupo criminoso mais violento dos EUA. Descreve as irmandades de então como um misto de conceitos antagônicos: liberdade e preconceito, amor e violência, crime e lealdade. Mas uma coisa é certa, aqueles caram sabiam viver intensamente.

The Original Wild Ones: Tales of the Boozefighters Motorcycle Club – Bill Hayes. Os eventos apresentados no filme “Wild One” com Marlon Brando não são totalmente fictícios. Nesse livro são discutidos os reais eventos do Hollister Riot. Mas, acima disso, mostra a cultura biker nos anos 40. Quando uma nova forma de viver foi forjada por uns quarentões que tinham perdido a juventude na segunda guerra mundial.

The Brotherhoods: Inside the Outlaw Motorcycle Clubs – Arthur Veno. O livro é uma grande pesquisa sobre os motoclubes australianos. Ao contrário de outros livros escritos por policiais ou membros, este é escrito por um acadêmico. Descreve os rituais e regras para tornar-se um novo membro, folclore e perfil de grandes personalidades.

The Assimilation: Rock Machine Become Bandidos – Bikers United Against the Hells Angels – Edward Winterhalder e Wil De Clercq. Winterhalder descreve a assimilação dos Rock Machine pelos Bandidos, a fim de livrá-los das mãos dos Hell´s Angels. Mostra um outro lado dos HA, além de discutir com detalhes e emoção o universo dos motoclubes.

The Mammoth Book of Bikers – Arthur Veno. Aqui o autor compila um grande conjunto escrito originalmente por bikers e observadores. Lendas, gangues e folclore. Definitivo para caracterizar o mundo das gangues de moto.

Running with the Devil: The True Story of the ATF’s Infiltration of the Hells Angels – Kerrie Droban e No Angel: My Harrowing Undercover Journey to the Inner Circle of the Hells Angels – Jay Dobyns. Na mesma linha do livro de William Queen, descrevem como operam as gangues – do ponto de vista da polícia.

Biker Chicks: The Magnetic Attraction of Women to Bad Boys and Motorbikes – Edward Winterhalder e Arthur Veno. Um livro que mostra as várias facetas das mulheres no mundo dos motoclubes. Escravas, deusas ou companheiras?

No final das contas é muito legal ver essa questão das gangues dos dois pontos de vista. Os policiais os vêem como criminosos comuns, que usam uma mitologia de liberdade apenas para esconder sequestros, tráfico de drogas e luta por poder. Já os bikers se vêem como homens independentes, com força suficiente para lutar pela liberdade que todo indivíduo tem direito. Mesmo que para isso seja necessário lutar contra uma gangue muito maior – o governo -, que finge defender a todos.

Bem, escolha o seu lado: governo, Bandidos, Pagans, Mongols, Boozefighters ou Hell Angels.

… ou seja livre vivendo do jeito que quiser.

Promoção! Sorteio! Aniversário do blog!

O blog Equilíbrio em Duas Rodas fez 6 meses em janeiro. Mas como estávamos no Atacama, não deu para fazer a promoção de aniversário.

Antes tarde do que nunca, o blog está sorteando o livro “The Travel Writer’s Handbook: How to Write – and Sell – Your Own Travel Experiences” (Handbook do Escritor de Viagens: Como Escrever – e Vender – Suas Próprias Experiências de Viagem). Acho que pode ser uma ajuda legal para quem viaja de moto e quer transmitir o que viveu. O livro – que já está na sexta edição-  discute desde a preparação da viagem, passando pela escrita do relato, até a submissão a revistas.

Para participar, basta mandar um mensagem pelo link “Entre em contato”. A mensagem deve conter o seu nome completo e e.mail. A lista de e.mails não será distribuida. No máximo você irá receber, de tempos em tempos, e.mails nossos falando sobre novidades do blog ou novas promoções.

O sorteio será no dia 20 de março de 2010.

Participe. Aproveite também para navegar pelo blog. Há uma série de textos sobre livros de motociclismo. Mas o grosso mesmo são os nossos passeios de moto por aí. Aguardamos críticas e sugestões.

Abraço a todos!

Fábio Magnani.

Nazaré da Mata-PE – Carnaval 2010

By magnani, 15/02/2010 05:49

14.02.2010

Duas semanas sem pegar a estrada com a moto. Já estava dando uma coceira na mão do acelerador. Aproveitando o carnaval, eu e a Renata fomos dar uma volta pela nossa região. Mas não sem algumas mudanças. Primeiro no visual. Desta vez deixamos de lado as roupas de cordura e os protetores. Fomos com um visual anos 50, tipo Marlon Brando. Calça jeans, jaqueta preta de couro e sapatos pretos.

 

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Essa história de proteção é interessante. Por um tempo, cheguei a usar protetores de joelho, coluna e pescoço. Mas percebi que ficava tão cansado que comecei a ficar desconfiado se realmente havia vantagem em usar essas proteções. Será que o cansaço causado por elas não poderia ser a própria causa de um acidente?

Eu nunca ando sem capacete. Nunca. Nem para ir à padaria. Mas outro dia andei uma dezena de metros dentro de um condomínio fechado. Pode ser perigoso, mas é muito bom. Você ouve o motor da moto e sente o vento batendo no rosto. Mas deixa para lá porque andar sem capacete já é exagero.

Saí com uma promessa de tentar andar devagar. Consegui cumprir. Com raras exceções ficamos abaixo dos 90 km/h. É legal para aproveitar a viagem, mas não posso negar que às vezes dá um certo sono. Sem contar com os sustos que você leva com os carros aparecendo de repente por trás.

 

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Fiel à minha promessa de aproveitar a viagem, consegui pela primeira vez em minha vida parar nos primeiros 90 km para tomar uma água. Tudo perfeito. Quase… pois o calor aqui está muito forte. Às vezes a temperatura chega a 34 C, o que é alto para o litoral do nordeste.

 

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Nosso destino era Nazaré da Mata-PE, a 70 km de Recife. Conseguimos chegar lá andando 150 km. Isso. No início do ano fomos daqui até o Pacífico sem nos perder. Mas aqui perto de casa a coisa foi diferente. De repente é por causa desse negócio de andar devagar.

 

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Nazaré da Mata é a Cidade do Maracatu. Essa é uma festa que acho muito legal. Tem três componentes principais. Um som com uma percursão que faz o mundo tremer, uns cabeludos que vagam mundo afora e uma côrte principesca.

 

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Minha máquina fotográfica molhou na Argentina, então tivemos que comprar uma bem simples. Como tudo tem um lado bom, essa máquina quase sem recursos nos deu a oportunidade de treinar a composição. Nada de iluminação, cores, foco, lentes ou profundidade.

Esses cabeludos são um desafio para tirar fotos. Por um lado são muito bonitos, mas também se movem muito rápido.

 

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O carnaval de Nazaré da Mata é parecido com o do centro do Recife. Não é aquela explosão que vemos em outros lugares, onde parece que as pessoas querem viver tudo que não viveram durante o ano todo em apenas algumas horas. Ali a coisa é relaxada, familiar. Uma atividade prazerosa, não um escapismo alucinante.

 

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Um dos menininhos fantasiados ficou muito impaciente para deixar tirar uma foto direito. Pensávamos que estava irritado por causa da roupa. Mas que nada! Queria é ir acompanhar os grandes!

 

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Além do maracatu também há o frevo, o caboclinho e um tal de boi surpresa. Fiquei tentando um tempão tirar a foto do tal boi, mas um cara sempre estava na frente, como que querendo aparecer mais que o boi. Já ia dar uns sopapos no cara quando a Renata me segurou para explicar que ele não estava ali enchendo o saco do boi, mas sim dançando com ele. Quer dizer, era uma espécie de toreador, parte fundamental na dança.

Fomos até entrevistados ao vivo por uma “rádia”. Enquanto a Renata falava, eu fiquei batendo fotos. Então não ouvi ela dizendo que não poderíamos ficar muito tempo em Nazaré por causa do nosso bebê. Quando foi a minha vez, para ajudar o cara a promover o carnaval da cidade, disse que ficaríamos até a quarta-feira de cinzas, porque era maravilhoso e tal. Nisso o cara disse no microfone:

“Meu irmão, sua mulher acabou de dizer que vocês vão embora daqui a pouco.”

Eu fiquei com a maior cara de tacho e só pude dizer:

“Então tá, né?”  

 

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Nesse humilde retorno à estrada andamos uns 230 km na manhã do domingo de carnaval. Em passo lento, paramos para tomar água quando deu vontade, tiramos fotos das pessoas sem medo de que tivessem medo de que tirássemos também as suas almas, nos perdemos pertinho de casa e andamos com um mínimo de proteção. 

Além de tudo, tivemos a companhia um do outro. Como no início, voltamos a ser uma dupla na estrada. Nos últimos dois anos isso tinha mudado um pouco por causa da gravidez da Renata e nascimento do nosso filho. Mas agora tenho mais uma vez, além de minha amante, uma grande companheira que compartilha meus interesses, sonhos e valores.

Carnaval

By magnani, 13/02/2010 09:51

Eu não sou muito de carnaval. A não ser o do centro do Recife, que na realidade é uma imensa festa para todas as idades, com uma diversidade fantástica de ritmos e danças (maracatu, caboclinho, samba, blocos líricos, frevo etc). Os trios elétricos são proibidos. Há alguns palcos principais. Mas o que eu mais gosto é de ficar andando, esperando a infalível surpresa que virá na próxima esquina. São incontáveis blocos independentes circulando pelas ruas.

Normalmente dou um pulo por lá todo ano. Só que a maratona é grande. A melhor maneira é ir até um dos shoppings da cidade, estacionar a moto, então pegar um ônibus especial até o centro.

Esse ano vamos fazer um programa diferente. Amanhã de manhã vamos até Nazaré da Mata-PE. Quero ver se juntamos vários interesses em um único passeio: ver o carnaval, tirar fotos, tomar um café-da-manhã diferente, rever o agreste e, claro, passear de moto. Se dermos sorte, a Capital do Maracatu não vai estar muito cheia logo pela manhã, permitindo que fiquemos próximos à moto, mas mesmo assim com oportunidades de fotos legais.

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