Entrevista no Blog MotordoMundo sobre Motoqueirismo

Sep 27th, 2012 | By | Category: Acidentes, Divulgação, Engenharia & Estudos, Motoqueirismo, Posts

Extra! Extra! Em entrevista exclusiva ao Blog MotordoMundo, o Prof. Fábio Magnani defende a responsabilização das fábricas pelos acidentes com motos.

Há um tempo atrás fui convidado para responder algumas perguntas no Blog MotordoMundo do Marcelo de Barros – um motoblogueiro arretado que usa o seu teclado para divulgar questões importantes do motoqueirismo. Gostei muito das perguntas, pois pude desenvolver assuntos que são muito importantes para mim. Destaco a parte em que falo sobre a responsabilização econômica das fábricas de moto pelos acidentes. Afinal, assim como as empresas de cigarro são responsáveis pelo uso do seu produto, as de moto também devem ser. Não dá mais para aceitar que a sociedade brasileira pague todos os custos com os acidentes, que os motoqueiros brasileiros sejam sempre considerados os culpados de tudo que acontece de ruim e que enquanto isso as fábricas japonesas simplesmente fiquem com todo o lucro. As fábricas japonesas precisam ser responsabilizadas pelos prejuízos causados pelos seus produtos. Para que essa responsabilização seja efetivada, deve ser criada uma lei que obrigue o investimento (compulsório) de 10,63% da receita das fábricas em um fundo com gestão independente – o Fundo do Motoqueirismo (FUMO). Esses recursos serão usados em campanhas educacionais, estudos científicos, produção cultural e desenvolvimento tecnológico com patente livre para fábricas brasileiras. Quando essa nova lei for aprovada, o Brasil reduzirá os acidentes no trânsito, produzirá motos/bicicletas com menor impacto ambiental, terminará com o monopólio das fábricas japonesas, tornará crime o preconceito contra os motoqueiros/bicicleteiros, criará empregos, desenvolverá tecnologia, diminuirá gastos com tratamentos hospitalares e receberá divisas com a exportação de motos/bicicletas para o mundo todo. O melhor de tudo é que o preço das motos e das bicicletas não aumentará, pois as novas tecnologias e a maior competição irão baixar os custos de produção. Mas vamos à entrevista:

ENTREVISTA DE FÁBIO MAGNANI AO BLOG MOTORDOMUNDO

1-Fábio, como começou sua relação com a moto?

Não foi uma paixão à primeira vista. Ao contrário, foi um amor que teve que esperar 30 anos para ver chegada a sua hora. Foi o tempo necessário para o amadurecimento de três interesses: bicicletas, termodinâmica e vida urbana.

Desde o início da escola até o final da universidade eu sempre andei muito de bicicleta. A qualquer hora, em qualquer lugar. Nas estradas ao nascer do sol, nas linhas de trem durante as tardes de verão e no centro deserto das cidades durante as madrugadas. Em qualquer dessas ocasiões, sempre estava eu lá, pedalando solitário. Dá para ver então que as duas rodas já estavam em minha vida desde cedo.

Na universidade apareceu a termodinâmica, que é a teoria por trás dos motores. Ela faz parte de uma área chamada ciências térmicas, que sempre me atraiu desde o primeiro dia da graduação. Hoje em dia ainda trabalho nessa área, como professor universitário. Foi assim que comecei a me interessar pelos motores.

Quando acabei o doutorado me mudei para Recife, onde meu meio de transporte era o ônibus. Eu adorava. Da janela, passei dez anos observando o comportamento das pessoas, os conflitos no trânsito e a dinâmica da cidade. Tudo chamava a minha atenção: o inseguro no carrão, o atlético catador de papel, o motoqueiro ousado, o pedestre independente, o ciclista malabarista, o cego aventureiro e o guerreiro cadeirante. Nessa época é que despertou para mim o interesse pelo trânsito urbano

Mas você me perguntou sobre as motos. Bem… eu tenho carteira de motoqueiro desde os 18 anos. Até tive uma moto quando tinha 20 e poucos anos, mas foi aos 37 que todas as peças do quebra-cabeça se juntaram. Eu tinha acabado de me divorciar e minha linha de pesquisa na universidade estava meio estagnada – clássica crise de meia idade. Mas, de repente, por alguma razão, tudo passou a fazer sentido. Naquele momento, de alguma forma eu passei a saber exatamente o que queria. Queria voltar a desbravar as estradas em duas rodas, queria pesquisar algo útil para a sociedade e queria voltar a ter paixão pelo meu trabalho. Queria juntar as bicicletas da minha infância, a termodinâmica da minha juventude e a vida urbana da minha vida adulta.

Duas rodas das bicicletas + motores da termodinâmica + mobilidade nas cidades = MOTO.

Depois desse estalo, que se deu no início de 2007, tudo começou a passar muito rápido: compra de uma nova moto, viagens, busca das causas da violência no trânsito, cursos de manutenção, coluna em revista, produção do blog Equilíbrio em Duas Rodas, disciplinas na universidade, orientação de estudantes, pilotagem no dia a dia, conflitos com o monopólio dos fabricantes, rusgas com a parte preconceituosa da imprensa, chás-de-cadeira homéricos para falar com autoridades, estudo da tecnologia, desenvolvimento de comparativos econômicos e cálculo do impacto ambiental das várias tecnologias.

Mas eu não diria que minha relação seja simplesmente com a tecnologia das motos, que conheci em 1987. Acho que não é nem mesmo com a tecnologia das bicicletas, veículo que uso desde 1977. A coisa ficou forte mesmo só em 2007, com o que chamo de MOTOQUEIRISMO e BICICLETISMO, que vão muito além das máquinas: tecnologia, cultura, política, comportamento, jornalismo, luta política, arte, organização social, acidentes, lazer, trabalho, indústria, trânsito, monopólio e mercado. Me envolvo em tudo que tenha duas rodas.

E o mais legal é que está tudo só começando.

2- Você é professor na UFPE e leciona a disciplina Engenharia da Motocicleta desde 2010, disciplina que pelo meu conhecimento é inédita em curso superior no Brasil. Como surgiu a idéia e quais são suas metas com essa disciplina?

A disciplina engenharia da motocicleta nasceu da atração que eu e o Prof. Ramiro Willmersdorf temos pelas motos. Essa é uma parceria que dá muito certo, pois eu sou professor de termodinâmica e ele de mecanismos, então podemos cobrir boa parte da teoria das motos. A disciplina tem como primeiro objetivo formar estudantes que tenham uma noção geral da engenharia da motocicleta: quais são seus principais componentes, que materiais são utilizados e quais são os desafios do seu projeto e da sua produção.

Outro lado legal da disciplina é que nos dá a liberdade de colocarmos algumas ideias pedagógicas em prática. Ao invés do estudante aprender uma teoria e depois a sua aplicação, nesta disciplina ele se depara com um problema real: a moto. A teoria vai aparecendo naturalmente para explicar os fenômenos. Desse jeito, o estudante pode integrar os conhecimentos de termodinâmica, mecânica dos fluidos, combustão, transferência de calor, máquinas térmicas, processos de fabricação, materiais, mecanismos, elementos de máquinas, estática, dinâmica, vibrações, tribologia, lubrificação e produção. A disciplina é dividida em História da Tecnologia e da Indústria, Tecnologia das Motos Atuais, Propulsão, Quadro, Suspensão e Ciclística. As avaliações são duas competições, onde os estudantes precisam projetar o motor mais potente e o quadro mais leve.

Mas não queremos que nossos alunos sejam simples empregados das fábricas que já existem. Nosso objetivo é que montem suas próprias fábricas no futuro. Por isso eles também precisam compreender como as motos são usadas, as preferências dos brasileiros, as estratégias comerciais que mantém o monopólio atual, as causas dos acidentes e as várias formas de pilotagem.

Em resumo, queremos que nossos estudantes de engenharia da motocicleta sejam engenheiros mecânicos completos, que se tornem apaixonados pelas motos, que compreendam como essas máquinas são usadas, que tenham as condições de montar suas próprias fábricas e que essas fábricas sejam vitoriosas no mercado brasileiro.

Ufa! Só isso.

3- É um plano bem ambicioso, a ideia de preparar os alunos para terem condição de abrirem suas próprias fábricas e buscar espaço em um mercado tão repleto de marcas. Você acredita que existe espaço para uma fabrica 100% brasileira no mercado? Será que na prática, não poderia acontecer um tipo de boicote do governo gerado por influencia das grandes, ou médias marcas do mercado, algo que já aconteceu no passado, mas com automóveis, com o então revolucionário João Augusto do Amaral Gurgel?

Em primeiro lugar, não acho que exista um grande número de marcas. Duas fábricas japonesas (Honda e Yamaha) controlam mais de 90% do mercado brasileiro, de R$ 12 bilhões. Essa falta de disputa no mercado cria problemas. O preço não é tão baixo quanto poderia, o projeto é antigo e feito para um outro tipo de consumidor.

Também não penso que a Gurgel seja um bom exemplo. Foi uma experiência legal, mas era uma única fábrica nova contra várias fábricas já consolidadas. As fábricas de moto que deram certo na Inglaterra, Alemanha, Itália, Japão e EUA nasceram em um ambiente bem diferente, onde havia diversidade, liberdade, criatividade e competição. A Honda, por exemplo, foi uma das quatro sobreviventes de um grupo de 200 fábricas que existiam no Japão nos anos 50.

O governo brasileiro tem que fazer a sua parte, ao criar essas condições de livre competição também por aqui. Mas não vamos só ficar esperando. Nós estamos fazendo a nossa parte, que é preparar engenheiros com o conhecimento da tecnologia, da história e do mercado. Todas as fábricas começaram pequenas. É o único jeito de começar.

Agora, além de educarmos nossos engenheiros, queremos que essa disciplina sirva como inspiração para que outras universidades passem a fazer o mesmo. Talvez com isso o governo possa acreditar que existe uma alternativa ao monopólio das fábricas japonesas. De repente aparece um governante que sonhe em ter uma indústria local de motos. Uma indústria que fabrique motos projetadas para as nossas necessidades, com menor impacto ambiental, com preço justo e mais seguras para o nosso tipo de trânsito.

Claro que é um sonho. Claro que a nossa disciplina é uma parte bem pequena em todo esse projeto para uma indústria nacional. Mas uma viagem de 1000 milhas começa com um único passo.

Eu acredito que existem governantes que querem incentivar o desenvolvimento tecnológico local; que os formandos de engenharia, ao invés de serem empregados, preferem ser os donos das fábricas onde desenvolverão com liberdade os seus projetos; acredito em motos elétricas com carga solar muito mais eficientes e baratas do que as motos que temos por aí hoje em dia; em jornalistas que querem defender uma imagem positiva dos motoqueiros urbanos ao invés de perpetuarem o preconceito atual; e acredito em campanhas culturais que promovam ruas seguras para os que andam sobre duas rodas.

Tenho que acreditar, não é? Se não acreditasse, não estaria investindo tanta energia pessoal nisso.

4- Fábio, hoje vivemos uma dura realidade no trânsito, onde ninguém respeita ninguém e como consequência temos altos índices de acidentes. Como você vê essa realidade e o que acredita que seja a solução para tornar o trânsito mais pacifíco para todos?

Tenho pensado muito sobre os acidentes com as motos e estudado o que fizeram em outros países. São necessárias várias medidas em conjunto.

1 – Fazer estudos sérios e amplos para descobrir as reais causas dos acidentes no Brasil. Os poucos estudos desse tipo que fizeram no mundo apontam os carros como os principais culpados nos acidentes com as motos, bicicletas e pedestres. A maior parte dos estudos, inclusive no Brasil, são feitos nos hospitais, onde não se pode determinar as causas dos acidentes, apenas as consequências. Os estudos precisam ser feitos nas ruas, com médicos, engenheiros, pilotos experientes, psicólogos e peritos de trânsito. No Brasil, por falta de estudos, as campanhas atuam de forma errada, criminalizando os motoqueiros e deixando intocados os reais culpados – os carros.

2 – Cobrar o investimento das fabricantes. As fabricantes tem uma receita de mais de R$ 12bi por ano, mas não são responsabilizadas pelos acidentes que ocorrem no uso de seus produtos. No máximo fazem pequenas campanhas ou pequenos estudos, mas sem grande escopo ou base científica – com algumas nobres exceções. É preciso criar leis que obriguem as fábricas a investirem na prevenção de acidentes, com metas claras e supervisão externa. Em outras palavras, as fábricas devem investir dinheiro, mas o controle não pode ser delas. Proponho que seja criado um fundo financiado com 10,63% da receita das fabricantes. Esse dinheiro não teria qualquer controle das fábricas, e seria usado em campanhas, estudos científicos, produção cultural de valorização dos motoqueiros e desenvolvimento tecnológico de motos específicas para o trânsito brasileiro.

3 – Cobrar resultados das campanhas. Algumas campanhas parecem ser baseadas nas experiências pessoais dos seus coordenadores, sem base científica e sem perguntar aos motoqueiros o que eles pensam. É possível fazer isso porque nem sempre há muita cobrança quantitativa dos resultados das campanhas, a imprensa não faz críticas e a academia não tem acesso aos dados para fazer as suas análises independentes. É preciso cobrar metas, publicar as metodologias e os resultados para que possam ser avaliados, comparar os resultados com os de outros países, obrigar o uso de trabalhos científicos e verificar se o investimento financeiro foi bem executado.

4 – Campanhas contra a imprudência dos motoqueiros. Não vou ser ingênuo a ponto de dizer que os motoqueiros nunca são imprudentes. Uma pequena minoria é. Mas não adianta fazer campanhas na televisão dizendo que todos são assim. Ou então fazer filmagens toscas que são ridicularizadas pela sua artificialidade, como acelerar a câmera para simular imprudência. Isso só causa risadas de quem anda de moto. As campanhas atuais agridem os que andam direito e são ineficazes para os poucos imprudentes. É preciso determinar as causas da imprudência. Provavelmente são a busca por autoafirmação, gosto pelo esporte e falta de outra forma de lazer. Portanto, a diminuição da imprudência passa por oferecer alternativas de trabalho e lazer para os jovens, e criar espaços seguros para aqueles que gostam de praticar o motociclismo.

5 – Ações contra o uso de drogas, pelo uso de capacete e a favor da habilitação. Estudos mostram que o uso de drogas e a falta de habilitação são realmente causas dos acidentes envolvendo motocicletas. Os capacetes, embora aumentem um pouco os acidentes e fortaleça o medo que a população tem dos motoqueiros, certamente diminuem muito as suas consequências. Em princípio sou a favor dessas ações que estão sendo realizadas, mas tenho as seguintes ressalvas: os dados devem ser públicos, as fábricas devem investir dinheiro nessas campanhas e as autoridades devem ser cobradas. O principal, no entanto, é que essas campanhas não devem ser usadas para mascarar os reais causadores de acidentes com motos – os carros.

6 – Educação de trânsito nas escolas. Essa ação não tem efeito imediato, mas precisa ser realizada para termos cidades melhores no futuro. As crianças precisam aprender uma regra básica no trânsito: cada um é responsável por proteger os mais frágeis. Carros protegem motos, que protegem bicicletas, que protegem pedestres saudáveis, que protegem crianças, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. Ainda, as crianças devem aprender que o conflito no trânsito não leva a nada, e que todos são os responsáveis por uma cidade mais tranquila. Por fim, as crianças precisam aprender que muitos problemas no trânsito são causados por erros urbanísticos, nos quais os governantes promoveram a construção de grandes prédios e avenidas, ao invés de criarem bairros autosuficientes, agradáveis e tranquilos.

7 – Campanhas educativas para os motoristas de carro. Como eu já falei, os carros são os principais causadores de acidentes. Existem três principais causas: 1) o motorista não registra a moto, 2) o motorista estima errado a velocidade da moto, e 3) o motorista joga o carro em cima da moto na crença de que o motoqueiro consiga desviar. Para resolver isso são necessárias campanhas para ensinar que é preciso ter mais cuidado com as motos, um treinamento especializado para os motoristas compreenderem a física das motos e punição severa para os covardes que jogam seus carros para cima dos motoqueiros.

8 – Ouvir os motoqueiros. Pelo menos nas reuniões que eu acompanhei, e nas entrevistas que vi na televisão, eu nunca vi a participação de um motoqueiro na construção de estratégias para a diminuição dos acidentes. Isso é um absurdo, pois quem conhece mais as causas dos acidentes do que os motoqueiros? No máximo as autoridades conversam com os motoqueiros que se acidentaram, quando o certo seria perguntar aos que não se acidentaram como conseguiram se livrar dos carros. Afinal, os motoqueiros que não se acidentam é que conhecem o caminho das pedras.

9 – Produção cultural. Filmes, documentários, músicas, feiras, festas, congressos, reportagens honestas, festivais, competições, livros, blogs e exposições. Obras que mostrem os motoqueiros em toda a sua complexidade, que inspirem os jovens empreendedores a montarem novas fábricas aqui no Brasil, que sensibilizem as autoridades a verem os motoqueiros como vítimas, que escancarem o monopólio e mostrem ao cidadão comum que o motoqueiro é um símbolo de vida e liberdade a ser seguido.

Em resumo, é isso que precisa ser feito: colocar a culpa dos carros como ponto central em qualquer discussão sobre acidentes, responsabilizar financeiramente as fábricas, publicar todas as informações, cobrar que as autoridades usem métodos científicos e ouvir os motoqueiros.

5- Para encerrar, você poderia deixar uma mensagem para o pessoal que assim como nós, curte muito a motocicleta? Algum conselho, sugestão ou até uma bronca? O espaço é seu.

Já que você deu o espaço, deixa eu me esbaldar na minha liberdade. As motos não são para os fracos de coração. Há muitos acidentes, há exploração do trabalho dos motoqueiros, há preconceito contra quem anda de moto e há estratagemas para manter um monopólio perverso aqui no Brasil.

Mas há o lado bom. As motos trazem o prazer físico, permitem a experiência filosófica de desafiar a morte, subvertem a ordem linear das ruas, reorganizam as cidades, inspiram o amor pela ciência, são anárquicas, caóticas, rápidas, musicais, lindas, elegantes e alegres.

Agora, por que tanto preconceito? Difícil definir, mas eu penso que é porque esses aspectos libertários das motos amedrontam as pessoas. Elas não querem ser lembradas que estão deixando a vida passar em branco. Pior ainda, como as pessoas tentam inutilmente se embriagar no consumismo, não se conformam que pobres motoqueiros quase sem dinheiro algum possam ser muito mais felizes. Por tudo isso as pessoas tentam enquadrar os motoqueiros com leis absurdas, tentam humilhá-los nos elevadores e não tomam o devido cuidado com eles no trânsito. Crianças. Um dia vão aprender que os motoqueiros não são os inimigos.

No final, a minha humilde mensagem é nesse sentido.

Motoqueiros, vocês têm uma grande responsabilidade no renascimento das cidades, no fortalecimento dos trabalhadores, na libertação daqueles que acham que são o que consomem e no eterno exemplo de que é preciso tomar certos riscos para viver de verdade. Não se curvem frente ao preconceito e à ignorância. Continuem sempre celebrando a vida ao voarem baixo montados em suas fantásticas máquinas de duas rodas. Os outros precisam de vocês.

10 Comments to “Entrevista no Blog MotordoMundo sobre Motoqueirismo”

  1. Wagner says:

    excelente Fabio , parabens

  2. magnani says:

    Valeu Wagner. Só não se esqueça de levar os cigarros na prisão, ok? kkk.

  3. Giggio says:

    Fabio,

    Fiquei até arrepiado no último parágrafo.
    Era o tipo que coisa que queria ler. Não saberia colocar de melhor forma, a visão que você tem e eu compartilho, sobre as motos no Brasil e no sentido geral da coisa.

    Parabéns, o segundo que lhe desejo hoje, pelo seu trabalho e sua personalidade.

  4. magnani says:

    Valeu, Giggio. Legal saber que não estamos sozinhos nessa viagem, que aí fora tem algumas pessoas que compartilham o nosso pensamento. Abraço.

  5. Parabéns, professor Fabio!! Próximo de completar 03 meses como motociclista, acompanho seu blog com bastante interesse e suas colocações são as mais lógicas possíveis. Sucesso!!!

  6. magnani says:

    Oi Alcione. Que legal. Espero que suas experiências motoqueirísticas estejam sendo ótimas. Abraço.

  7. Paulo R.S. Marcello says:

    Olá Fabio, sou militar e motociclista. Ando de moto todo dia e no trabalho também, pois sou batedor da Marinha. Temos nosso curso de motociclista militar e sempre que sobra um tempo dou palestras de educação no trânsito/direção defensiva. Sempre destaco a importância da educação para um trânsito melhor e costumo dizer que se o nosso Código de Trânsito (que já tem 15 anos) fosse respeitado no seu art. 76, já teríamos muita gente conduzindo seus veículos (seja moto, carro ou bicicleta) respeitando o próximo e as leis de trânsito. Fico feliz também em saber que, em algum lugar do Brasil, já existe a profissão de engenharia da motocicleta. Li sua reportagem e a achei muito coerente em tudo que foi dito. Muitas das suas ideias já me passaram pela cabeça mas não na sua magnitude e complexidade. Acredito que nenhum dos seus pontos de vista possa vingar se for executado isoladamente. Seu conjunto de ações precisa ser executado simultaneamente para que possa ter resultados mais imediatos e efetivos. Porém temo que sua luta seja injusta, apesar de totalmente coerente com a situação do nosso trânsito de hoje. Vai precisar bater de frente com a indústria de multas, políticos, prefeitos e governadores, etc. Tem meu apoio e torcida. No que precisar… Forte abraço!!

  8. magnani says:

    Oi Paulo, obrigado pelos elogios. Legal saber que tem mais uma pessoa por aí que compreende como a situação é complexa e que necessita de uma ação integrada. Quanto à nossa luta, não se preocupe. Tem muita gente honesta e inteligente por aí disposta a ajudar. O problema é que elas pensam que estão sozinhas. Por isso, nosso único trabalho é divulgar o que cada um vem fazendo sozinho. Desse jeito, de uma hora para outra, quando ninguém esperar, uma grande onda irá surgir. Uma onda de empresários, acadêmicos, motoqueiros e autoridades dispostos a trabalhar para diminuir de verdade os acidentes… e não apenas incriminar os motoqueiros, que na realidade são apenas vítimas de um país que não dá lazer, cultura, educação e trabalho decente para os seus jovens. No final das contas, a pena sempre é mais forte que a espada.

    Sobre “Engenharia da Motocicleta”, é apenas uma disciplina, não é uma profissão. Hoje em dia temos três disciplinas: “Engenharia da Motocicleta” (graduação), “Estudos da Bicicleta” (graduação) e “Estudos da Motocicleta” (pós-graduação). Há espaço ainda para outras disciplinas, como “Projeto de Suspensão” ou “Projeto de Sistemas de Propulsão Elétrica”, por exemplo.

    Acho que não se justifica um curso inteiro de “Engenharia da Motocicleta”. No entanto, seria bem legal ter um “Curso de Pós-Graduação Interdisciplinar”, com “Tecnologia”, “Psicologia”, “Design”, “Legislação”, “Trânsito”, “Meio Ambiente” e por aí vai.

    Também acho que seria legal um “Curso Técnico em Motocicleta” (não é de manutenção!), que formaria um profissional que entenderia de tecnologia, passando por logística, até prevenção de acidentes. Falo um pouco sobre isso no final deste post: http://blog.fabiomagnani.com/?page_id=10063 . Quem sabe um dia, não é?

    Um abraço.

    ————————

    P.S.: E para quem mais estiver lendo este comentário, deixo aqui a cópia do artigo que o Paulo citou:

    Art. 76. A educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e 3º graus, por meio de planejamento e ações coordenadas entre os órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito e de Educação, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, nas respectivas áreas de atuação.

    Parágrafo único. Para a finalidade prevista neste artigo, o Ministério da Educação e do Desporto, mediante proposta do CONTRAN e do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, diretamente ou mediante convênio, promoverá:

    I – a adoção, em todos os níveis de ensino, de um currículo interdisciplinar com conteúdo programático sobre segurança de trânsito;

    II – a adoção de conteúdos relativos à educação para o trânsito nas escolas de formação para o magistério e o treinamento de professores e multiplicadores;

    III – a criação de corpos técnicos interprofissionais para levantamento e análise de dados estatísticos relativos ao trânsito;

    IV – a elaboração de planos de redução de acidentes de trânsito junto aos núcleos interdisciplinares universitários de trânsito, com vistas à integração universidades-sociedade na área de trânsito.

  9. Paulo R.S. Marcello says:

    Curioso como vc demorou tanto pra começar a andar (efetivamente) de moto… Outro ponto que esqueci de comentar, ainda dentro da educação, são os cursos de condutores que existem no Brasil, principalmente os de motocicleta. Chega a ser absurdo o que é (ou não) ensinado neles. Nas minhas palestras, em algumas turmas específicas (principalmente as que contam com membros de motoclubes) sempre ministro aulas práticas de frenagem e slalow olhando pra trás (para os dois lados) como uma forma de automatizar certos procedimentos que ajudam a evitar os temíveis acidentes. Mostro, além do perigo das drogas e álcool, ofuscamento, lei dos 2 segundos (distância entre veículos), IPDE (Identificar, Prever, Decidir e Executar) entre outros. São itens que poderiam ajudar (se já não fazem parte) desse projeto de cursos técnicos que você tem em mente. É muita coisa na cabeça que vem e vai… Te add no Face e vamos trocando ideias. Viajo para uma missão no exterior e final do ano que vem me aposento. Quem sabe não batemos um papo quando eu passar por Recife… de moto, claro! Forte abraço!

  10. magnani says:

    Oi Paulo, acabei demorando mesmo. Coisas da vida.

    Concordo com você sobre todas essas técnicas para evitar acidentes. Agora, não podemos nunca esquecer que os motoristas dos carros são os principais culpados e que as fábricas não apresentam nenhuma solução nova (e.g., sensores de presença de veículos).

    Quando vier aqui para Recife, vamos bater um papo sim. Boa viagem.

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