O Segundo Motoqueiro – parte 4

Sep 15th, 2009 | By | Category: Ficção, Posts

Neste momento a história já tinha passado de espionagem para aventura, depois de terror para romance enciumado. Mas nada tinha me preparado para o que viria a seguir. Antes de Thaís responder o que a múmia devia fazer com Jessé, ouvimos o barulho de um carro vindo a toda velocidade. O impacto jogou o portão para longe. Enquanto um olha para o outro de forma incrédula, hei que sai Capitão Piquetão do carro, com uma sub-metralhadora na mão.

– Não corram. Esperem para ouvir o que eu tenho para dizer. Vim como amigo.

Bem, eu não tinha razão nenhuma para correr. Acho que ali só Jessé – que ainda estava preso pelo pescoço – é que tinha, porque os crimes de Lampião já deviam estar prescritos. Mas mesmo assim resolvi fazer o papel mais inteligente que o momento me permitia. Ou seja, ficar quietinho e ouvir. Daí Piquetão começou o discurso:

– Se prometerem que não vão fugir eu baixo a arma. Que bom que estejam todos juntos aqui. Tenho uma proposta a todos.

– Que proposta? Perguntou Thaís.

E o discurso continuou:

– Como todos sabem, eu tentei prender um coronel na Operação Calango. Mas ele conseguiu fugir alegando falta de provas. A quadrilha é muito esperta, pois descentraliza toda a operação pelo sertão. Você prende um gerente local do tráfico, mas não consegue subir na hierarquia. O que eu quero fazer é concentrar a estrutura deles.

– Como assim? Perguntei – figindo interesse -, já que ninguém mais o fez.

– Vamos criar uma quadrilha que vai atacá-los em todas as suas fachadas: fazendas de gado, bancos, lojas, bolsa de valores etc. É fácil, pois não têm uma segurança muito forte, pois acreditam que ninguém teria coragem de enfrentá-los. A única saída deles será concentrar todas as operações em uma única fortaleza. Com tudo em um lugar só, fica fácil armar um golpe fulminante.

– E o que você quer com a gente? Pergunta Thaís, que  então se lembra que lampião ainda está erguendo Jessé pelo pescoço. – Ah… Lampião, pode soltar Jessé.

Enquanto Jessé cai no chão com a mão no pescoço, lutando para recuperar a respiração, Piquetão continua a explicação:

– Quero que vocês formem essa quadrilha. Podem ficar com todo o dinheiro que conseguirem e não serão acusados de nenhum crime que possam vir a cometer. Inclusive crimes passados.

– E por que o senhor está aqui sozinho? Cadê toda a cavalaria? Pergunta Jessé, já conseguindo respirar novamente.

– Porque o resto da polícia não sabe de nada. Só a alta cúpula. Não quero arriscar entregar a operação novamente. Mas tenho aqui uma carta do secretário geral da PF garantindo o que eu falei.

– Por que nós? Exclama Thaís.

– Porque formam um incrível grupo diversificado. Jessé: especialista em demolições e sistemas de segurança; Willinilton: investigação e infiltração; Lampião: força bruta; e a senhora: dama da sedução. Eu não vou participar diretamente, mas informarei sobre todas as operações deles. Só falta um integrante, que está ali no carro. Lino, vem cá!

Até aquele momento ninguém tinha percebido aquele rapaz franzino e de óculos no banco de passageiro do carro.

– Esse aqui é Lino. Preso como hacker no início do ano, está fazendo o mesmo tipo de acordo que vocês. Ele será o especialista em sistemas computacionais.

Thaís coloca as mãos na cintura, olha desafiadoramente para o capitão e solta o verbo:

– Tudo bem que esses dois serão libertados, mas o que nós outros ganhamos?

– Parece claro, minha senhora. Além de todo o dinheiro, Willinilton vai poder vender a história aos jornais, ganhar prêmios, mais dinheiro, ficar famoso e respeitável. A senhora vai viver a grande aventura de sua vida, o que parece, se me desculpe a franqueza, que é o que a senhora está procurando. E essa múmia aí não será tratada como uma cobaia de laboratório. Ele não estava nos meus planos, mas vi que é totalmente imune a tiros. Isso vai ser muito útil nos ataques.

– E você precisa ver como ele aparece rápido nos lugares. Respondi com uma risadinha.

Jessé, que não estava achando nada engraçado, cortou a minha fala:

– E se não aceitarmos?

– Você e Lino vão presos agora. Lampião vai para o circo e os outros dois estão livres para viver o resto da vida na mais completa mediocridade.

– E se um de nós for preso ou morto? Insiste Jessé.

– Se forem mortos não posso fazer nada, a não ser que descubram a fonte da juventude aí com a múmia. Se forem presos, ficarão assim até que a operação termine com sucesso.

Eu comecei a ficar preocupado. A aventura valia a pena pela história, mas os riscos eram grandes. Às vezes você não quer fazer uma pergunta com medo da resposta. Mas por alguma razão ela escapa da sua boca:

– E se a operação não for um sucesso? Perguntei.

– Então ficarão presos pelos seus crimes para o resto de suas vidas! Respondeu Piquetão, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

(continua)

7 Comments to “O Segundo Motoqueiro – parte 4”

  1. Denny_Master says:

    Agora vai…
    Jesse, Willinilton, Lampião, Lino e Thais… o quinteto fantástico.

    Essa história promete!!!

  2. JP says:

    Ou seja, se correr o bixo pega se ficar o bixo come!!!!
    Danosse!!!!!!!

  3. magnani says:

    Não percam a próxima e última parte daqui alguns dias.

    Com quem ficará Thaís?
    Será Lampião confiável? Quais os limites dos seus super-poderes advindos do mundo do além?
    Os assaltos vão dar certo?

  4. Denny_Master says:

    Isso vai dar uma mistureba…

    Thais vai pegar até os caras do além… um verdadeiro menage

  5. JP says:

    To falando…
    O Thaís rodada!!!!!!!!

  6. magnani says:

    Pô. A Thaís não fez nada demais além de servir um café-da-manhã para o Jessé e acompanhar o Willinilton na Caverna da Lua. Vocês é que estão imaginando coisas…

  7. JP says:

    Hehehe, levamos tudo na maldade!!!!!!!!!!

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