O Segundo Motoqueiro – parte 5

Sep 17th, 2009 | By | Category: Ficção, Posts

O tal do Jessé era competente para esse negócio de ataques. Mas que cara estressado! Logo de cara já se fez de líder e começou a mandar em todo mundo. Eu não sabia até quando ia aguentar as ordens dele. Mas resolvi ficar na minha por um tempo.

O primeiro ataque seria em um laboratório de refino de drogas no meio da caatinga. Não haveria dinheiro, mas a droga poderia ser vendida, em troca de armas, para os contatos que Piquetão tinha nos passado. Além disso, o capitão forneceu duas pistolas Grendel P30, com capacidade para 30 projeteis .22, dois rifles calibre 12, uma dúzia de granadas de mão e explosivo C-4.

Enquanto eu olhava para as generosas pernas de Thaís, distraído, Jessé explicava o plano. Não prestei muita atenção, mas entendi que o negócio seria fazer o maior barulho o possível. Passamos o dia todo espalhando o explosivo plástico pela estrada próxima do laboratório. Eles não tinham qualquer preocupação com a segurança. Em cima de cada explosivo, colocamos um galão de gasolina.

Com tudo preparado, esperamos a chegada da noite para começar a festança. Lá pelas 11, quando os empregados já tinham ido dormir, mandamos Lampião andando às claras até perto do galpão. Assim que chegou lá, começou a descarregar a 12 nas paredes externas. Os empregados, acordando rapidamente, pegaram suas armas e protegeram-se por trás das paredes, acertando inutilmente em Lampião. Nisso, eu e Nilo começamos a jogar as granadas na parte de trás e lateral oeste do galpão, deixando apenas a lateral leste livre para fugirem. Essa porta era exatamente a que estava com os carros e saía direto para a estrada.

Mal os empregados entraram no carro para pegar a estrada, começamos a disparar os explosivos. A gasolina se incediava toda, iluminando a noite. A fumaça, o barulho, o fogo e as explosões das granadas assustaram os empregados, que achavam que estavam sob bombardeio pesado. Em desespero, largaram os carros e fugiram em disparada para o meio da caatinga.

Entramos rapidamente no galpão, pegamos alguns sacos da droga e corremos para nossas motos escondidas ali por perto.

Senti uma das melhores sensações da minha vida depois do ataque, com o alívio que vem depois do sucesso de uma missão arriscada, com a velocidade da motos saltando pelas trilhas da caatinga e com o vento fresco envolvendo nossos rostos. Foi uma das melhores coisas que senti na minha vida. Como se você pudesse sentir, ao mesmo tempo, um orgasmo, uma liberdade absoluta e o sangue transformado em vida pura, correndo em suas veias. Inesquecível!

Ao chegarmos na fazenda, Thaís nos esperava com sorriso aberto. Até Jessé estava rindo com o sucesso do ataque. Lampião, que mais uma vez tinha vindo amarrado atrás em minha moto, queria fazer uns disparos comemorativos, mas Thaís o convenceu de que chamaria a atenção das fazendas vizinhas. Lino não conseguia parar de tremer e rir de tanta alegria.

No dia seguinte, a nossa felicidade continuou ao lermos as manchetes dos jornais locais:

“Bombardeio aéreo destrói laboratório de drogas no sertão”.

“Briga de traficantes acaba em destruição total”.

“A guerra do fim do mundo”.

Conseguimos toda essa publicidade sem machucar ninguém. A droga foi vendida, trocada parte em dinheiro e parte em mais armas. Desta vez a coisa tinha sido simples. Na próxima não esperaríamos tanta facilidade em enganar uma gangue toda só com barulho. Nos próximos ataques teríamos que usar as armas contra os empregados. Acabara o tempo de brincadeira de meninos. Chegara o momento de batalhas feitas por homens de verdade… e por uma mulher de verdade também.

(continua, algum dia, com as novas aventuras dos Motoqueiros do Sertão). 

2 Comments to “O Segundo Motoqueiro – parte 5”

  1. Denny_Master says:

    Mais uma vez parabéns…

    Tá ficando bom… mas meu amigo, cuide logo em dar continuidade nessa aventura. Quero ver mais explosões com C4 e tiros de P30.

    Abração!!!

  2. magnani says:

    Isso é só uma brincadeira. Tenho muito o que aprender ainda. Descrever melhor os cenários e escrever melhor os diálogos.

    Um problema que senti neste último texto foi a mudança no tom. No começo estava meio engraçado, com a múmia. Mas quando chegou o Jessé, o tom do texto ficou mais sério. Parece que isso é ruim. O tom tem que ser sempre o mesmo.

    Fora a questão de continuidade. Eu já corrigi, mas até a hora em que você leu, eles estavam com duas 22. Depois atiraram com uma 12! hehehe

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