Uma Nova Dama – parte 1

Nov 4th, 2009 | By | Category: Ficção, Posts

Em plena reunião, já cansada de tanta cegueira, Giovana se levanta e dá um soco na mesa. Todos olham surpresos para a investigadora. Após alguns segundos aproveitando o efeito dramático da sua impetuosidade, a bela mulher declama:

 “Não é possível que apenas eu consiga ver uma relação entre o assalto ao banco de Serra dos Albuquerques e o ataque ao laboratório em Catupiba!”

Nisso o delegado regional se levanta calmamente, como se para evitar um confronto desnecessário com a investigadora e explica:

“Mas minha cara Giovana, como pode um assalto ao banco feito por um único homem ter alguma relação com um ataque de um grupo a um laboratório de cocaína?”

A mulher enche as bochechas de ar e expira em um ato de impaciência:

“Isso pode colar para os jornalistas, mas desde quando a polícia tem dois assaltos desse tipo sem nenhum suspeito? E o uso das motos, não é coincidência demais? Além disso, embora no assalto ao banco apenas um homem tenha participado, não é possível sincronizar tudo sem informação interna. Claro que havia mais gente envolvida.”

Agora é o delegado regional – Antonio -, que perde a paciência:

“A senhora está querendo dizer que só porque usaram motos nos dois crimes, então deve ser um único grupo? Então, seguindo o vosso raciocínio, todos os crimes cometidos por homens também são necessariamente relacionados? Nunca vi tanta insanidade!”.

Giovana retorna à postura de respeito ao superior.

“Mas senhor, por favor, me ouça. Nós temos dois casos de ataques sem suspeitos. Os dois casos foram realizados por quadrilhas. Isso nunca aconteceu antes conosco, pois o modus operandi dos crimes sempre aponta para alguma quadrilha já conhecida. Segundo, tudo bem que assaltos a bancos com motocicletas sejam comuns, mas o que me diz de ataques a laboratórios? Terceiro, temos dois ataques completamente diferentes. Concluindo, se me permite, só temos duas alternativas: ou estamos tendo o azar de aparecerem do nada duas quadrilhas completamente diferentes ou então é uma quadrilha só mudando o M.O. só para nos confundir.”

Nisso o delegado levanta a voz e grita:

“A senhora está completamente maluca! Está propondo que existe uma orquestração para nos enganar? E ainda feita por motoqueiros? A senhora está assistindo filmes demais! Ah… por falar em filmes, a senhora terá um bom tempo para assistir filmes, pois está suspensa por 15 dias até recuperar o bom senso”.

“Mas…”

“Sem mas! Fora!”

Giovana saiu chorando de raiva. Mas bastou chegar ao seu carro para – como sempre – decidir qual seria o seu plano de ação:

“Motoqueiros do Sertão, recebam uma nova dama na dança. Caatinga, aqui vou eu!”

(continua)

4 Comments to “Uma Nova Dama – parte 1”

  1. Ricardo says:

    Muito bom Fábio…Vejo um grande dom para escritor. Quem sabe na volta do Atacama teremos um livro hein?

    Um abraço,

    Ricardo

  2. magnani says:

    Legal, Ricardo. É só uma brincadeira. Mas não perca a primeira e segunda parte da história:

    http://blog.fabiomagnani.com/?page_id=1761

    Abraço!

  3. Denny_Master says:

    E vamos que vamos…

    Agora faça o favor de terminar essa história antes de pegar a estrada pro Atacama viu… se não vamos ficar enchendo teu saco… KKKKKKK

    Abração!!!

  4. magnani says:

    Pode deixar que eu acabo…. hehehe

    E na viagem ao Atacama serão longas horas sozinho no capacete e nos quartos de hotel. Acho que volto com muito mais idéias…

    Abraço!

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