Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas – 2013.2

Jul 2nd, 2013 | By | Category: Bicicletismo, Divulgação, Engenharia & Estudos, Motoqueirismo, Outros Textos, Posts

Tenho muito orgulho em anunciar a disciplina “Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas”, que será oferecida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UFPE a partir de 12.08.2013. Já está quase chegando o dia.

A disciplina nasceu de um conjunto de atividades que temos desenvolvido na UFPE desde 2010: Engenharia da Motocicleta (disciplina de graduação oferecida três vezes), Estudos da Bicicleta (disciplina de graduação oferecida uma vez), Estudos da Motocicleta (disciplina de pós-graduação oferecida duas vezes), e orientação de vários trabalhos acadêmicos (desde a graduação até o doutorado) envolvendo dinâmica de motores, dinâmica de veículos em duas rodas, o efeito dos veículos de duas rodas no trânsito urbano, dimensionamento de bicicletas, homologação de motocicletas, e acidentes em vias públicas.

O objetivo dessa disciplina transdisciplinar é apresentar estudos que ajudem na compreensão e na solução dos mais diversos problemas que permeiam o mundo das duas rodas, como: acidentes, desperdício de combustível, congestionamentos, poluição, relações trabalhistas leoninas, oligopólio de fábricas japonesas instaladas no Brasil, importação de produtos chineses de qualidade discutível, preconceito contra motoqueiros/bicicleteiros, e tecnologia atrasada. Mas não há só problemas. Temos também um monte de oportunidades: geração de empregos (e.g., motoboys, entregadores, mecânicos, projetistas e técnicos em logística), criação de uma indústria local (desde a fabricação de bicicletas até a produção de equipamentos de segurança apropriados ao nosso clima, passando pela moda e por eventos de competição), melhoria da mobilidade urbana, crescimento do turismo, e desenvolvimento de novas tecnologias (motos/bicicletas elétricas, inteligentes, leves, baratas, ergonômicas, limpas, eficientes, com GPS, sensoriamento local, e tecnologia de comunicação veículo a veículo).

Pode parecer estranho misturar bicicletas com motocicletas, misturar ciência com cultura, e misturar tecnologia com ciências humanas. Mas o fato é que o foco dessa disciplina não está neste ou naquele objeto material, como também não está nesta ou naquela ferramenta analítica. O nosso interesse está nos problemas e nas oportunidades em torno dos veículos de duas rodas. E para isso acreditamos que seja imprescindível uma visão transdisciplinar.

As bicicletas e as motocicletas têm muitos pontos em comum, como a dinâmica, a história, e a vulnerabilidade no trânsito. Uma grande diferença está na propulsão (motor de combustão interna em um caso e músculos humanos no outro), mas essa divisão está acabando desde que surgiram as motos/bicicletas elétricas. Na realidade, está ficando cada vez mais difícil dizer o que é uma moto e o que é uma bicicleta. Outra grande diferença está na organização política e social dos usuários desses veículos. Por exemplo, os motoqueiros têm uma forte organização sindical quando trabalham como motoboys, mas não são bem representados enquanto commuters (pessoas que se deslocam regularmente de um local para outro, como ida e volta para o trabalho). Já os bicicleteiros têm uma organização complementar à dos motoqueiros, pois são muito bem organizados para defender seus interesses como commuters, mas por outro lado os bicicleteiros profissionais (entregadores) não são defendidos. Essa diferença de organização faz com que os motoqueiros tenham certo poder econômico (podem parar a realização dos serviços), mas por outro lado, sofram grande preconceito, pois não têm uma boa representação na nossa cultura. Já os bicicleteiros são bem vistos pela sociedade, mas não têm como atuar economicamente. Seu poder é cultural e político. Então, ao juntar motocicletas e bicicletas em uma mesma disciplina, podemos aproveitar tanto o que elas têm de comum quanto também propor formas de polinização cruzada, visando o aumento do poder econômico dos bicicleteiros e aumento do poder cultural dos motoqueiros.

Agora, por que alguém da área de ciências sociais/humanas/da saúde/ambientais precisaria conhecer a física e a tecnologia desses veículos? Por que um engenheiro deveria conhecer a história e a cultura dos motoqueiros e dos bicicleteiros? A resposta é simples. É importante conhecer a ciência e a tecnologia para compreender até que ponto a tecnologia atrasada dos veículos atuais é responsável pelos acidentes, pela poluição e pelos congestionamentos. Por outro lado, é interessante que os engenheiros conheçam a cultura dos motoqueiros/bicicleteiros para que possam projetar veículos que satisfaçam aos anseios sociais por segurança, estilo pessoal, economia e mobilidade.

Claro que uma única disciplina não pode resolver todos esses problemas. No entanto, esperamos que “Estudos Sobre as Bicicletas e Motocicletas” sirva para inspirar pensamentos mais amplos e que também sirva como roteiro para futuros estudos, pesquisas e projetos, sejam tecnológicos, de saúde, ambientais, sociais, naturais ou humanos.

Público-Alvo

O nosso programa tem como restrição o segundo artigo: “Para inscrição de candidatos à seleção para cursar disciplinas na condição de Aluno em Disciplina Isolada, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica – PPGEM, exige-se a formação de bacharel em Engenharia ou áreas afins, de Mestre nas áreas do Programa ou áreas afins, de tecnólogo nas áreas do Programa e de Licenciado em Física, Matemática ou Química, realizados em instituições reconhecidas pela CAPES/MEC.”

Mas, no caso dessa disciplina, eu acho que qualquer profissional poderia se matricular. Afinal, não consigo pensar em alguma área do conhecimento que não tenha relação com motocicletas e bicicletas. Vamos a alguns exemplos: engenheiros mecânicos (ciclística e propulsão), engenheiros de trânsito (tráfego), engenheiros civis (estradas), engenheiros eletricistas (eletrônica da moto e motos elétricas), engenheiros químicos (combustíveis), médicos (acidentes), enfermeiros (tratamentos), fisioterapeutas (recuperação), psicólogos (brigas no trânsito), sociólogos (trabalho dos motoboys, políticas de identidade), antropólogos (subculturas urbanas), cientistas da computação (logística de entrega de produtos), assistentes sociais (assistência às famílias dos acidentados), economistas (monopólio das fábricas japonesas, importações chinesas e criação de uma indústria nacional), hoteleiros (viagens de moto e passeios de bicicleta), dentistas (reconstituição dentária de acidentados), engenheiros ambientais (poluição), historiadores (história da tecnologia), jornalistas (como os motoqueiros e bicicleteiros são vistos nos jornais), designers (projeto de motos voltadas para os brasileiros), urbanistas (vias para motos e bicicletas), nutricionistas (necessidades alimentares de quem passa o dia rodando no sol), pedagogos (campanhas de trânsito para escolares), cientistas políticos (atuação política dos sindicatos de motoboys e de organizações civis de ciclistas), advogados (legislação de trânsito) e professores de educação física (motos e bicicletas como esporte). E esses foram só os primeiros exemplos que me vieram à cabeça. Desafio alguém a propor uma área do conhecimento que não tenha relevância para os veículos de duas rodas.

Em resumo, todos profissionais têm competência para acompanhar essa disciplina, mas o nosso regimento não foi pensado para esses casos. Portanto, a análise de profissionais de outras áreas que não a engenharia dependerá de uma avaliação “caso a caso”, para ver se podem ser enquadrados em “áreas afins”. Qualquer dúvida, entre em contato.

Informações Importantes

Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós Graduação em Engenharia Mecânica

Nome Oficial da Disciplina: Tópicos Especiais em Ciências Térmicas (Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas)
Ementa: Tecnologia, História, Ciência, Cultura, Mobilidade Urbana, Indústria e Mercado, Organização Política e Social.
Carga Horária: 45 horas
Horário: segundas-feiras, das 09:00 às 12:00
Professor: Fábio Magnani

Bibliografia Básica:
• Motorcycle – Steven E. Alford and Suzanne Ferriss
• Motorcycle Design and Technology – Gaetano Cocco
• Modern Motorcycle Technology: How Every Part of Your Motorcycle Works – Massimo Clarke
• City Cycling – John Pucher and Ralph Buehler
• Richard’s 21st Century Bicycle Book – Richard Ballantine
• Bicycling Science – David Gordon Wilson
• Motorcycle Accident Cause Factors and Identification of Countermeasures – H.H. Hurt Jr, J.V. Ouellet and D.R. Thom
• MAIDS – In-Depth Investigations of Accidents Involving Powered Two Wheelers

Datas Importantes

08 a 12.07.2013:
Pré-Matrícula (alunos veteranos do PPGEM)

05 a 09.08.2013:
Matrícula no SIG@ (alunos do PPGEM, veteranos e novos)

05 a 09.08.2013:
Solicitação de matrícula de alunos de outros programas de pós-graduação

12.08.2013:
Início das aulas

xx.08.2013:
Matrícula em disciplina isolada (graduados que não estão fazendo pós-graduação) – a data ainda não está definida, mas será logo após o início das aulas.

Requisitos para Estudantes de Outros Programas

Alunos de outros Programas interessados em cursar disciplinas no PPGEM devem, neste período, entregar na secretaria do PPGEM ofício* assinado pelo coordenador do seu PPG de origem solicitando a matrícula na disciplina escolhida. O ofício deve conter nome completo e CPF do aluno e indicar o curso no qual está matriculado (Mestrado ou Doutorado).

Requisitos para Matrícula em Disciplina Isolada

Para inscrição de candidatos à seleção para cursar disciplinas na condição de Aluno em Disciplina Isolada, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica – PPGEM, exige-se a formação de bacharel em Engenharia ou áreas afins, de Mestre nas áreas do Programa ou áreas afins, de tecnólogo nas áreas do Programa e de Licenciado em Física, Matemática ou Química, realizados em instituições reconhecidas pela CAPES/MEC. A análise de profissionais de outras áreas que não a engenharia dependerá de uma avaliação “caso a caso”, para ver se podem ser enquadrados em “áreas afins”.

Documentos para inscrição:

a) Ficha de inscrição preenchida Modelo no Anexo I (Disponível em www.ppgem.ufpe.br);
b) Cópias dos documentos: Carteira de Identidade e CPF, ou de passaporte no caso de candidato estrangeiros;
c) Cópia do histórico escolar do Curso de Graduação;
d) Diploma ou comprovante de conclusão do Curso de Graduação;
e) 01 (uma) foto 3 x 4 colorida e recente;
f) Comprovante de pagamento da taxa no valor de R$ 30,00 (trinta reais) por disciplina, conforme boleto (Anexo II), podendo ser emitido através do endereço eletrônico www.stn.fazenda.gov.br; e
g) Currículo Lattes, com as informações referentes às atividades de Experiência Profissional, Atividades de Pesquisa e produção Acadêmica, conforme item 3.2.

Contato
Dúvidas? escreva uma mensagem.

4 Comments to “Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas – 2013.2”

  1. Lucio Flavio Moreira says:

    Parabéns professor. Fiquei entusiasmado com o seu enfoque transdisciplinar.

  2. magnani says:

    Obrigado, Lúcio. Espero que esse enfoque ajude os estudantes a repensarem os problemas e a criarem novas soluções. Mais ainda, espero humildemente incentivar a formação de outras disciplinas desse tipo por aí. Os problemas são grandes, e as oportunidades também. Por isso é preciso a participação de todos – sem preconceitos, sejam os nascidos das áreas de formação de cada um (e.g., engenharia, medicina ou direito), do nível de formação (e.g., mecânicos de bicicletas ou pós-doutores em fisiologia), da classe social (e.g., trabalhadores ou hobbystas de fim de semana), ou ainda da preferência pessoal por este ou aquele veículo (motos ou bicicletas). A divisão não beneficia ninguém. Quer dizer, ajuda apenas àqueles que não querem mudar nada. Vamos ver o que vai dar. Abraço.

  3. Maurício Béder says:

    Caro Professor – bom dia,

    Sou bacharel em Ciências da Computação pela UFPE e gostaria de saber se eu poderia me matricular neste curso. Sou muito próximo das bicicletas e das motocicletas e interessado por estes dois fabulosos meios de transporte. Se for aceito, gostaria de saber como proceder para efetivação da matrícula e qual o valor do curso.

    Atenciosamente,

    Maurício Béder..

  4. magnani says:

    Oi Maurício, tudo bom? Se você estiver cursando mestrado ou doutorado, é só pedir autorização para o seu coordenador. Agora, se for graduado, mas não estiver fazendo pós no momento, então terá que fazer matrícula em disciplina isolada. Abraço, Fábio Magnani.

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