Viagem ao Atacama – Estamos em casa!
Nesta viagem nos vimos em vários lugares que nos deixavam sem palavras, como que suspensos no tempo. A primeira visão dos Andes, o banho no Pacífico e estar no meio do Atacama, só para dar alguns exemplos. O problema é que sempre – em algum momento – tínhamos que parar a contemplação e seguir a viagem. Se fôssemos mariquinhas, em uma dessas situações teríamos dito: “Que lugar fantástico. Pena que ficamos tão pouco tempo e já tenhamos que ir embora”. Além disso – se fôssemos mariquinhas -, no momento da despedida do local teríamos, talvez, até deixado correr uma lágrima. Mas como somos machos, toda vez que nos víamos na situação de ter que ir embora de um lugar que gostamos muito, dizíamos: “Vamos embora desta bosta!”. Pode não ser algo de classe para ser dito, mas é coisa de macho.
Nos despedimos do Geraldinho em Foz do Iguaçu. De lá, eu e o Wagner seguimos para Curitiba. Como a estrada não tinha muitos atrativos, aproveitamos para retomar o prazer de simplesmente pilotar uma moto. Curvas, ultrapassagens, retões, subidas e descidas.
No sábado de manhã pegamos chuva na estrada. Tínhamos ainda 7 dias para chegar em Recife. Conheceríamos a Rio-Santos, o sul mineiro e pararíamos em alguma praia nordestina. Mas a saudade bateu mais forte. Olhamos um para o outro e falamos quase que em uníssono: “Vamos embora desta bosta!”.
O que se seguiu foi um Iron Butt triplo. 3.100 km em três dias. Com direito a cruzar São Paulo, contornar Curitiba e Belo Horizonte.
Sabem quando uma empresa quer te impressionar e diz algo do tipo: “Se colocássemos juntos todos os caminhões produzidos nos últimos 5 anos no Brasil poderíamos fazer uma fila ininterrupta de Belo Horizonte até Recife”? Bem… alguém resolveu fazer essa tal fila. Ficamos 2 dias inteiros ultrapassando caminhões em alta velocidade. Foi perigoso, acredito, mas para quem estava com saudade de uma boa andada de moto, foi excitante. A injeção constante de adrenalina fazia esquecermos o cansaço.
Para não perdermos tempo em desmontar as motos à noite nesses três dias, chegamos ao mais baixo nível de desleixo. Já havíamos desistido de tomar banho pela manhã há um certo tempo. Mas agora não havia tempo nem mais para trocar de roupa… vão direto para o lixo.
Cheguei em casa agora a pouco. A Renata, Gabriela e Dante estavam à minha espera na sacada. Que mais alguém pode querer?
Nas outras viagens que fiz sempre chegava em casa já pensando na próxima. Mas desta vez é diferente. Quero mais é aproveitar os três. Também quero aproveitar mais a minha moto, fazendo passeios com mais calma. Parando em uma sombra para tomar uma água e prosear com os moradores.
Sobre esta viagem, não pretendo escrever um registro detalhado como das outras vezes. Quero ver se escrevo algo com mais cuidado, com a intenção de entreter, não registrar. Não seria bem um livro ainda, mas um proto-livro. Tenham paciência. Quem estiver com mais pressa, é só me convidar para uma conversa.
Vou pegar o dinheiro que economizei chegando alguns dias antes para comprar uma jaqueta de couro tradicional. Nada mais de Iron Butt ou grandes maratonas turísticas. Pelo menos por um tempo.
Depois de rodar mais de 15.000 km em terras distantes, ter caminhado por desertos, conversado com fantasmas, feito a côrte à morte e amassado a bunda no banco da minha moto, deixo – como Forrest Gump – uma frase que sintetiza à perfeição como me sinto neste momento:
“Estou cansado.”
—–
Post Script
Esse “Estou cansado” foi só uma brincadeira com a cena do Forrest Gump. Aquela em que ele passa 3 anos, 2 meses, 14 dias e 16 horas correndo na estrada. Nesse tempo, uma série de seguidores não desejados começam a correr atrás dele, pensando que ele descobriu o sentido da vida – ou algo assim. Quando ele finalmente pára, os seus seguidores dizem: “Quietos! Quietos! Ele vai dizer alguma coisa!”. Para o qual o Forrest Gump, após uma pausa, só responde: “Eu estou bem cansado… acho que vou para casa agora.”
A brincadeira era só essa. Embora eu tenha gostado muito de toda a viagem, não poderia colocar em palavras o que eu vivi nesses 40 dias. Mas várias pessoas não entenderam a minha brincadeira e ligaram preocupados que eu não tinha gostado da viagem. 
Eu adorei o Atacama! 

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“3.100 km em três dias”
“Já havíamos desistido de tomar banho pela manhã há um certo tempo. Mas agora não havia tempo nem mais para trocar de roupa… ”
Afe! Só de imaginar… argh! Parei! kkk…
Que bom que chegaram são e salvos!
Aguardando a primeira oportunidade de ouvir as historias.
Abs
Eita capiau!
Fotinhas, please!
rs
Fábio,
Ao fim da jornada o sentimento de dever cumprido deve ser muito bom não é mesmo? Já havia comprado a champagne da vitória, o filme de 36 poses para o registro e você chegou sorrateiramente e não disse nada rapaz…você é parada mesmo…rsrsrs.
Um abraço!!!
É isso ai…
Parabéns…
Só não concordo muito com essa história de nos últimos 30 dias da viajem, deixar de tomar banho.
hehehehe
Abração!!!
Seja bem vindo Fábio, chegar são e salvo é a melhor parte. Parabéns pela viagem… quem sabe um dia tomo coragem. Depois quero ouvir as histórias.
T+
Então….estou te convidando pra uma conversa….rsrsrsr
Que bom que chegou bem, mesmo perdendo um pouco do juízo nas ultrapassagens…..
Curta bastante sua família.
bjoooss!!!!!