Uma Nova Dama – parte 6

Feb 8th, 2010 | By | Category: Ficção, Posts

A gangue toda estava reunida naquela madrugada, na frente da casa do coronel Abobrinha: Jessé, Willi, Giovana, Thaís, Lino e Lampião. Tudo seria simples e limpo. Giovana havia ligado para o seu marido, o coronel, e sabia que estava sozinho em casa, bêbado, tentando se recuperar dos golpes das manchetes.

Enquanto os outros se escondiam à beira do muro frontal, Giovana abriu a porta da frente. O coronel estava na porta, sóbrio, armado e acompanhado. “Sua puta! Você achou mesmo que podia reencontrar aquele malandro sem eu saber?” Giovana esperava ouvir pela enésima vez o discurso de homem traído quando, ao invés disso, ouviu o disparo da 12 do marido. Não conseguiu acreditar quando se viu voando para trás, com as vísceras se espalhando por toda a parte. Já estava morta quando caiu ao chão.

“Matem todos!”, gritou o coronel.

O grupo de amigos no muro da casa nem teve tempo de entender o que acontecera com Giovana quando duas granadas foram lançadas sobre eles. Lampião se jogou em cima delas. Até a sua indestrutibilidade tinha um limite. Com a cabeça destruída, o seu corpo permaneceu inerte no chão. Thaís e Lino foram atingidos várias vezes com tiros de pistolas. Não morreriam até chegar ao hospital, mas o sangramento era nojento, horrível e mortal.

Apenas Jessé, com seu treinamento militar, teve a cabeça de se jogar ao chão e rolar para um arbusto. De lá pôde fugir para uma mata ao lado.

Já Willi, transformado em um zumbi pela visão do fim de Giovana, escapou da morte apenas por uma sequencia totalmente improvável de eventos. Primeiro, nenhuma bala o acertara. Depois, ao ficar parado em frente ao muro, esperando a vinda da morte, um estilhaço do muro o acertou nos olhos. Instintivamente, tentou desviar do reboco quando tropeçou e caiu em um pequeno riacho que havia por ali. Só tomou consciência de si mesmo quando já estava a salvo, na companhia de Jessé, dezenas de metros água abaixo, protegidos pela mata fechada.

De lá puderam ver ainda o capitão Piquetão sendo executado, de joelhos, com um tiro na cabeça. Ouviram, ainda, os gritos do coronel Abobrinha:

“Esse capitãozinho de merda entregou vocês! Não aguentou a tortura! Fujam, seus desgraçados, fujam. Estão mortos de qualquer jeito, mas quero me divertir na caçada!”

“E esse foi o triste fim dos Motoqueiros do Sertão”, diriam as manchetes do outro dia.

(Será? Continua, algum dia, com as aventuras de Jessé Jemisson e Willinilton)
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