Bicicletas e Motocicletas 2013

Dec 17th, 2013 | By | Category: Bicicletismo, Divulgação, Editoriais, Engenharia & Estudos, Motoqueirismo, Outros Textos, Posts

Extra! Extra! O Jornal Equilíbrio em Duas Rodas conta como tudo realmente aconteceu em 2013 e adianta as novidades do mundo das duas rodas em 2014.

Manchetes sensacionalistas à parte, é muito bom quando você chega ao final do ano podendo olhar para trás com certo orgulho pelo trabalho que realizou, com satisfação por ter aprendido um pouco mais e, principalmente, entusiasmado pelo que ainda virá. Eu acredito que as coisas de valor que fazemos na vida sempre são fruto do trabalho e da sorte. Quanto ao trabalho, é só uma questão de baixar a cabeça como um burro e puxar a carroça, se bem que fica bem mais fácil quando é algo que você gosta. Já quanto à sorte, acho muito legal poder trabalhar em um lugar onde tenho contato com estudantes e pensadores, total liberdade tanto para seguir uma linha de pesquisa quanto para expressar minhas opiniões, e acesso a trabalhos acadêmicos do mundo todo. Outra sorte é viver em uma região com um monte de bicicletas e motocicletas, que me trazem uma vivência fantástica desse universo. Também tenho a sorte de ter uma boa educação acadêmica e ainda recebo um salário minimamente razoável, que me permite comprar livros, ter uma bicicleta e uma moto para rodar no dia a dia, e manter uma pequena estrutura de publicação digital. Quando sobra dinheiro, eu até compro um pouco de comida, como diria Erasmo de Roterdã. Portanto, dá para ver que tenho muito mais sorte de ter apoio dos outros do que tenho empenho ou competência pessoal. Por isso, me sinto moralmente obrigado, e pessoalmente realizado, por divulgar o pouquíssimo que sei.

Agora, independente de ser sorte ou suor, a verdade é que todo final de ano tenho a mesma vontade de todo mundo, que é pensar no ano velho e sonhar com o ano novo. No meio desse balanço, tive a ideia de fazer um pequeno cronograma dos ESTUDOS EM DUAS RODAS, para ver como andava a sua evolução. O duro é precisar exatamente quando tudo começou. Oficialmente o início foi em 2012, quando ofertamos as primeiras vagas de pós-graduação no tema. Mas talvez o mais próprio fosse considerar 2010, quando eu e o Prof. Ramiro Willmersdorf ministramos pela primeira vez a disciplina ‘Engenharia da Motocicleta’ na UFPE. Ou 2005, quando comecei a estudar as motos e a montar minha biblioteca. Ou 1997, quando começou um período de 10 anos em que eu andei só de ônibus, aproveitando para refletir sobre a mobilidade urbana e a estudar infrutiferamente um pouco de sociologia. Quem sabe 1992, época em que ia de moto às aulas do doutorado. De repente 1987, ano em que comecei o curso de Engenharia Mecânica. Nunca nos esqueçamos de 1982, quando ganhei a Monark Super 10, que me acompanharia pelas ruas e estradas por 10 anos. Por falar em bicicleta, sempre considerei a minha Monareta de 1978 como uma grande companheira de aventuras e de busca de conhecimento. Vai saber, talvez tudo tenha começado com o meu triciclo em 1971.

2013

De qualquer forma, continuando com a tradição do Jornal Equilíbrio em Duas Rodas, que começou a publicar seu balanço de realizações e planos em 2012, vamos dar uma olhada no que aconteceu em 2013. O fato é que cada vez tenho menos tempo para curtir as bicicletas e as motos em passeios e viagens – o que é ruim. Por outro lado, cada vez mais tenho investido nos meus estudos, na publicação das minhas opiniões, e na orientação de estudantes – o que é muito bom. Isso acontece por duas razões. Primeiro porque andar de bicicleta e de moto são atividades que prefiro fazer sozinho – gosto da solitude para pensar, curtir a paisagem, e para analisar o movimento, as pessoas e o tráfego. Só que gosto muito mais de passar meu tempo livre com a minha família, então os passeios sempre ficam para depois. A segunda razão é que tenho um grande orgulho da minha pequena contribuição aos ESTUDOS EM DUAS RODAS. Espero realmente que daqui uns 20 anos eu possa ver vários dos estudantes e dos leitores trabalhando na produção de máquinas e sistemas de trânsito mais eficientes, seguros, inteligentes, práticos, baratos e afins; e participando de equipes multidisciplinares que tratem dos acidentes, poluição, congestionamento, exploração do trabalho, oligopólio das fábricas japonesas, mídia, lazer, legislação, e por aí vai. Mas deixemos só um pouquinho o futuro de lado para registrar o que aconteceu nos últimos meses.

Iniciação científica. O Yuri Caravalho terminou a sua iniciação científica ‘Modelagem Computacional de Motocicletas Visando a Minimização da Emissão de Poluentes’, onde ele desenvolveu um modelo simplificado do motor de uma motocicleta que será usado nas disciplinas de Engenharia da Motocicleta e de Propulsão de Bicicletas e Motocicletas. Não que um modelo simples vá apresentar melhores resultados do que os softwares comerciais, mas é muito importante, para quem está aprendendo, ter contato com a essência dos fenômenos. Outra iniciação científica terminada foi da Maria Isabel Malta, com o ‘Desenvolvimento de um Banco de Dados sobre Poluição e Acidentes de Motocicletas’. Nesse trabalho, a Isabel criou um banco de dados com mais de 400 pesquisadores brasileiros que estudam as motocicletas, além de fazer uma revisão bibliográfica bem legal sobre alguns dos mais importantes estudos sobre as causas dos acidentes envolvendo motocicletas. O terceiro trabalho de iniciação científica, que ainda está rodando, é do Saulo Cunha, com a ‘Seleção dos Componentes e Modelagem do Comportamento de uma Bicicleta Urbana’, no qual ele discute as razões para a escolha de cada componente de uma bicicleta e simula o seu comportamento em várias situações de vento, subida, e aceleração após sinais de trânsito.

Trabalho de conclusão de curso. A primeira defesa oficial foi do Marcos Diego Paes, no TCC ‘Moto Urbana: Processo de Homologação e Patenteamento de uma Nova Motocicleta’ (co-orientado pelo Ramiro), que traz uma discussão bem legal sobre toda a legislação necessária para alguém homologar um novo projeto. Esse assunto é muito importante, pois temos o costume de ensinar só o projeto das máquinas, mas não como oferecê-las no mercado. Mais quatro estudantes começaram o TCC em 2013: Edmilson da Silva Jr. no ‘Estudo da Influência dos Parâmetros dos Motores das Motocicletas no Consumo Global de uma Via de Fluxo Misto’, Arthur Callebe na ‘Otimização da Estratégia de Mudança de Marcha em uma Motocicleta Urbana’, Bruno Martins no ‘Estudo Comparativo do Comportamento das Motocicletas Movidas por Motor de Combustão Interna e por Motor Elétrico’, e o Saulo Cunha no ‘Projeto e Produção de Quadros de Aço Customizados para Bicicletas Urbanas’ (co Ramiro). Espero que todos defendam bons trabalhos em 2014.

Especialização. A segunda defesa, que não foi exatamente sobre motocicletas, mas sobre motores de combustão interna veiculares em geral, foi do Rodrigo de Melo, em um curso de especialização oferecido pela UFPE. Em seu trabalho ‘Emissão de Poluentes em Motores Veiculares: A Legislação Brasileira e a Influência de Parâmetros Operacionais na Produção de Gases Nocivos à Saúde Humana’, o Rodrigo fez a modelagem do processo de combustão em um cilindro, comparando as emissões do motor com as porcentagens máximas permitidas pela legislação trabalhista. Embora seja algo bem inicial, o trabalho sugere que passemos a ver as cidades como uma unidade produtiva, na qual todos os trabalhadores sejam protegidos pela legislação, da mesma forma que são os trabalhadores que ficam enclausurados nas fábricas.

Mestrado. No mestrado, o Paulo D’Avila está quase terminando a sua dissertação ‘Consumo Global de Combustível em uma Via com Fluxo Misto de Automóveis e Motocicletas’ (co Ramiro), onde ele modela três escalas que regem o problema: o motor, o veículo e o tráfego. Afinal, cada uma dessas escalas influencia o que acontece na outra. Por exemplo, a rotação do motor, que é função da velocidade do veículo, depende do tráfego. Já o tráfego, por sua vez, depende da dinâmica dos veículos. E por aí vai. O mais interessante no trabalho dele é estudar como as motos ajudam no aumento do fluxo de pessoas e na diminuição do consumo, mas só até um certo ponto, pois depois começam a atrapalhar. Outro trabalho de mestrado, que começou em 2013, foi da Jaqueline de Godoy, com o ‘Desenvolvimento de uma Metodologia para Avaliação dos Vários Meios de Transporte Urbano’. A ideia é analisar criticamente os vários índices usados em outros trabalhos e propor uma metodologia geral que permita a comparação entre os modos de transporte, considerando o custo, a emissão de poluentes, o risco de acidentes, e o tempo de deslocamento.

Doutorado. Quanto ao doutorado, tivemos o início da tese da Patrícia Campos, no tema “Estudo dos Acidentes Envolvendo Motocicletas sob a Ótica da Engenharia de Segurança”. Assim como no trabalho do Rodrigo, que trouxe alguns elementos da Engenharia de Segurança e da Engenharia Ambiental para compreender os limites da poluição das motocicletas, a Patrícia está tentando mostrar como os princípios da segurança podem ajudar na prevenção de acidentes envolvendo os veículos de duas rodas. Isso é muito importante, porque vivemos sob uma cultura na qual a culpa sempre é colocada no operador da máquina (motoqueiro), nunca nas condições de trabalho, no projeto das máquinas ou no processo produtivo. Já pensou se em todos os acidentes da indústria a culpa fosse colocada apenas no operador da máquina? Nunca seria feito nada para diminuir os acidentes. Embora alguns acadêmicos façam críticas às limitações da Engenharia da Segurança, acho que ela ainda é bem melhor do que as teorias que temos usado para analisar os acidentes de trânsito, que, grosso modo, partem do princípio de que todos os acidentes são causados pela imprudência dos motoqueiros. O que me faz lembrar o cartaz de um dentista: “Não importa como você está escovando os dentes. Está errado”.

Disciplinas da graduação. A disciplina Estudos da Bicicleta foi oferecida na graduação no segundo semestre de 2012, mas, por causa da greve, teve a sua maior parte realizada em 2013. Com uma carga de 30 horas, estudamos história, tecnologia, ciência, cultura e política. Ao final da disciplina, os estudantes apresentaram trabalhos bem interessantes: ‘Uma Introdução à Fibra de Carbono em Bicicletas’ (Yuri Fischer), ‘Campanha do Governo Federal de Distribuição de Bicicletas’ (Rachel Valença), ‘Coroas Ovais para Bicicletas’ (Willygton Vital), ‘Power Meters – Medidores de Potência para Bicicletas’ (Jaderson de Lima) e ‘Projeto Aerodinâmico de Veículo de Propulsão Humana de Alta Velocidade’ (Rodrigo Santos). Contei com a ajuda do Fábio Geber na parte de manutenção e da Profa. Sílvia Moraes na de fisiologia do ciclista.

Pela terceira vez, em 2013, eu e o prof. Ramiro Willmersdorf oferecemos a disciplina Engenharia da Motocicleta na graduação, que cobre história, tecnologia, propulsão, quadro, ciclística e suspensão. O trabalho final dos estudantes (Hugo Correia, Rodrigo Santos, Luis Zamorano e Guilherme Oashi) foi a confecção de uma apostila sobre a ‘Modelagem de um MCI e Obtenção das Suas Curvas de Torque, Potência e Consumo Específico – Generalização do Combustível e Estudo de Casos’, que teve como base o modelo desenvolvido pelo Yuri Carvalho na iniciação científica.

Disciplinas da pós-graduação. A novidade de 2013 foi a oferta da disciplina Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas na pós-graduação, que de certa forma é uma junção amadurecida das disciplinas Engenharia da Motocicleta (grad), Estudos da Motocicleta (pós) e Estudos da Bicicleta (grad). O objetivo dessa disciplina transdisciplinar é apresentar estudos que ajudem na compreensão e na solução dos mais diversos problemas que permeiam o mundo das duas rodas, como: acidentes, desperdício de combustível, congestionamentos, poluição, relações trabalhistas leoninas, oligopólio de fábricas japonesas instaladas no Brasil, importação de produtos chineses de qualidade discutível, preconceito contra motoqueiros/bicicleteiros, e tecnologia atrasada. Mas não há só problemas no mundo das duas rodas. Temos também um monte de oportunidades: geração de empregos (e.g., motoboys, entregadores, mecânicos, projetistas e técnicos em logística), criação de uma indústria local (desde a fabricação de bicicletas até a produção de equipamentos de segurança apropriados ao nosso clima, passando pela moda e por eventos de competição), melhoria da mobilidade urbana, crescimento do turismo, inclusão social, e desenvolvimento de novas tecnologias (motos/bicicletas elétricas, inteligentes, leves, baratas, ergonômicas, limpas, eficientes, com GPS, sensoriamento local, e tecnologia de comunicação veículo a veículo). O desafio é aproveitar as oportunidades sem a ocorrência dos problemas. Como forma de avaliação, os estudantes apresentaram dois ciclos de palestras que envolviam vários aspectos das duas rodas. O mais legal foi a diversidade na formação dos estudantes. Espero que na próxima edição tenhamos maior diversidade ainda, com pessoal da área de saúde e de humanas. Contamos na disciplina com a participação do Prof. Maurílio dos Santos, com ótimas ideias inspiradas pela Engenharia da Segurança e Engenharia de Produção.

[1o Ciclo de Palestras]

Integração do Ciclismo com o Transporte Público – Luciano da Silva (Matemático)
Aventuras Sobre Rodas: Tipos de Motocicleta – Jaqueline de Godoy (Eng. Ambiental)
Desenvolvimento dos Equipamentos de Bicicletas e o Seu Papel em Promover o Ciclismo Como um Modo de Viagem – Amanda Galindo (Eng. Química)
Tipos de Suspensão Traseira para Mountain Bikes – Ulysses de França (Eng. Mecânico)
Um Panorama de Acidentes Com Veículos de Duas Rodas – Patrícia Campos (Eng. Civil)
Projetos Ciclísticos: Collective Bike Shops, Earn-a-Bike e Ciclovia – Mário Rocha (Eng. Eletrônico)
Tecnologia e Materiais Usados em Motocicletas – José Maurício Beder (Cient. Computação)

[2o Ciclo de Palestras]

Bicicletas são uma boa opção em climas quentes e úmidos? – Jaqueline de Godoy (Eng. Ambiental)
Bicicletas são só para jovens e saudáveis? – Maurício Béder (Cient. Computação)
Capacetes funcionam para ciclistas? – Patrícia Campos (Eng. Civil)
Por que as pessoas preferem andar de carro? – Luciano da Silva (Matemático)
Por que alguns jovens se arriscam com motos? – Amanda Galindo (Eng. Química)
Por que é perigoso andar de moto? – Ulysses França (Eng. Mecânico)

Intercâmbio. Ainda não temos cacife acadêmico nessa área de duas rodas para participar de congressos que não sejam da engenharia mecânica. Planejamos essa abertura para outras áreas, principalmente transporte e meio ambiente, após as primeiras defesas de mestrado em 2014. Mesmo assim, às vezes tenho a oportunidade de conversar com quem já está estudando as motos há mais tempo, como no caso do pessoal do Coletivo canal*MOTOBOY. Em 2013 dei um pulo a São Paulo para bater um papo e ver uma exposição dos motoboys no MASP.

Divulgação. O meu principal hobby é escrever no Jornal Equilíbrio em Duas Rodas (JEDR), fundado em 2007. No começo era só um meio de contar os meus passeios de moto, mas com o tempo foi ficando mais sério, tendo até que se separar em vários veículos de comunicação. O JEDR é uma atividade particular, na qual me vejo como um escritor que tenta inspirar as pessoas a olharem para o mundo das duas rodas de outros pontos de vista. Já na Fanpage do Equilíbrio em Duas Rodas, que também é uma atividade privada, me coloco mais como um divulgador do trabalho dos outros – principalmente reportagens, mas também tem artigos acadêmicos, vídeos engraçados e opiniões controversas. O terceiro veículo, esse sim uma atividade profissional, é o website da Rede de Estudos em Duas Rodas, com as atividades que desenvolvemos na UFPE, bibliografias e contatos acadêmicos. Penso que esses três veículos estão de bom tamanho para o nosso presente estágio. Mas pretendo estender bastante isso nos próximos 20 anos, com a publicação de artigos científicos, relatórios técnicos, livros didáticos e trabalhos acadêmicos. Para tanto, precisamos de um maior amadurecimento na nossa linha de pesquisa, que começou oficialmente há pouco mais de um ano.

O Jornal Equilíbrio em Duas Rodas (JEDR) teve um monte de novidades neste ano. Na forma, ganhou uma cara nova, mais parecida com um jornal e menos com um blog. Essa mudança foi feita porque a maior parte dos leitores vem atrás dos textos por causa do assunto, não necessariamente porque são novidades. Por isso preferi facilitar a busca no menu, além de destacar os textos mais importantes. A grande diferença, no entanto, foi no conteúdo. No início do jornal, há sete anos, eu publicava quase que diariamente alguns poucos parágrafos, mas depois foram evoluindo para textos semanais, quinzenais e agora mensais. Por outro lado, os textos foram ficando cada vez maiores, mais profundos e mais embasados. Isso foi possível porque agora posso saciar a minha ânsia por discutir as novidades na Fanpage do Equilíbrio em Duas Rodas, da qual vou falar um pouco abaixo. Voltando aqui ao JEDR, além dos textos opinativos, ele ganhou quatro seções novas: Notícias, com uma seleção quase que diária das notícias mais importantes das duas rodas ao redor do mundo, Economia, que traz uma compilação de dados sobre mercado, produção e vítimas das motos, Estudos, com artigos acadêmicos, teses e relatórios, e Vídeos, que obviamente tem links para filmagens interessantes envolvendo motos e bicicletas.

Uma característica importante do JEDR é que ele é, por bem e por mal, uma ferramenta de divulgação das minhas opiniões e das minhas posições políticas. Muito embora sejam baseadas naquilo que desenvolvo no meu trabalho, elas vão muito além do que o rigor acadêmico permitiria. Escrevo aqui como escritor e cidadão, não como engenheiro e professor universitário. O maior objetivo desse jornal é inspirar as pessoas a pensarem no mundo das duas rodas de uma outra maneira, uma maneira que realmente resolva os problemas e aproveite as oportunidades. O objetivo não é ensinar conteúdos formais específicos. Por outro lado, claro que sempre há alguns assuntos interessantes que publico no JEDR e que depois quero propor aos estudantes e aos colegas pesquisadores. Só que fica meio esquisito misturar um veículo de comunicação pessoal com atividades profissionais. Por tudo isso tivemos a ideia de montar um website institucional na UFPE que contivesse apenas o conteúdo acadêmico, sem as opiniões e os posicionamentos políticos. Sem contar que esse website provavelmente irá se transformar, com o tempo, no repositório dos trabalhos desenvolvidos pelos pesquisadores e estudantes da área. Ainda está bem no começo, mas convido todos a visitarem o website da Rede de Estudos em Duas Rodas.

Agora, se por um lado o JEDR ajudou a criar um website institucional com conteúdo mais acadêmico e formal, por outro lado criou também algo muito mais leve, que é a Fanpage do Equilíbrio em Duas Rodas, onde eu publico as notícias mais curiosas, dou minhas opiniões sem pensar muito no assunto, troco ideias, falo do tempo, divulgo filmes interessantes, imagens engraçadas, falo sobre oportunidades acadêmicas, promovo os textos do JEDR e anuncio artigos científicos recentemente publicados. Certo que há também uma página no instagram e outra no linkedin, mas que acabo não usando tanto quanto gostaria, já que não tenho tido muito tempo para tirar fotos no tráfego ou então para entrar em mais discussões técnicas além daquelas que ocorrem nas disciplinas e nas orientações.

Para terminar, uma história. Em 1869 as bicicletas começavam a ressurgir depois de um esquecimento de 50 anos. Embora fossem colocar o mundo de cabeça para baixo só 20 anos depois, algumas pessoas já acreditavam no seu potencial. Prova disso é essa gravura da Harper’s Weekly, que usou uma bicicleta para representar o ano novo que iria chegar. Neste mesmo espírito, vamos deixar para trás o ano que passou e sonhar com o que vem por aí.

 

2014

Limpeza da pauta. Para começar o ano de 2014 temos que terminar o que estávamos fazendo em 2013, com a defesa do projeto de doutorado da Patricia Campos; defesa da dissertação de mestrado do Paulo D’Avila; deixar quase pronta a dissertação da Jaqueline de Godoy; defesa dos TCCs do Edmilson da Silva Jr., Saulo Cunha, Arthur Callebe e Bruno Martins; e terminar o trabalho de iniciação científica do Saulo Cunha. Aqui não tem conversa.

Depois de terminar o vínhamos fazendo, o plano é manter uma média de quatro estudantes de pós-graduação (mestrado e doutorado) e quatro de TCC, sem contar as eventuais co-orientações com outros professores, principalmente com o Ramiro, que também vem orientando nesta área. Por isso, já está mais do que na hora de pensar nas vagas de reposição.

Além dos temas de pesquisa, vamos oferecer três disciplinas no próximo ano. Essas disciplinas têm como objetivo geral formar profissionais conscientes de certos aspectos do mundo das duas rodas (tecnologia, física, acidentes, poluição, etc.), mesmo que depois trabalhem em outras áreas. Mas é claro que essas disciplinas de formação geral acabam servindo também como uma formação básica para aqueles que resolverem estudar bicicletas ou motocicletas.

Temas de Mestrado e Doutorado (Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UFPE).

  • Estudo Computacional do Tráfego Urbano com Fluxo Misto. (2014.1)
  • Estudo Computacional da Propulsão de Bicicletas e Motocicletas. (2014.1)

Para quem estiver interessado em mestrado e doutorado, estamos oferecendo três vagas agora no primeiro semestre. Em princípio são duas para doutorado e uma para o mestrado, mas, caso as de doutorado não sejam preenchidas, podem ser convertidas. Isso acontece porque cada professor tem um limite de no máximo oito orientandos, somando os dois níveis.

Os dois temas têm como objetivo otimizar as bicicletas e as motos quanto ao tempo de deslocamento, emissão de poluentes, probabilidade de acidentes, custo e consumo de energia/combustível. A diferença é o ponto de partida de cada um. Ambos estudos levam em conta três escalas diferentes: o motor (combustão interna, elétrico ou músculos do ciclista), o veículo (dinâmica, aerodinâmica, perdas, etc.) e o tráfego (relação entre o veículo e a via, e entre os próprios veículos). Como a relação entre as escalas é recursiva, cada uma influenciando a outra, essas precisam ser estudadas de forma conjunta. O primeiro tema proposto dá ênfase ao tráfego (ônibus, carros, motos e bicicletas), mas também levando em conta a dinâmica dos veículos e o sistema de propulsão. Já o segundo tema parte da outra direção, estudando principalmente o sistema de propulsão, mas também levando em conta o seu comportamento em condições específicas de tráfego. Esses trabalhos serão continuações naturais da dissertação do Paulo D’Avila, e poderão ainda assimilar certos conteúdos dos TCCs que vem sendo desenvolvidos. Claro que há outras escalas que poderiam ser consideradas, como a molecular, no estudo da combustão, e a psicossocioeconômica, na explicação das relações entre os condutores e também das escolhas tecnológicas – mas serão deixadas para um momento posterior. A matrícula para o mestrado e doutorado estará aberta de 18 de dezembro de 2013 a 24 de janeiro de 2014. Mais informações sobre a seleção podem ser encontradas na página do PPGEM.

Temas de Trabalho de Conclusão de Curso (Curso de Graduação em Engenharia Mecânica da UFPE)

  • Análise Comparativa dos Veículos de Transporte Urbano (2014.1)
  • Otimização da Propulsão de Motos e Bicicletas (2014.2)

O trabalho de conclusão de curso é realizado em dois semestres. Durante o TCC1, o estudante precisa fazer a revisão bibliográfica, explicitar os objetivos e desenvolver a metodologia do trabalho. No TCC2 a metodologia é implementada, obtendo os resultados. Um dos trabalhos propostos é o desenvolvimento de uma metodologia de cálculo que possibilite a comparação entre os vários modos de transporte usados nas cidades (ônibus, metrô, automóvel, motocicleta, bicicleta e caminhada). Como esse tema já vem sendo desenvolvido na dissertação de mestrado da Jaqueline de Godoy, o TCC será uma continuação. O segundo tema é a otimização do sistema de propulsão dos veículos de duas rodas (parâmetros de projeto, regulagem, relações de marcha, e estratégia de mudança de marchas) visando diminuir o tempo de deslocamento, custo, emissão de poluentes e consumo de energia/combustível. Também será uma continuação, já que atualmente há três TCCs (Edmilson da Silva Jr., Arthur Callebe e Bruno Martins) seguindo nessas linhas.

Disciplinas da Pós-Graduação (Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UFPE)

  • Propulsão de Bicicletas e Motocicletas (2014.1)
  • Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas (2014.2)

A disciplina de Propulsão de Bicicletas e Motocicletas é a grande novidade de 2014, onde expandiremos algumas aulas que eram ministradas na disciplina Engenharia da Motocicleta. Vamos partir da modelagem do motor (MCI, elétrico ou ciclista), acrescentar as resistências (aerodinâmica, rolagem, inércia e gravidade) para ver como é o comportamento do veículo como um todo, e depois colocar vários veículos na mesma via, para estudar como essas três escalas (motor, veículo e tráfego) interagem. Seguem algumas informações:

Ementa. Introdução. História. Acidentes. Consumo Energético. Tecnologia da Propulsão da Bicicleta. Tecnologia da Propulsão da Motocicleta. Ciência da Propulsão. Modelagem da Propulsão. Forças Resistivas. Modelagem do Movimento em Linha Reta. Bicicletas e Motocicletas no Trânsito Urbano. Análise Econômica. Velocidade Efetiva. Pré-matrícula (alunos veteranos PPGEM) – 10 a 19 de fevereiro de 2014. Matrícula no Sig@ – 10 a 14 de março de 2014. INÍCIO DAS AULAS: 17 de março de 2014. Horário: segundas, das 09:00 às 12:00. Carga horária: 45 horas. Prof.: Fábio Magnani

A outra disciplina de 2014 será Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas, que acabou de ser oferecida neste semestre, e sobre a qual falei bastante um pouco acima. Maiores informações no texto de lançamento: Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas.

Disciplina da Graduação (Curso de Graduação em Engenharia Mecânica da UFPE)

  • Engenharia da Motocicleta (2014.1)

Pela quarta vez iremos oferecer a disciplina Engenharia da Motocicleta no curso de graduação em Engenharia Mecânica da UFPE. É uma disciplina eletiva, cujo nome oficial é Tópicos Especiais em Energia I. O programa cobre história, tecnologia, propulsão, quadros, suspensão e ciclística. Como das outras vezes, a disciplina terá dois professores: Fábio Magnani e Ramiro Willmersdorf. Mais informações. ME497 – Tópicos Especiais em Energia I (Engenharia da Motocicleta). Carga horária: 60 horas. Horário: 3as e 5as, das 10:00 às 12:00. Pré-requisitos: Mecanismos e Termodinâmica Aplicada. Engenharia da Motocicleta (2010), Engenharia da Motocicleta (2012), Engenharia da Motocicleta (2013). Matrícula: 21 a 26.03.2014. Início das aulas 31.03.2014. Calendário da Proacad.

 

AO INFINITO… E ALÉM

Não consigo me limitar a sonhar só com o ano que vem. Então, pensando um pouquinho mais no futuro, o plano é manter um fluxo contínuo do que temos realizado ultimamente:

  • oferta de disciplinas na graduação e na pós-graduação, provavelmente Engenharia da Motocicleta (grad), Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas (pós) e Propulsão de Bicicletas e Motocicletas (pós),
  • divulgação no Jornal Equilíbrio em Duas Rodas, na Fanpage do Equilíbrio em Duas Rodas (ou similar) e no website institucional da Rede de Estudos em Duas Rodas, e
  • defesas de TCCs, dissertações de mestrado e teses de doutorado, cada vez com mais parcerias de professores da engenharia mecânica e de outras áreas.

Sendo agora um pouco mais otimista, gostaria que a partir de 2015 tivéssemos também:

  • aprovação de projetos de pesquisa que permitam o pagamento de bolsas aos estudantes, montagem de aparatos experimentais, viagens técnicas, realização de workshops, inscrição em congressos e aquisição de equipamentos para simulação,
  • participação em congressos nas áreas de engenharia mecânica, transporte, saúde pública, meio ambiente, desenvolvimento urbano, politicas públicas, etc. (mas claro que isso depende muito da formação original dos estudantes e das parcerias), e
  • publicação de artigos científicos nas áreas de energia, meio ambiente, economia e transporte.

Olhando mais para a frente ainda – talvez 2034, quando terei respeitáveis e produtivos 64 anos de idade -, gosto de imaginar que, estudantes e professores, conseguiremos:

  • aprovar intercâmbios com outras instituições de pesquisa,
  • estender a linha de pesquisa para outros veículos de transporte individuais, como as cadeiras de roda e outras tecnologias que certamente surgirão,
  • publicar pelo menos um livro acadêmico relevante e de qualidade,
  • participar em outros programas de pós-graduação – claro que continuando na engenharia mecânica,
  • participar em comitês e associações voltadas para as bicicletas, motocicletas e cadeiras de roda,
  • participar de um Fórum Permanente de Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas (de preferência como participantes, não organizadores),
  • ser convidados para ministrar aulas e palestras, bem como escrever artigos de opinião em jornais e revistas,
  • ser convidados como consultores independentes na criação de novas fábricas, produções culturais, matérias jornalísticas, e na discussão de novas legislações, e
  • manter uma boa relação entre todos que trabalharam em parceira ao longo dos anos, inclusive com os leitores que espero venham a se inspirar nas várias publicações.

 

MOMENTO MAGUILA DE AGRADECIMENTOS

No mais, quero agradecer a todos com quem tive o privilégio de trabalhar neste ano na área de ESTUDOS EM DUAS RODAS, que ainda está bem no começo, mas que pode se tornar algo importante no futuro. Afinal, se já seria notável chegarmos em 2034 com uma produção de apenas 20 vezes o que fizemos neste ano, lembremos que o processo criativo não é nada linear, tanto pela curva individual de aprendizado quanto pela disseminação do conhecimento entre um conjunto cada vez maior de indivíduos. Logo, é de se esperar que em 2034 tenhamos uma produção acumulada de aproximadamente 534,7 vezes o realizado em 2013. Seguem os agradecimentos.

Professores Ramiro Willmersdorf pela parceria em todas as atividades, Ricardo Sanguinetti pela aula de materiais na disciplina Engenharia da Motocicleta, Ivan Melo pela visão estratégica, Jacek Michalewicz pelas conversas sobre laboratórios de motocicletas, Maurílio dos Santos pela ajuda na disciplina Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas, Alex Araújo pelas notícias envolvendo bicicletas, Eliezer Muniz pela experiência com os motoboys, Fábio Geber pelas muitas aulas de manutenção de bicicletas, Sílvia Moraes pela aula de fisiologia do ciclista, e Paul Nobre pela aula sobre a importância das políticas sociais na prevenção dos acidentes de motocicleta.

Orientandos da pós-graduação (doutorado, mestrado e especialização) Patrícia Campos, Paulo D’Avila, Jaqueline de Godoy e Rodrigo de Melo.

Orientandos da graduação (IC e TCC) Marcos Diego Paes, Edmilson da Silva Jr., Saulo Cunha, Yuri Carvalho, Maria Isabel Malta, Arthur Callebe e Bruno Martins.

Estudantes na disciplina de pós-graduação (Estudos Sobre Bicicletas e Motocicletas) Luciano da Silva, Jaqueline de Godoy, Patrícia Campos, Amanda Galindo, Ulysses de França, Mário Rocha e José Maurício Beder.

Estudantes nas disciplinas de graduação (Engenharia da Motocicleta e Estudos da Bicicleta) Hugo Correia, Rodrigo Santos, Luis Zamorano, Guilherme Oashi, Yuri Fischer, Rachel Valença, Willygton Vital e Jaderson de Lima. Sem esquecer Joel Gomes, estudante de sociologia que não pôde cursar as disciplinas mas que acabou participando indiretamente com as conversas sobre os motoclubes brasileiros, e Bráulio Sousa, estudante da UNB que passou um mês aqui na UFPE alinhavando o seu TCC.

Claro que provavelmente esqueci de alguém ou de alguma coisa muito importante, como é de praxe nessas situações, principalmente quando o escritor é também secretário, arquivista, revisor, editor, defensor, promotor, cobrador de escanteio, cabeceador e goleiro. Fazendo um último agradecimento, agora antecipado, peço ajuda para divulgar o cartaz abaixo, seja pelas redes sociais, lista de e.mail, ou ainda colando no mural da sua universidade. Valeu.

4 Comments to “Bicicletas e Motocicletas 2013”

  1. JAQUELINE DE GODOY says:

    Professor Fabio,

    parabens pelo trabalho e pela materia. Ficou muito legal..

    abraços,

    feliz 2014

  2. magnani says:

    Oi Jaqueline, obrigado a vocês por participarem deste trabalho. É de todos nós. Abraço e feliz 2014.

  3. Peters says:

    Parabéns Magnani, grandes e significativas realizações e projetos!

  4. magnani says:

    Para todos nós, Peters, para todos nós. Abração e feliz Ano Novo. 8)

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