Por Que Eu Ando de Moto

Jun 12th, 2010 | By | Category: Destaques, Editoriais, Motoqueirismo, Posts, Viagens

Antes de ir ao Atacama eu sempre ouvia duas perguntas. Por que ao Atacama? Por que de moto? Espero que os textos inéditos que formam as Crônicas do Atacama estejam respondendo a contento o porque eu escolhi ir a um deserto ao invés de uma praia cheia de gente, uma montanha famosa ou uma cidade turística. Já a escolha de viajar de moto é um tema sobre o qual eu já vinha publicando vários pequenos textos ao longo do tempo. O que se segue é uma coletânea desorganizada dessas ideias espalhadas ao vento.

Eu decidi que teria uma moto em meados de 2005. Mas teria ainda um ano e meio antes de ter condições de comprar a máquina. Não conhecia ninguém que tivesse moto, então a minha visão do que seria o universo da motocicleta acabou sendo construído a partir das histórias dos autores que li naquela época. O primeiro livro que li foi o “Proficient Motorcycling” de David Hough, que discursava sobre contra-esterço, estatísticas do relatório Hurt e segurança em geral. Logo depois, li o “The Essential Guide to Motorcycle Maintanance” de Mark Zimmerman, um livro que desmonta a moto peça a peça para discutir a sua manutenção. O que me marcou mais foi um traço comum destes dois livros, um de pilotagem e o outro de manutenção, e que provavelmente era até secundário para os autores: os dois falavam que gostavam de lavar a moto no sábado e dar uma voltinha de 400 milhas no domingo pela manhã. E essa foi a imagem que passei a ter: um cara pega a sua moto e sai por aí sem destino. Sem necessariamente parar em lugares bonitos, sem comer, sem nada demais. Só pela estrada. Isso entrou em consonância com a minha experiência juvenil. Desde que tive a minha primeira bicicleta, uma Monareta, andava sempre no máximo possível permitido pelos meus pais. Se deixavam ir até à avenida central, fica perambulando todos os dias até esses limites. Até que um dia, com a minha Monark Super 10, já adolescente, peguei a estrada. Vivia andando pelas cidades da região. Quando mudei para Florianópolis, levei a minha Super 10 para rodar por toda a ilha. Nem me lembro de quantas vezes tive que voltar com o pneu furado para casa: empurrando, de trem, de Kombi… e o engraçado que não me incomodava, eu simplesmente gostava daquilo. Então esse negócio de andar de moto era a mesma coisa que tinha feito minha infância/juventude toda? Legal. Depois desses dois livros, peguei meio que em sequência “One Man Caravan” de Robert Fulton Jr, “Jupiter Travels” de Ted Simon e “Long Way Round” de Ewan McGregor & Charley Boorman. Todos os três sobre viagens de moto ao redor do mundo: 1932, 1973 e 2004. Traço comum? Todos eles eram grandes amadores. Caiam, cometiam erros mecânicos, se perdiam. Então esse negócio de andar de moto era possível para qualquer um? Legal. Depois acabei lendo mais um montão de livros sobre motoqueirismo e essa visão, construída pelos livros, acabou nunca deixando a minha mente. Mesmo com o passar do tempo, com a chegada dos amigos reais, com a compra da moto real; para mim, essa estória toda de andar de moto sempre foi pela mesma razão, que é a que segue. Um carinha qualquer sem habilidade nenhuma acorda pela manhã, liga a sua moto e fica 6-8-10-12 horas em sua moto. Quando volta para casa não tem muito que contar sobre onde parou, o que comeu e o que conheceu. E dentro da sua cabeça só um pensamento: eu daria tudo para estender 1000 vezes esse dia, para acordar todos os dias fazendo exatamente a mesma coisa. Só isso! Não consigo entender o gosto pelas grandes velocidades, não consigo entender o gosto pelos motoencontros, não consigo entender o gosto por visitar pontos turísticos. Não estou criticando quem gosta não! Só não entendo. Entendo apenas o que é tentar atingir a harmonia em cima de uma moto. Só isso!

Quando alguém compara a tecnologia, a potência, o peso, o tamanho e a utilidade de um Uno Mille e de uma XT660, fica abismado como podem custar a mesma coisa. Como pode uma moto mirrada daquela – que só tem o motor e mais nada – custar a mesma coisa que um carro que te protege da chuva, do vento, do sol, de batidas, de assaltos, leva quatro pessoas, transporta compras etc.? Mas, quando outra pessoa vê a sensação de liberdade, a aceleração, o prazer e o estilo, então, ao contrário, fica abismada como um carro tão sem graça pode custar tanto quanto uma maravilha em duas rodas que pode ser a expressão de uma vida. Eu posso ser bobo, mas, por pior que seja do ponto de vista financeiro, eu não consigo achar alto o preço da moto. Quando eu fico imaginando como a minha vida seria sem graça com um carro, acho que a moto custa é pouco!

Pode até ser coisa de maluco, mas eu tenho o costume de conversar com a minha moto durante as viagens. Conversa mesmo, nos dois sentidos! Bem, ouvir a moto acho que é até natural. Todo motoqueiro fica prestando atenção no que a moto está dizendo. Se está com alguma peça batendo, se está com o motor engasgando ou com um ronco diferente. Mas, além de ouvir, eu também falo com ela. Converso sobre o nosso destino do dia, mostro algum lugar bonito no horizonte, conto uma história sem importância e até dou um tapinha no tanque dela depois que conseguimos passar por algum desafio. Dependendo do dia, até faço uma cantoria para ela. Um psicanalista diria que estou fazendo uma projeção (ou seria uma transferência?), que no fundo eu estou falando com o meu eu interior. Um lógico diria que estou sendo irracional, pois a motocicleta não tem sensores de som. Um religioso diria que estou falando com algum deus da ordem, pedindo proteção contra o caos. Talvez o motoqueirismo seja a procura da união da ordem (projeto mecânico) e do caos (a vida com seus riscos e acasos). Não o domínio de um sobre o outro, mas a união mesmo. E eu, que não vejo as quebras como eventos necessariamente ruins e também não tenho nada contra o caos ou a ordem, não teria nada a pedir. Só vou conversando mesmo, como se fosse uma velha amiga…

É claro que andar de moto tem um lado bom e outro ruim. Se fosse só bom, todos andariam; se fosse só ruim, não venderiam nem uma moto sequer. O lado ruim é fácil falar. Todo motoqueiro ouve a lista todos os dias: a moto é perigosa, barulhenta, de baixo poder de revenda, fácil de ser roubada, pouca capacidade de carga, traz consigo o estigma da marginalidade e inevitavelmente suja os seus passageiros. Concordo com tudo. Mas a questão é que as vantagens superam os pontos negativos. O ponto mais fácil de rebater é esse negócio de que você se suja muito quando anda de moto. Ou então, que tem que ficar colocando e tirando a capa toda vez que muda o clima. Andar de moto é como fazer amor: você tem que tirar a roupa para depois colocar de novo, fica todo suado, cansado e sujo. Mas vale a pena!

Mas agora falando sério – bem, eu estava falando sério antes sobre fazer amor -, não tenho a intenção de proselitismo. Sei muito bem que para algumas pessoas não vale a pena andar de moto. Não quero convencer ninguém. Só quero dizer porque eu ando de moto. A razão mais pragmática da moto é a acessibilidade. Você estaciona em qualquer lugar, anda na terra, em buracos e no meio do trânsito. Vai para lugares onde os carros não vão. Vai até pertinho do mar, sobe em montanhas e entra no quintal das pessoas para tomar água. Mas acho que há coisas bem mais importantes que isso. No silêncio do seu capacete, você fica em contato com o seu mundo interior. Sozinho na estrada, tornado irreconhecível pela vestimenta, não há nada a provar para ninguém. Você pode rir sozinho, cantar desafinado, pensar nas mais loucas fantasias ou, acima de tudo, aprender a conviver com você. Lá não há como se proteger de você mesmo usando estímulos externos como a TV, a companhia de outras pessoas ou o trabalho incessante. É você e você, goste do que está vendo ou não!

Paradoxalmente, a moto é o local onde você também tem um contato muito forte com o mundo externo. Mas não o mundo artificial da sociedade, com suas cobranças e expectativas. O piloto tem contato com o vento, os raios solares, a visão do horizonte, o cheiro do mato, o calor do asfalto, com as forças da gravidade e da inércia. Essa experiência direta com o mundo real, junto com o contato com o eu verdadeiro, é que faz com que a experiência de andar de moto seja viciante. O que pode ser perigoso. Andar de moto não deve ser usado para escapar do mundo do dia-a-dia. Andar de moto tem que ser um aprendizado para mudar o mundo. Isso tanto através do autoconhecimento, quanto da visão do mundo real, sem os filtros sociais.

Tem um outro aspecto de andar de moto que me traz certo prazer, mas que às vezes acho ser um pouco doentio. É que andar de moto, arriscando a sua vida, com uma roupa toda diferente, certamente destaca você das outras pessoas. Por bem ou por mal. Você se sente diferente sendo um motoqueiro. Penso que esse sentimento tem que ser muito bem trabalhado. Se você usa essa imagem de motoqueiro para humildemente inspirar as outras pessoas a darem mais valor para o que realmente importa, então tudo bem. Mas se essa imagem é usada para desprezar os outros, amedrontar, afastar, diferenciar ou rebaixar, então tudo vai por água abaixo. Se o motoqueirismo for usado como símbolo da rebeldia, algo vai errado. Se for usado como símbolo da liberdade – liberdade até para não gostar de motos -, então estamos no caminho certo. Rebeldia nem sempre é a mesma coisa que liberdade, embora tente usar essa roupagem. Algumas pessoas – seja no motoqueirismo ou fora dele -, usam a imagem da rebeldia para defender as guerras, o preconceito, o ódio, a discriminação, a imutabilidade da hierarquia social, o seguimento cego às regras, a violência, a ignorância e o crime. São rebeldes extremamente conservadores. Tenhamos cuidado com essa armadilha!

Uma grande diferença entre pilotar uma moto e dirigir um automóvel é o nível de atenção despendido. Para andar de moto seus olhos precisam ficar sempre atentos, vasculhando todos os cantos, antecipando o movimento dos outros. Seu corpo, flexível, precisa estar sempre preparado para as manobras. Já em um carro você pode andar com o corpo relaxado e com uma atenção principal voltada para frente. Essa grande atenção na moto faz com que você canse mais rápido, é certo. Mas por outro lado, como boa parte do pensamento é usado na pilotagem, sua mente tem que se livrar daqueles pensamentos espúrios. Sabe quando você está dirigindo um carro, mas fica pensando nas contas a pagar, na briga com o chefe e com a agenda do dia seguinte? Em cima da moto você não consegue fazer isso. O que resta do seu pensamento vai para coisas realmente importantes: seus sentimentos naquele momento, uma boa lembrança, a observação de uma pessoa interessante na beira da estrada, uma poesia ou uma música. Interessante como a falta de alguma coisa faz você usá-la com mais sabedoria. Sobrando só um pouquinho da sua mente, essa parte é usada para o que realmente importa.

Agora vamos para as questões filosóficas do motoqueirismo. Quem anda de moto tem uma relação muito mais direta com a própria mortalidade. Cada dia, cada vez que você sobe na sua moto, você está dizendo para si mesmo: eu sei que posso morrer, mas também sei que vale a pena viver. Quando você está em sua moto, você aprende pouco a pouco a sempre pensar quando vale – ou não vale – a pena tomar riscos. Não são todos os riscos que valem a pena: costurar no trânsito, bebida, excesso de velocidade, empinar a moto e outras atitudes, algumas vezes são formas de suicídio. Penso que só pessoas desesperadas com a vida têm comportamento tão arriscado. Mas, por outro lado, vale a pena arriscar uma queda para sentir o vento, o sol, as forças da natureza em ação e o contato com o eu verdadeiro. Acho que quem anda de moto consegue mais facilmente tanto aceitar que a morte é inevitável quanto viver plenamente enquanto ela não chega.

Quem anda de moto – embora este argumento valha para qualquer viajante – também tem que ter uma relação muito saudável com a inevitável decadência das coisas e com o acaso. O tempo todo você sabe que sua moto pode quebrar, que pode furar um pneu ou que você pode se perder. Quem fica estressado com isso simplesmente tem que desistir de andar de moto, pois essas coisas acontecem o tempo todo. Mas quando você aceita, então sim a viagem fica muito mais rica. Imprevistos são oportunidades para você aprender mais sobre a mecânica da moto, para usar o seu conhecimento, para conhecer pessoas ou, mais importante ainda, aprender a confiar nelas.

Até agora falei só sobre andar sozinho de moto. Mas andar com outras pessoas também é recompensador. A intimidade com a sua mulher agarrada em você, a confiança mútua necessária para jogarem-se nas curvas, o sentimento de vitória depois de um trecho cansativo, as histórias que vão contar juntos e as sensações durante a viagem, tudo isso fortalece a união. Mas, além disso, andar de moto permite que cada um tenha a sua individualidade em companhia do outro. Cada um tem os seus próprios pensamentos, seus próprios valores, embaixo do capacete. Sem medo de magoar o outro ou de ser censurado. A mente vaga entre a mais completa independência e a mais total união representada pelo contato dos corpos. Assim devem ser as uniões: dois seres completamente independentes, com pensamentos próprios, mas caminhando juntos.

Outro jeito de andar de moto é com um grupo de amigos, cada um em sua moto. Nesses grupos as pessoas não são divididas pelo emprego, educação ou posição social. O único interesse é andar de moto. Isso não significa que todos motoqueiros sejam amigos. Mas permite que você encontre pessoas com os mesmos valores que você, mesmo que em uma situação de vida completamente diferente. Elimina as máscaras.

Infelizmente, embora os motoqueiros não sejam divididos diretamente pelo seu papel social, são pelo tipo e cilindrada de moto. Isso tem uma razão prática, pois motos muito diferentes não conseguem andar juntas. Mas o principal ainda é a distinção econômica. Algumas pessoas usam a desculpa de uma moto com cilindrada diferente para menosprezar os outros. Isso é muito ruim. Espero que com o tempo essa separação vá diminuindo e que o único motivo dos agrupamentos sejam os valores compartilhados.

Da mesma forma que andar sozinho pode ser difícil para quem não consegue ter um contato consigo mesmo, andar em grupo pode ser um grande desafio para quem é muito individualista. Não posso esconder que esse é o meu caso. Quando ando em grupo, muitas vezes me vejo irritado por causa da velocidade e da prisão na escolha do caminho a ser trilhado. Mas também tenho imenso prazer por conviver com novos amigos, conhecer novas visões de mundo e compartilhar minhas alegrias sobre a moto com outras pessoas.

Como eu sempre digo, uma das maiores vantagens do motoqueirismo é a facilidade de encontrar outras pessoas com valores iguais aos seus. Eu nem sempre consigo aproveitar, porque exagero muito a minha individualidade. Mas, assim como uso o motoqueirismo para me conhecer, desbravar os limites entre a vida e a morte, compartilhar momentos importantes com a minha mulher e tocar o mundo real; também estou aprendendo a usar o motoqueirismo para encontrar o balanço entre a minha individualidade e o compartilhamento da vida com os amigos. Como dizem os pensadores, em um processo de transformar o individualismo em individualidade. Sem deixar de fazer o que é importante para você, mas sem abdicar de compartilhar a vida com pessoas que, também, são essenciais.

Por que eu ando de moto? Por várias razões. Porque é mais rápido, porque posso ficar sozinho, porque posso ficar junto, porque é filosófico, é psicológico, é espiritual, prosaico e aventureiro, anônimo e único, porque é clássico e é romântico, é elitista e é popular, é intenso e relaxante, estético, político e musical, porque é moto.

– – –

Apresentação. A Viagem ao Atacama foi realizada em torno de janeiro de 2010. Durante 38 dias, quatro amigos – Fábio, Renata, Wagner e Geraldinho – percorreram cerca de 15.000 km em suas motos. Com saída e chegada em Pernambuco, passaram por grande parte do Brasil e conheceram a Argentina e o Chile. A história toda começa em meados de 2008 – lá no início da preparação -, mas não tem tempo para acabar, pois os reflexos continuam aparecendo a cada dia que passa. Planejamento, amizade, trabalho em time, resolução de conflitos, natureza, estrada, crescimento pessoal, aprendizado e amor pelas motocicletas. A viagem é contada em três grandes séries: Planejamento (textos escritos antes da partida), Diário da Viagem (relatos publicados durante a viagem) e Crônicas do Atacama (pós-escritos, da qual faz parte este texto). Nunca é demais dizer que esta seção não tem fim programado. Se gostar, volte de vez em quando para ver as novidades.

14 Comments to “Por Que Eu Ando de Moto”

  1. Francisco Nestor Alves Serejo says:

    Muito interessante este texto. Ando de moto desde os 14 anos (naquela época podia) – tenho 52 atualmente. Sempre foi minha paixão. Seu uso no dia a dia nas grandes cidades é praticamento impossível, pois moto é liberdade, espaço… velocidade. Fiz duas viagens com minha esposa: São Luis- Ma. – Bonito – Ms e São Luis – Chapada da Diamantina (Ba). Pura emoção, horas a fio so você e o barulho do vento açoitando o seu corpo, numa tentativa inútil de separar vocÊ de sua bela e idômita amante (a moto). Pretendemos ir mais longe…

  2. magnani says:

    Oi Nestor, tudo bom? Legal sua paixão pelas motos e as viagens que você fez também. Agora, quer saber uma coisa de maluco? Hoje em dia gosto mais de rodar na cidade do que na estrada. Acho fantástico fazer parte da revoada de motoqueiros quando o semáforo abre, ou então bater um papo debaixo do viaduto enquanto esperamos a chuva passar. Abraço e volte sempre. Fábio Magnani.

  3. Flávio mansur says:

    Boa noite professor,procurando na web textos que me subsidiassem no meu trabalho de conclusão do curso de geografia,no qual pretendo falar sobre mobilidade urbana(mas não com esse blá blá blá de transporte coletivo como sendo a única solução) e sim,em como a motocicleta pode ser uma solução eficaz e de baixo custo encontrei seus textos e …sem palavras.Também sou motociclista(motoqueiro) apaixonado por motos,e gostaria de parabenizá-lo e dizer que você ganhou mais um leitor e fã.

    Grande abraço.

  4. magnani says:

    Oi Flávio, tudo bom? Obrigado pelos elogios. Legal que você goste de motos, mas não se esqueça que essas porcarias que nos obrigam a andar têm um monte de problemas (acidentes, poluição, desperdício, não pode ser guardada em casa, etc.) e que poderiam ser muito melhores (propulsão elétrica, tecnologia de comunicação entre veículos e integração com o transporte coletivo). O segredo é ser apaixonado por motos, mas ao mesmo tempo ser crítico em relação aos moedores de carne sujos, obesos e beberrões que as fábricas nos oferecem. Quanto terminar, mande o link do seu TCC. Abraço, Fábio Magnani.

  5. Flávio mansur says:

    Bom dia professor .Claro,levo esses aspectos em consideração.Porém tirando a parte da engenharia(por falar nisso onde estão os motores com câmara de combustão em material cerâmico que obtinham ótimos coeficientes de aproveitamento térmico e dispensavam até sistemas de refrigeração que se falavam no fim dos anos 80 ?) o meu objetivo é mostrar como o uso da moto em minha cidade (Campos dos Goytacazes,estado do Rio 500.000 habitantes) pode em curto prazo melhorar a situação de mobilidade urbana,pois,aqui como no resto do país a “coisa ta feia”.e não tem vlt nem brt que dê jeito.Até porque professor,não é só um transporte de qualidade que vai diminuir os carros nas ruas,a coisa é mais complexa é cultural principalmente.Carro é status e com a ascensão social ocorrida nos últimos anos é evidente que essa condição foi exacerbada.Em suma o povo quer andar de carro e a moto pode ser uma nova condição para essa nova classe média que também ascendeu ao mundo do consumo mas não à educação aumentando assim o número de acidentes nas ruas,enfim estamos trabalhando para desenvolver esses conceitos,se o sr puder me ajudar com textos,links e conselhos só tenho a agradecer.

  6. magnani says:

    Oi Flávio, tudo bom? Eu adoro motos, como você pode ver, mas também sou muito crítico em relação à tecnologia delas (a mesma de 129 anos atrás). Precisamos evoluir muito quanto à segurança, praticidade e eficiência. Quanto aos textos, pode pegar o que quiser. Só peço que cite a fonte. Abraço e volte sempre.

  7. André Luiz says:

    Cara, sei que o post já tem um bom tempo, mas eu não poderia “não deixar” um comentário.
    Gostei muito do texto, personifica o sentimento que todo motociclista de verdade tem. Aquela paixão que não se esvai, mesmo sabendo de todos os riscos e inconvenientes da moto. Quando eu dizia para alguém que nem chuva, nem sol, nem frio, enfim, nada relacionado ao tempo tirava meu prazer de pilotar, eu sentia que soava meio que sem credibilidade. Mas apesar de já ter sofrido acidente e tudo o mais, é exatamente assim que me sinto, eu aceito o que vier, em troca do que eu extraio da moto.
    Mais uma vez, parabéns pelo texto.

  8. magnani says:

    Oi André Luiz, tudo bom? Legal que tenha gostado. Mais importante ainda é que você também roda de moto, então sabe que é meio impossível colocar aqueles sentimentos em palavras. De qualquer forma, obrigado pelo elogio. Abraço.

  9. Primeiramente: Excelente texto!

    Arriscaria dizer que parece Robert Pirsig bem traduzido. Adoro essa mistura “suja” entre filosofia e as manifestações do eu no mundo real. Que bela descrição a de fazer amor e a sujeira. Capturou a essência e explicou para quem nunca teve contato mais íntimo com a maquina o quanto é prazeroso e “lógico” andar de moto.

    Se ocorrer de você vir ao rio divulgue no site! Seria um prazer assistir uma palestra ou encontrar em qualquer envento por aqui!

    Abraços e boas viagens =]

  10. magnani says:

    Oi Vinicius, tudo bom? Legal que tenho gostado. E legal que tenha reconhecido esse lado mais filosófico, o que não tem nada a ver com conhecimento ou com formalismos, mas sim com uma humilde curiosidade e fascínio pelo universo. Afinal, como dizem, filósofo é aquele que ama a sabedoria, não aquele que a tem (esse é o sábio). 8)

    Mais legal ainda que comentou, pois parece que o JEDR tem tido cada vez menos leitores. Mas não há nada a ser feito se o que me interessa hoje em dia não interessa a mais quase ninguém. Penso comigo: paciência, gafanhoto, paciência.

    Talvez goste de outros textos, como Motoqueiros em Fuga e 2014 Encontros, nos quais fui ficando cada vez mais arrogante pretencioso pedante filosófico. kkkk

    Se um dia for para o Rio, claro que vou querer contar para todo mundo, provavelmente lá na fanpage. Um abraço e volte sempre.

  11. Olá Fábio, como está?

    Meu nome é Gabriel Martins, tenho 30 anos, sou de São Paulo mas moro em Portugal desde… bom, desde sempre, praticamente. Achei o seu site através da publicação de um amigo algures pelo Facebook sobre este seu texto “Porque Eu Ando de Moto”, inspirador. Acho que todos que sentem de verdade o que é andar de moto, se revêm no seu texto.

    Fiquei particularmente “incrédulo” com a listagem de livros na biblioteca. Acabo de me aperceber que afinal conheço muito poucos livros sobre relatos de viagem. Ted Simon sendo o pilar de todos eles, desconhecia a existência de tão extensa listagem, vou analisar com cuidado para ver os que poderão interessar mais a biblioteca aqui de casa!

    Não sendo um assíduo leitor nem um ávido escritor, estou também escrevendo esta mensagem para partilhar um pequeno projecto meu. Há dois anos e pouco tive a oportunidade de fazer uma viagem de moto entre Portugal e Dakar, no Senegal, ida e volta, sendo que mesmo apesar de ter sido uma viagem organizada por outros e eu fazendo parte dela, vivi cada segundo como se da maior aventura da minha vida se tratasse (e, na verdade, para já até que foi…). Depois do regresso, escrevi algumas linhas, que se transformaram em páginas, e uma coisa somada a outra, peguei nas minhas fotos e nas que a organização me cedeu, e montei um livro. Era para ser uma recordação para mim, para mostrar aos filhos e aos netos um dia, mas acabou ficando minimamente interessante aos meus olhos e bastante apelativo para os amigos, que me convenceram a fazer com que o livro estivesse disponível para compra. Depois de alguma pesquisa lá achei o serviço “Print on Demand” da Amazon, e aqui está:

    http://www.amazon.co.uk/dp/1523975970

    Caso lhe desperte o interesse, pode dar uma olhada neste preview de 50 páginas disponível online (o livro físico tem 282 páginas):

    https://issuu.com/gabrielmartins53/docs/livro_ddc_-_preview

    PS: volto a dizer que não sou nenhum escritor, nem tenho o hábito de escrever, mas esta viagem mexeu tanto comigo que, quando voltei, senti uma vontade imensa de passar as memórias ainda frescas para papel, para não acabar perdendo esses que são os melhores momentos destas viagens, os mais simples. O livro acabou ficando um misto de “diário de bordo” com livro de fotografias.

    Obrigado pelo tempo dispensado, um abraço, e muitas voltas de moto por aí!

  12. magnani says:

    Oi Gabriel, tudo bom? Vou olhar sim. De antemão, te dou os parabéns. Abraço.

  13. Cedenir says:

    Olá, Fabio!
    Encontrei sei site meio por acaso, e fiquei fascinado! Estou lendo desde sexta-feira, praticamente a cada minuto livre que me aparece. É incrível! É de longe o melhor site sobre motoqueirismo que eu já vi!
    Comecei a andar de moto relativamente tarde, aí pelos 29 anos (antes disso NUNCA acelerei uma moto). Hoje, com 34, sou viciado nessa desgraça, me considero motoqueiro mesmo (também tenho aversão a essa coisa de “motociclista x motoqueiro”). Fui “carangueiro” desde os anos 2000 (digo fui porque hoje só pego o carro em casos extremos, quando é realmente inviável fazer a pé, de bici ou de moto) e experimentei coisas com a moto que nunca imaginei que existiam quando eu andava de carro. Lembro da minha primeira viagem com a esposa na garupa (“meros” 250 km até o litoral): outros motoqueiros vindo, do nada, conversar com a gente nas paradas em postos, gente de BMW ou de 250cc como nós, só pra saber como estava o passeio, quando custava uma mochila de tanque igual… frentistas sorrindo de verdade, querendo saber do clima, do como é o lugar de onde eu vinha, avisando que mais a frente tombou uma carreta… crianças fascinadas nos restaurantes (“mãe, olha, dois motoqueiros”), adultos fascinados (“cara, não acredito, você veio até aqui de Fazer 250?”) cara, foram coisas, gestos, atitudes que eu NUNCA presenciei viajando de carro.
    Lembro de quando desliguei o intercomunicador pra descer a Serra do Rio do Rastro em silêncio, com lágrimas nos olhos, e do abraço que eu e minha esposa trocamos no final (sem nem tirar o capacete), de uma sinceridade e de uma honestidade absolutas…
    Em contraste com essa visão quase que mística do “andar de moto” vem a bruta realidade do dia a dia. Quase todo dia ouço notícias de gente que morreu ou se machucou muito, muitas delas em “acidentes” que quando tu vai ver são extremamente estúpidos, previsíveis, evitáveis…
    A cultura da moto no youtube parece focar muito, ultimamente, na questão dos assaltos, perseguições e tal… Outro dia mataram uma mulher, uma médica, num assalto, pra roubar o… carro dela… Isso já não é exclusividade nossa. Aliás, talvez até se rouba mais motos justamente por algum status que ela talvez venha adquirindo ultimamente, que eu ainda não compreendi completamente. Não creio que seja só uma questão de “oferta x demanda” do “mercado” das peças roubadas. Tem mais coisa nisso aí, na cultura de cortar o giro do “hornetão” na frente da balada, do moleque que se expressa empinando, na frente do colégio, aquela CG irreconhecível feita com peças que sobraram de dez motos diferentes, que só deus sabe como (e porque) foram parar debaixo da bunda daquele jovem…
    Enfim, deixemos as realidades “conflitantes” se tocarem e se somarem, que é assim que se produz o caos que faz girar o mundo.
    No começo eu disse que encontrei seu site por acaso. Na verdade eu estava vendo como o Google reagia às minhas buscas utilizando algumas palavras-chave relacionadas ao meu antigo blog (o Terapia do Caos) que eu resolvi retomar recentemente. Coloquei lá “caos”, “terapia”, “moto”, e não sei mais quais palavras, e achei o Equilíbrio em duas rodas no meio do resultado da busca. Ganhei o ano! Eu estava precisando mesmo arejar algumas ideias novas sobre “andar de moto” e você tem abordagens sensacionais, coloca as coisas sob um ponto de vista realmente interessante e cita uma caralhada de livros que eu nem sei qual procurar primeiro.
    Abraço forte. Certeza de que terás mais um leitor assíduo. Se possível tira um segundo e passa lá no meu blog http://macacoescrevedor.blogspot.com.br/ à direita tem uns marcadores, clica em “poemas” (talvez seja o melhor que existe lá, kkkk), se vc curtir quem sabe me segue lá. Seria uma honra.
    Forte abraço!
    Boas estradas!

  14. magnani says:

    Olá Macaco Escrevedor, tudo bom? Bem legal o que você escreveu, misturando as viagens, os frentistas, todos os ‘detalhes’ que formam o motoqueirismo. abraço.

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