Vingadores de Pandora – parte 2

Mar 17th, 2010 | By | Category: Ficção, Posts

Chegando na chácara, Chapadão não falou nada para os dois novatos. Como de costume, tentaria manter o seu poder isolando os dois do restante do grupo. Nunca foi homem de confronto. Jessé – agora conhecido como Bomba no grupo – sabia disso. Era fácil usar essa “esperteza” contra o presidente.

No canto, Bomba e Gloqui – novo apelido de Willi – faziam seus novos planos.

“Precisamos nos capitalizar rápido”, disse Bomba, “mas com esse grupo de amadores está difícil”.

“Você desistiu da idéia de treinar o grupo para um assalto?”

“Tive uma idéia melhor. Vou incentivar os caras para um assalto sem treinamento nenhum. Quem conseguir sair vivo e livre será escolhido. Seleção natural!”

Fazia um tempo que Gloqui queria tocar em um assunto com Bomba, mas depois do ataque frustrado ao coronel Abobrinha, só podiam contar um com outro. Mas chegara a hora da separação, mesmo que temporária.

“Bomba, eu estou precisando ir até a Chapada Diamantina resolver uns problemas pessoais. Acho que fico por lá no máximo uns 30 dias. Você acha que pode aguentar esse pessoal sozinho por um tempo?”

“Tá maluco?”, exaltou-se Bomba. “Eu vou morrer se tiver que depender desse pessoal. Mas o que de pessoal sobrou na sua vida? Você é procurado pela polícia por assassinato, não tem família, não tem posses e sua mulher foi morta. Vai atrás do que? Alguma tranqueira do passado?”

“Mais ou menos. Mas preciso muito ir.”

Bomba acendeu um cigarro e ficou olhando para a serra que corria por trás do sítio. Como sempre tinha uma solução.

“Vamos fazer o seguinte: eu convenço os vingadores a cometerem um assalto lá na Bahia, mas não muito perto da Chapada. Enquanto nós nos escondemos esperando o ataque esfriar, você vai resolver seus problemas. Mas antes você vai participar do golpe, certo?”

“Combinado, meu irmão. Combinado.”

Dois dias depois os 7 motociclistas partiam para a Bahia. Para os 5 diretores seria um batismo de fogo. Nunca tinham praticado grandes ataques. Mas Bomba convenceu bem os caras dizendo que seria muito fácil e que a energia que se sente depois de um assalto é inesquecível. Sem esquecer, é claro, de ficar sempre dizendo que só covardes não fariam aquilo. Chapadão não conseguiu impedir a votação. Esperava, então, minar a coragem dos amigos durante a viagem.

Mas não havia mais volta. Dois dias depois estariam atacando a fazenda Boi Forte, na região norte da Bahia. Uma volta sem glamour, mas era dinheiro fácil. Pelo menos para Bomba e Gloqui. Bem, pelo menos era o que os dois pensavam.

(continua)

Vingadores de Pandora – parte 1

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