Os Vingadores de Pandora – parte 4

May 7th, 2010 | By | Category: Ficção, Posts

Este texto faz parte da história “Os Motoqueiros do Sertão – Episódio 4: Os Vingadores de Pandora“. Para ler toda a história, desde o primeiro episódio, vá para a seção Ficção.

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Logo pela manhã, o grupo desarma o acampamento e segue para a Fazenda Boi Forte. Sem nenhuma cerimônia, Bomba pega a frente do comboio de motos, lugar sempre reservado para o presidente Chapadão. As sete motos fazem bastante barulho, chamando a atenção por todas as pequenas vilas em que passam no caminho. Não querem se esconder, querem é que todos guardem em suas mentes o grande barulho das motos, os cabelos compridos e as roupas de couro. Ninguém vai se lembrar de como os seus rostos eram depois que tirarem o uniforme e a barba.

Chegando na portaria da fazenda, logo se fazem anunciar.

“Digam ao Coronel Gentil que os Vingadores de Pandora chegaram”.

Não dão nem tempo para o porteiro ligar para a central. Rompem o portão adentro e seguem para a agência.

No caminho andam devagar, para dar tempo que todos os seguranças os sigam. Tudo ocorria exatamente como planejado. Ao chegarem na agência, havia centenas de empregados na fila, 5 seguranças curiosos rondando por ali e mais 15 seguranças chegando em caminhonetes.

O Coronel Gentil vem bravo, enrubescido e disparado ao encontro de Bomba.

“O que vocês pensam que estão fazendo aqui?”

Nisso, como que coreografados, os 7 motoqueiros sacam as armas, mostrando-as a todos. Bomba, por sua vez, estende o braço até encostar o cano de sua pistola na testa do Coronel.  Enquanto pressiona a cabeça do velho, Bomba grita suas instruções para que todos ouçam.

“Nós estamos aqui para assaltar a agência. Sou procurado no Brasil por várias mortes. Não tenho nada a perder. Vocês têm 5 minutos para colocar todo o dinheiro no saco ou estouro a cabeça do Coronel. Já!”

Cinco minutos depois todo o dinheiro estava nos sacos. Ninguém reagiu.

Ligaram as motos e dispararam para as mais diversas saídas da fazenda. Bomba e Glóqui, juntos, rumaram para a saída sul. Ao chegarem na porteira, um peão solitário,  que recebera a notícia do assalto pelo celular, desce da caminhonete e  resolve bancar o herói. Dispara 5 tiros em direção aos dois motoqueiros. Quatro projéteis passam pelo meio dos dois, mas o quinto entra na cabeça de Bomba. O motoqueiro cai morto no chão, enquanto sua moto se espalha na estrada de terra.

Glóqui pára a sua moto, puxa a 12 de suas costas e mata o peão. Sem pensar duas vezes, tráz a caminhonete até perto do acidente e coloca o corpo do amigo na caçamba, junto com o dinheiro arrecadado pelos dois. As duas motos ficam largadas na fazenda enquanto a caminhonete dispara pelo sertão da Bahia.

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Pela mais pura sorte, nenhuma blitz parou o carro até chegarem na Chapada Diamantina. Glóqui não sabia o que acontecera com os outros membros do motoclube, se ainda estariam vivos e livres. Mas o que importava agora era chegar o mais rápido possível ao seu destino.

Depois de andar por trilhas escondidas pelo tempo, chegou até o casebre. Bateu palmas até que a mulher saísse na porta. Era uma mulher de meia-idade, com o rosto marcado pelas experiências da vida, mas ainda com um charme irresistível.

“O que o moço procura por essas bandas?”

“Eu procuro a Bruxa Tereza. Preciso que reviva meu amigo estirado aí na caçamba e minha mulher que está em uma cova lá em Pernambuco”.

“E o que faz você pensar que eu posso fazer isso?”

“Eu sei que foi você quem reviveu o Lampião. Mas deixe de conversa, mulher, tenho pressa! Pago o que quiser.”

Tereza fica vermelha de raiva, mas logo abre um sorriso lembrando que a vingança é um prato que se come frio.

“Posso fazer o que deseja. Mas há duas condições. Primeiro, para cada um dos mortos, você deve escolher se prefere que voltem a ter o corpo de quando estavam vivos ou se prefere que tenham a memória de quando andavam por essa terra. Perceba, ou a memória em corpo putrefato – como no caso do Lampião – ou um corpo bonito em uma mente apagada.”

“Quero Lampião e Jessé com memória, Giovana com corpo saudável”

“Ela não vai mais te amar.”, diz tranqüilamente a Bruxa Tereza.

“Estou preparado para isso. E a segunda condição?”, pergunta Willi.

“A segunda condição é que a sua alma será minha!”

(continua)

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