Vingadores de Pandora – parte 6

May 19th, 2010 | By | Category: Ficção, Posts

Este texto faz parte da história “Os Motoqueiros do Sertão – Episódio 4: Os Vingadores de Pandora“. Para ler toda a história, desde o primeiro episódio, vá para a seção Ficção.

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Gloqui teve que tomar duas decisões das quais talvez se arrependesse mais tarde. A primeira foi forçar uma nova eleição para a presidência dos Vingadores de Pandora.  Chapadão continuaria na diretoria, agora como vice-presidente. Não que o velho atrapalhasse tanto assim, pois era fácil desafiá-lo em qualquer reunião do motoclube, mas queria fechar todo o espaço na volta de Bomba. O velho amigo, agora parecia, poderia ser uma ameaça à sua segurança caso estivesse nas rédeas das ações dos Vingadores. A segunda decisão foi contar aos seus amigos do motoclube quem eram na realidade: Willi e Jessé. Era a única maneira de ganhar a confiança para que o ajudassem no assassinato do coronel Abobrinha.

Da outra vez tinha sido mais fácil se aproximarem do coronel, pois tinham informações da polícia, através do capitão Piquetão, e as habilidades de hacker de Lino. Mas agora esses companheiros estavam mortos. Só restara a força física.

Dureza, o sergeant-at-arms do motoclube – responsável pela obediência dos membros -, foi quem deu a idéia.

“Sem nenhuma informação sobre a segurança da casa dele, horários de viagem ou esquema de guarda-costas, nossa única alternativa é um golpe frontal. Esperamos ele sair de casa, perseguimos o carro com as nossas motos e metralhamos o cara.”

Willi coçou a cabeça. Não era hora para ser original, tentava pensar como Jessé.

“Concordo com você, Dureza. Mas acho que o difícil não é matá-lo, mas sim fugirmos. De moto vamos chamar muito a atenção. À pé toda a cidade saberá para onde estamos indo. Não estaremos na caatinga.”

“A gente tem que chamar a atenção do povo para outra coisa”, falou Mestre, o tesoureiro dos Vingadores.

“Boa idéia, Mestre. Mas o que pode chamar mais a atenção do que um carro sendo metralhado? Uma guerra total?”, perguntou Foice.

“Isso mesmo, uma guerra total”, exclamou Kinive, o road captain dos VP.

Willi sorriu para o grupo, sinalizando o OK para começarem a execução. Pela primeira vez o plano havia sido construído pelo grupo. Afinal, parecia que não precisavam tanto de Jessé assim.

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Ficaram 2 dias à espera do coronel Abobrinha. Quando saiu, em seu carro blindado, acompanhado de outro carro escolta, seguiu pela avenida principal, como era o seu costume. Depois de andar 400m, um caminhão colidiu com a sua lateral jogando o carro para um poste. Os motoqueiros cercaram o carro da escolta, apontando as sub-metralhadoras, impedindo que os seguranças saíssem. Um tiro de bazuca destruiu completamente o carro antes que o motorista pudesse pensar se fugiriam ou ficariam para defender o coronel.

A colisão com o poste havia aberto a porta do carro do coronel. Todos estavam grogues, então não houve qualquer resistência quando Willi pegou o velho pelo colarinho, forçando-o a ficar de joelhos no asfalto.

“Isso aqui é pela Giovana, velho burro!”. Atirou de raspão no pescoço do coronel, para vê-lo estrebuchando em uma poça de sangue.

Os 6 motoqueiros ficaram à espera da polícia, pois não havia sentido tentarem fugir com suas motos. Assim que ouviram a sirene, começou a segunda parte do plano. Com um simples apertar de botão, ouviram-se explosões em todas as fachadas da quadra. Nada foi destruído com seriedade, pois os explosivos foram escolhidos pelo barulho, luz e fumaça que poderiam produzir. Como efeito secundário, todos os alarmes contra incêndio e roubo foram ativados, aumentando mais ainda o pânico. O resultado foi um estouro de manada, com todos os ocupantes dos prédios fugindo para a rua, em busca de proteção.

Foi fácil, então, para os motoqueiros deixarem as motos na rua e simplesmente acompanharem a multidão para longe dali.

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Como sempre, no dia seguinte, os jornais estavam cheios de notícias frescas:

“Motoqueiros do Sertão assassinam brutalmente o Coronel Abobrinha.”

“Quem pode nos salvar dos Motoqueiros do Sertão?”

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Os Vingadores de Pandora reuniram-se dois dias depois, na fazenda esconderijo. Não eram mais tão ingênuos depois de assalto ao coronel Gentil e ao brutal assassinato do coronel Abobrinha. Roubar de inocentes e assassinar outro ser humano, por mais merecedor que seja, não são atos que passem em branco na cabeça de alguém. De agora em diante, todos do motoclube estariam comprometidos com aquele estilo de vida. A sua amizade estava selada, por enquanto, mas quais deles suportariam conviver muito tempo com aqueles crimes em suas memórias? Só o tempo diria.

Para os Vingadores de Pandora, a morte do coronel Abobrinha tinha sido uma vingança. Para o público, uma retaliação pela tentativa fracassada de alguns meses antes. Para Jessé, Giovana e Lampião – mesmo que não tivessem consciência -, tinha sido um sinal de esperança.

Apenas a Bruxa Tereza sabia que aquilo, na realidade, tinha sido a chave para a abertura dos portões do inferno!

(continua, em breve, com as novas aventuras dos Motoqueiros do Sertão)

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