Vingadores de Pandora – parte 5

May 12th, 2010 | By | Category: Ficção, Posts

Este texto faz parte da história “Os Motoqueiros do Sertão – Episódio 4: Os Vingadores de Pandora“. Para ler toda a história, desde o primeiro episódio, vá para a seção Ficção.

———–

De volta a Pernambuco, foi fácil para Willi – digo, Gloqui – encontrar o esconderijo dos Vingadores de Pandora. Para eles tudo tinha dado certo. Fugiram com todo o dinheiro, conseguiram recuperar as motos e, segundo o comandante Feijó, lá de Miracaia do Norte, nenhum deles havia sido reconhecido. Claro que sabiam serem os Vingadores, mas o motoclube como um todo tinha mais de 100 integrantes, divididos em 5 filiais. Impossível persegui-los judicialmente. Mas a polícia ficaria de olho.

Gloqui criou a história de como ele e Bomba tinham sido atacados na saída da fazenda, mas sem nenhum maior incidente a não ser a perda das motos e um tiro de raspão em Bomba. Aliás, por isso Bomba não tinha voltado ainda com ele.

Fizeram uma grande festa para comemorar que todos estavam bem, livres e ricos. Muita bebida, mulheres da redondeza e muito rock´n´roll. No meio da noitada, Chapadão se aproxima de Gloqui.

“Meu amigo, que bom que está de volta. Parece que tudo correu como vocês planejaram, não é?”

“Melhor ainda que o planejado. E você, como se sente como o presidente de um verdadeiro motoclube fora-da-lei?”

O velho Chapadão abriu um sorriso de orgulho, mas logo cerrou novamente a feição.

“Não posso dizer que não tenha sido excitante participar do assalto, mas esse negócio de roubar de gente trabalhadeira não deixa a gente dormir direito à noite.”

Glóqui se lembrou de quanto havia pensado nisso na viagem de volta. Todos os assaltos até ali tinham sido para roubar de traficantes e políticos corruptos. Mas os dois últimos golpes – a tentativa de assassinar o Coronel Abobrinha e o assalto à Fazenda Boi Forte -, foram um pouco além da conta. Em que ponto dessa história toda Jessé e Giovana convenceram Gloqui a ser um criminoso de verdade? Mais ainda, eles tinham realmente feito uma trama para envolvê-lo ou tinha sido sua própria escolha? O certo é que, fosse o que fosse, tinha que concordar com o velho Chapadão, pois não vinha dormindo bem ultimamente. Mas havia assuntos mais urgentes para serem resolvidos.

“Chapadão, preciso da ajuda dos Vingadores para um assunto particular. Sei que não é prudente sairmos pelo mundo logo agora, mas é coisa urgente.”

“Pode pedir o que quiser, meu irmão.”

“Não faça perguntas, mas preciso ir até Recife, invadir o cemitério dos bacanas e recuperar o cadáver da minha mulher.”

—-

No caminho para Recife, o ronco das 6 motos dos Vingadores de Pandora fizeram o coração de Gloqui bater mais forte. Esses homens, considerados apenas marionetes nos planos de Bomba, estavam fazendo de tudo para ajudá-lo. Mais ainda, eles tinham saído vivos do assalto, enquanto o grande Bomba estava com a cabeça estourada lá na Chapada Diamantina, na casa da Bruxa Tereza. Onde estava a real amizade?

O grupo foi parado várias vezes na estrada, mas a polícia não podia fazer nada além de assediá-los. Chegando em Recife, deixaram as motos e os uniformes na sede do motoclube. Não era momento de chamar mais a atenção da polícia. Ficaram em um bar próximo ao cemitério até chegar à meia-noite. Havia apenas dois seguranças, que foram facilmente dominados. Entraram no cemitério com marretas para arrebentar a porta da tumba.

Nos 4 meses desde a morte de Giovana, ninguém havia estado por ali. O coronel Abobrinha deu-lhe um enterro bonito, para manter as aparências, mas não tinha saudade nenhuma da mulher. Por ele, ela ficaria eternamente no inferno, sozinha.

Os Vingadores levaram o caixão lacrado até a caminhonete e seguiram para o motoclube. O plano era simples, Gloqui iria dirigir a caminhonete com as motocicletas por perto. Qualquer blitz iria parar os Vingadores, não dando a mínima importância para o veículo velho que escondia o caixão.

Depois de 18 horas de viagem, com várias paradas pela polícia, chegaram até a casa da Bruxa Tereza. Os diretores do motoclube ficaram do lado de fora, enquanto Glóqui foi falar com a mulher.

“Aqui está o corpo de Giovana e a minha alma, como você pediu.”

A Bruxa Tereza deu um sorriso.

“Então está tudo certo. Não precisamos do corpo de Jessé ou do Lampião, pois irão voltar no estado que estão agora, decompostos. Só falta mais uma coisa agora.”

“Mais detalhes ainda? Não era só isso que precisava para revivê-los?”

A Bruxa Tereza levantou-se da cadeira, olhou intensamente dentro dos olhos de Willi e decretou.

“Olho por olho, dente por dente, se você quiser os seus amigos de volta, terá que matar quem os matou.”.

(continua)

Leave a Comment

This blog is kept spam free by WP-SpamFree.