
Algumas horas depois de postar um texto sobre a Vincati, recebi um comentário de Matthew Biberman. De alguma forma, o autor do livro tinha descoberto o meu post. O que é interessante, pois eu escrevi em português e ele é americano.
Em um primeiro momento achei que ele tinha escrito para reclamar sobre direitos de imagem ou algo do gênero. Mas não, ele estava só pedindo o meu e.mail para mandar algumas fotos novas. Claro que é brincadeira esse lance de direitos, pois apenas nobreza poderia vir de alguém que é escritor, mecânico, piloto e doutor em Shakespeare .
Trocamos vários e.mails, nos quais ele falava sobre a nova moto que construíram, a Overtime Tina. Quando eu disse para ele que não podia imaginar exatamente o resultado da união das motos, ele recomendou esse vídeo do Jay Leno´s Garage. Agora sim pude ver como a moto ficou linda. E o som do motor parece música. Como diz o apresentador, a Vincati é a união do antigo (a moto Ducati dos anos 70) com o realmente antigo (o motor da Vincent, dos anos 50). Só que o resultado da união é uma moto com comportamento moderno, provando que as Vincents não estão mais por aí apenas por alguma questão de mercado, nunca por falta de competência técnica.
Só para falar um pouco de históra, as Vincents Series C (Rapide, Black Shadow e Black Lightning) foram produzidas entre 1948 e 1955. Eram vendidas como as motos “de linha” mais rápidas do mundo, podendo alcançar os 200 km/h.
Vincent
As Ducati 750GT foram lançadas na Itália em 1971. A partir de 1973, a 750 Desmo foi a primeira moto de produção com três discos de freio (dois dianteiros e um traseiro). Projetada por Fabio Taglioni, a 750 GT foi a moto de entrada da Ducati no reino das superbikes.

Ducati GT 750
Para ter uma idéia de como a Vincati é bonita, olhe na foto abaixo como o motor da Vincent preenche melhor o espaço do quadro da Ducati. Realmente, parece que foram feitos um para o outro. O casamento é fantástico. Isso sem falar da pintura escolhida pelo pai e filho (a cor não deveria privilegiar nem as Vincent nem as Ducati). Mas o ponto forte mesmo foi o ajuste do motor, feito por Big Sid. Segundo Leno, só um mestre para fazer um motor que rodou mais de 50 anos parecer que acabou de sair da linha de montagem.
Vincati
No e.mail, Matthew mandou dois diagramas explicando como cortar o quadro da Ducati para encaixar o motor da Vincent. Esse foi um dos pontos mais delicados. Não poderia haver erro. O problema foi quando o quadro voltou da soldagem final. Com o aquecimento houve uma pequena deformação que não deixava mais o motor encaixar. Mas com calma eles conseguiram descobrir como ajustar os dois novamente.

Para quem quiser saber um pouco mais sobre as Vincent, recomendo um texto da coletânea “Leanings”, de Peter Egan. No texto “To Ride a Vincent”, de 1998, o autor fala sobre a experiência de andar naquela moto histórica. Egan chega até a detalhar toda a liturgia para dar a partida na máquina.

Ducati GT 1000
Em homenagem às Ducati GT 750, recentemente a empresa lançou a GT 1000. Se eu ganhasse na loteria, essa seria a minha primeira encomenda, ao lado da BMW R1200GS Adventure.
Mas, voltando à Vincati, o duro é que, depois de ler tanto sobre o assunto, acabei ficando saudoso de uma moto que provavelmente nunca verei…

Mas, pensando um pouco melhor, a verdade é que só de olhar a cara de realização e companheirismo de Big Sid e Matthew, posando pertinho de Polly, penso que é possível de alguma forma aproveitar também um pouco desse grande feito. Foram 5 anos para construir peça-a-peça, dia-a-dia, a moto e uma nova relação entre pai e filho. Saudação aos dois, que aparecem na próxima foto, na oficina, montando a próxima Vincent: Lola!



Fábio,
por favor, será que existe algum post de sua autoria cujo conteúdo relaciona-se com motos BMW?
É que eu gostaria de re-publicar em parte “linkando” ao seu blog.
Muito obrigado,
Guilherme.
Oi Guilherme. Acho que eu não tenho nada sobre BMW´s. Só alguns textos que escrevo de vez em quando dizendo que assim que ganhar na loteria vou comprar uma BMW R 1200 GS Adventure para dar a volta ao mundo… hehehe
Talvez você se interesse pelos textos http://blog.fabiomagnani.com/?p=1048 e http://blog.fabiomagnani.com/?page_id=3874, onde comento a grande influência que o pessoal do “Long Way Round” (que usavam BMW´s) e o Ted Symon (que em sua segunda viagem em torno do mundo também usou uma BMW) tiveram sobre a minha quase adoração por andar de moto.
Abraço!