O segundo texto que a Moto Adventure publicou em maio foi baseado no livro “Riding Man”, de Mark Gardiner, que fala sobre o Isle of Man TT, a maior corrida de motos do mundo.

Maior porque é a mais antiga, maior porque é a mais perigosa, maior porque é a mais longa, maior porque é a que tem mais curvas e maior porque sua história foi escrita por gigantes. A pista de rua percorre por boa parte do país de 80 mil habitantes: montanhas, campos e cidades. Os pilotos passam a um triz dos muros, desviam das placas, fogem dos bueiros e quase encostam o joelho na sarjeta. Tudo isso enquanto os moradores e turistas assistem bem de pertinho, das casas, dos barrancos e dos restaurantes à beira do percurso. A velocidade média dos pilotos mais corajosos é maior do que 200 km/h.

O livro é muito legal porque o autor era um semi-profissional quando participou da competição em 2002. Por isso ele descreve a corrida do ponto de vista de “uma pessoa comum”, com todos os medos e alegrias. Ele chegou na ilha alguns meses antes da corrida para poder treinar. Passou esse tempo decorando as curvas enquanto andava de bicicleta, conhecendo os moradores tradicionais e devorando a biblioteca local, que era cheia de histórias de triunfo e morte.

Revista Moto Adventure #126

Bastidores

Algumas colunas que eu escrevo são baseadas em dados, como o texto que eu escrevi sobre os heróis americanos do Grand Prix. Em outras eu misturo informações do livro com algumas histórias pessoais, como no caso do texto sobre o Ted Simon. No caso dessa coluna, não foi nem uma coisa nem outra. Por um lado, quase não falei nada de pessoal, a não ser que gostava de livros. Mas nas entrelinhas acho que dá para perceber que eu me identifiquei muito com a história: pela idade do cara, que é parecida com a minha, pela coragem de fazer algo de que se gosta mesmo que você não seja muito bom naquilo e pelo respeito à qualidade, ao fazer o melhor que se pode, nos treinos, na corrida e na escrita do livro.

Por falar em qualidade do livro, esse aqui é um pouco diferente. Isso porque, em geral, os livros de aventura são escrito por aventureiros, não por escritores. Então nem sempre a leitura é das melhores. Mas aqui o autor é um profissional da escrita. Dá para ver que ele se dedicou tanto à aventura quanto à escrita do livro.

Tenho outros livros que falam do Isle of Man TT, mas não usei quase nada, pelo menos conscientemente. Um deles é uma crônica do Peter Egan, chamada “Old Stone, Green Trees, & Speed”, que eu li na coletânea “Leanings: The Best of Peter Egan from Cycle World Magazine”. O texto original foi publicado em 1982. Outro livro é “The Magic of the TT: Centenary Edition”, de Mac McDiarmid, que conta os 100 anos da competição.

Written by magnani

6 Comments

Víviann

Muito bom…gostei do trecho “pela coragem de fazer algo de que se gosta”…quando eu for na capital vou comprar as revistas pra ler na íntegra seus textos!

magnani

Oi Viviann, você só esqueceu da última parte: “mesmo que você não seja bom naquilo”… hehehe. Pena que não tenha a revista por aí. Abraço, Fábio.

Víviann

Fazer o q se gosta já é difícil hj em dia, às vezes outras coisas atropelam nosso gosto, mas priorizar esse gosto mesmo q vá contra as regras sociais e padrões d sobrevivência…rsrs.. sem dúvida nenhuma é muita coragem…”mesmo que vc não seja bom naquilo”..com certeza! Abç!

magnani

Andar de moto é contra os padrões da sobrevivência? Bem… pensando bem é, né? Abraço.

Víviann

Rsrs…pensando bem, equilíbrio em duas rodas é um pouco, aliás, é muito perigoso né não? rsrs…mas é uma pena mesmo q aqui não vendam revistas, município pequeno (15.000hab.), mas nas minhas andanças pela capital eu vou conseguir.Abç.

magnani

Legal. Depois que você der uma olhada volte aqui para dizer o que achou. Abraço.

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