Preparação ao Atacama

13.10.2009
Do Sertão ao Desertão – Viagem ao Atacama
Janeiro de 2010

Total: 16.630 km, 42 dias.
30 dias com deslocamento de mais de 250 km, média de 540 km/dia
03 dias com deslocamento de menos de 250 km, média de 147 km/dia
09 dias parados

Logo desenvolvido por Paulo Walraven

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Histórico

Os anos de 2007 e 2008 foram dedicados a aprender andar de moto, realizar um monte de passeios, fazer amigos no mundo do motociclismo e duas viagens maiores: A Grande Viagem e a Viagem ao Sertão. Decidimos que 2009 seria um pouco diferente. Eu e a Renata iríamos comprar uma moto maior e fazer um herdeiro. Seria o meu segundo filho, mas o primeiro da Renata. Para compensar o ano mais calmo de 2009, em 2010 faríamos uma viagem maior.

Inicialmente eu pensava em fazer uma grande viagem pelo Brasil, subindo até o Pará,  depois rumando sudoeste até o Mato Grosso, descendo para o Chuí e finalmente voltando a Pernambuco. Excluindo o norte, teria andado quase todo o Brasil em uma viagem de cerca de 13.000 km. Em 2012, então, dependendo de companhia, moto e habilidade, iria para o Caribe, via Transamazônica e Humaitá-Manaus, fechando o Brasil em outra viagem de 13.000 km.

Não pensava em sair do Brasil porque fico sempre pensando no que fazer no caso de uma grande quebra se estiver viajando sozinho. Talvez um dia dar uma volta na América do Sul, em 23.000 km, mas isso é só um sonho, pois precisaria de muito tempo disponível.

Mas em uma conversa com amigos no MSN, em agosto de 2008, onde eu dizia que faria essa viagem de 13.000 km no início de 2010, desenvolvemos a idéia de ir ao Atacama.

Para mim isso foi fantástico, pois é a região que mais me atrai na América do Sul. Não sei porque essa fixação por regiões secas. Tenho até temor de andar de moto na areia. Mas por alguma razão eu gosto. Aqui no nordeste, ao contrário de ficar andando pelas praias, normalmente viajo pelo sertão. Gosto do clima, do visual calmo, das cidadezinhas e das pessoas. Talvez seja pelos livros e filmes da minha juventude, talvez seja pelo mítico Dakar. Não sei dizer. Mas é tão nítida, clara e forte essa minha atração pelo deserto que nem preciso me justificar. É para lá que quero ir e pronto. Sei que grandes viajantes mundias, como Ted Simon e a trupe do Mondo Enduro, escreveram que o lugar é muito chato e sem atrativos. Mas quero ir mesmo assim.

Em geral as pessoas dizem que foram para o Atacama quando vão para San Pedro de Atacama. SPA é uma cidade histórica, com a maior concentração de belezas naturais do Atacama. Vamos para lá também, mas o Atacama é muito maior que isso. Rodaremos cerca de 3.000 km em 12 dias, conhecendo vulcões, cidades fantasma, portos abandonados, formações rochosas e o que mais aparecer.

Um pouco depois da decisão de irmos ao Atacama, divulgamos a idéia da viagem. Faltavam 14 meses. Muitas pessoas entraram e saíram do projeto. Alguns ainda estão com meio pé dentro, meio pé fora. Acredito que a viagem será realizada com 2 ou 3 motos. Número perfeito para andar na estrada. Essas idas e vindas de membros do grupo é completamente natural e esperada, já que o período da viagem vai ser grande, o custo alto e principalmente o tempo de espera suficiente para provocar muitas mudanças na vida de cada um.

Planejamento

Em setembro de 2008 já tínhamos um grupo, eu tinha esquematizado como separar parte do meu salário, 13os e férias para a viagem, teria férias acumuladas em janeiro de 2010 e um destino certo. Agora seriam 14 meses de preparação.

Os últimos meses de 2008 foram usados na tentativa de consolidar o grupo inicial. Foram bons passeios, trocas de e.mails, sugestões de roteiro, criação de logotipo e encontros. Foi um época muito legal, com muita energia e criatividade. O objetivo final dessa etapa não foi alcançado, pois quase todos acabaram saindo do grupo, mas a energia dispendida por cada um acabou alavancando a idéia da viagem na cabeça dos restantes. Além disso, algumas decisões de consenso já foram tomadas:

  • Não viajar à noite,  a não ser que seja incontornável.
  • Sair o mais cedo o possível, chegar ao destino um pouco após o almoço para aproveitar bem os locais, descansar e realizar tarefas de manutenção e comunicação.
  • Dois tipos de tocada: rally (quando o objetivo for chegar a um destino) e expedição (quando o caminho for o importante)

Na foto abaixo, eu e o Wagner em Redonda, já nos preparando para a Viagem ao Atacama.

Em janeiro de 2009, em que só fizemos uma pequena viagem de carro para Maragogi-AL, eu comecei a detalhar o estudo. Além dos muitos livros de motociclismo que sempre leio (relatos, mecânica, crônicas, etc), organizei uma pequena biblioteca para essa viagem. Alguns desses livros eu já tinha, outros fui encomendando pouco a pouco.

Em primeiro lugar os guias e mapas para a viagem, sobre o Chile, Argentina e Brasil. O guia da Lonely Planet sobre o Chile é muito bom, pois faz um resumo da história do país, sua geografia e cultura. Como é escrito para mochileiros, fala sobre vários passeios parecidos com o que pretendemos fazer. É uma linha editorial muito diferente do Guia Quatro Rodas do Brasil, que dá mais ênfase a grandes hotéis em cidades próximas ao litoral.

Queria melhorar um pouco também na escrita e publicação dos relatos, então dediquei parte do tempo para a leitura de alguns livros sobre como escrever relatos de viagem, como escrever blogs e como configurar páginas da internet. Ainda estou começando, mas acho que o blog.fabiomagnani.com já é um primeiro passo nessa direção. Procuro manter algumas informações sobre isso na página sobre internet.

Com a gravidez da Renata, que teve que parar de pintar temporariamente, começamos a pensar em um outro hobby. Apareceu então a fotografia, que seria tanto uma atividade para ela durante a gravidez quanto algo que melhoraria os nossos registros de viagem. Também há uma página de fotografia em que tento falar um pouco mais sobre o assunto. Um outro hobby interessante que apareceu durante os primeiros meses de 2009 foi a programação de GPS.

Comecei a ler alguns livros sobre o Atacama e a vida no deserto. Um dos mais interessantes foi o “Desert Memories”, do escritor Ariel Dorfman, que conta a história do Atacama e passa uma visão do ambiente atual. Outros livros interessantes são sobre a viagem que Che Guevara fez por lá. Tenho o livro dele e um bem mais recente de um jornalista que refez a viagem de moto. O diário de Charles Darwin ao Chile também está na lista, mas parece que ele não ficou muito estimulado pelo Atacama. Há também o “Desert Solitaire”, sobre um tempo passado em um deserto nos EUA. Não poderia de deixar de separar também os livros de/sobre Lawrence da Arabia, “Seven Pillars of Wisdom” e “A Prince of Our Disorder”.

Li  dois livros sobre o Atacama, O Fantasista – de Hernan Rivera Letelier – e Desert Memories: Journeys Through the Chilean North – de Ariel Dorfman. Embora os dois tenham sido escritos por chilenos, não li nenhum em espanhol. O primeiro foi em uma tradução para o português e o segundo em inglês. Bem, na empolgação para a viagem comprei também A Casa dos Espíritos – de Isabel Allende – e O Carteiro e o Poeta – de Antonio Skarmeta. Os dois em tradução para o português. Tratam-se de dois dos filmes mais maçantes que já assisti em toda a minha vida. Então, assim que passou a empolgação, resolvi arriscar a viagem ao Atacama sem estudá-los mesmo. Acho que vou sobreviver! Brincadeira, né? Devem ser ótimos, mas não tive tempo para lê-los antes da viagem.

Comprei ainda seis livros em espanhol. Los Detectives Salvajes – de Roberto Bolano -, Deshoras – de Julio Cortazar – , Mi País Inventado– de Isabel Allende, La Carta Esferica – de Arturo Perez-Reverte -, Historias Marginales – de Luis Sepulveda- e Cuentos Fantásticos – de Leopoldo Lugones. O primeiro é um livro meio cabeça e meio de aventura que vi na Amazon.com. Vamos ver se tenho paciência de ler com toda a ansiedade da viagem. O segundo é do Cortazar, um velho conhecido que adoro. O terceiro tinha visto comentado no Lonely Planet, e prova que não tenho nada contra a Allende.  O Perez-Reverte pelo menos já conheço de traduções para o português. Gostei. Esse Luis Sepulveda, ainda segundo o Lonely Planet, é legal. Poderia ter comprado uns contos do Borges,  mas já os li duas vezes com bastante profundidade, então achei que seria meio cansativo ler de novo agora. Em seu lugar, comprei o livro do Lugones, que segundo Borges é o pai de todos eles. O que faltou mesmo foi um do Roberto Ampuero, que parece ser bem dinâmico e leve, mas não consegui encontrar nenhum para comprar no Brasil com tão pouco tempo. Vamos ver se leio alguns antes da viagem e levo outros para ler no caminho. Claro que comprei um mini-dicionário para levar na viagem: Dicionario Larousse Mini – Espanhol/Portugues – Portugues/Espanhol. Já que estava na Cultura, acabei comprando também um outro livrinho de frases, mais moderno: Spanish: Lonely Planet Phrasebook – de Marta Lopez.

Acabei pedindo também um livro sobre emergência médica em lugares isolados,  “Where There is No Doctor”, e outro de sobrevivência “SAS Survival Handbook”. Mas são só para dar uma folheada, já que essas coisas se aprendem só na prática mesmo. Comprei ainda um material para estudar espanhol. Não tenho grandes pretensões, mas não custa treinar um pouco os ouvidos e criar um pequeno vocabulário.

No final de janeiro já tinha o roteiro todo detalhado, com os principais caminhos e atrações, que deverá ser usado como referência para a viagem real. Obviamente não vamos cumprir aquilo do jeito que está, mas é coisa realista.

Em fevereiro comprei a tão sonhada XT660. Preferi comprar uma 2006 usada, 8.300 km rodados. Com a diferença para uma nova pude investir em equipamentosvestimenta acessórios, os quais comprei de março a maio.

Em fevereiro tivemos uma grande notícia. O Geraldinho, de Patos de Minas-MG, disse que queria ir com a gente para o Atacama. O grupo aceitou prontamente. No início o Geraldinho ia com a Falcon, mas logo depois mandou uma grande notícia: tinha comprado uma V-Strom 650.

No final de semana de 15.08.2009, fomos convidados para um stand em Santa Cruz do Capibaribe-PE. Fomos só eu e o Wagner porque o Geraldinho mora um pouco longe. Foram só bons momentos. Em primeiro lugar, havia 100 dias que eu não pegava estrada de moto. Isso porque tinha prometido para a Renata que ficaria mais tempo em casa nos primeiros meses depois do nascimento do nosso filho. A última viagem tinha sido para a Pedra da Boca-PB, no feriadão do primeiro de maio.

Outro ponto alto foi a cidade de Santa Cruz do Capibaribe-PE, que fica a 200 km de Recife. O principal fator da minha admiração pela cidade foi o orgulho que todos os moradores expressam por morar ali. Santa Cruz, junto com Toritama-PE e Caruaru-PE, forma um grande polo de confecção, que exporta roupas de qualidade para todo o país.

Será que podia ser melhor? Pegar a estrada, ir para uma cidade com pessoas felizes e ter a experiência dos motoencontros. Sim, claro que podia. Ficamos 40 horas falando da Viagem ao Atacama.

Tínhamos objetivos bem claros no nosso stand: motivar novos motociclistas, mostrando que até iniciantes como nós podem pegar a estrada, testar um espaço para a discussão de viagens nos motoencontros e divulgar o meu site. Como motivação, apresentamos viagens antigas que fizemos nos últimos dois anos, mostrando atrações do nosso país: Vale do Catimbau-PE, Parque Nacional das Sete Cidades-PI, Chapada Diamantina-BA, Serra da Capivara-PI, Serra da Canastra-MG, Nascente e Foz do Rio São Francisco, além de muitas outras. Levei também uma cópia do livro “A Grande Viagem” para mostrar um dos resultados de nossas viagens.

De forma a fomentar a discussão de viagens, levamos todo o material sobre a Viagem ao Atacama que está no site. O material era discutido com o uso de banners, pastas, mapas, guias e livros. Mas o que valia mesmo era a conversa. Distribuimos adesivos e check-lists para viagens.

Conhecemos muita gente especial. Vários motociclistas que já tinham ido ao Atacama, um casal que pretende ir ao Chile no ano que vem e até um ciclista – de lá mesmo de Santa Cruz – que já tinha andado por toda a América do Sul. Vimos vários acessórios legais, como um tubo de PVC porta-câmara e um lubrificador manual de correntes. Outra sugestão foi de entrarmos por Uruguaina, ao invés de Foz do Iguaçu.

Fomos convidados a participar de uma entrevista que talvez vá para a televisão na próxima semana. Ficamos muito orgulhosos com as pessoas que pediam para tirar fotos conosco. O difícil era só ser chamado de tio: “Tio, você pode tirar uma foto com a gente?”. É a idade chegando…

No meio das conversas, conseguimos consolidar o nosso real interesse por patrocínio. É claro que não vamos recusar ajuda de custo. Mas o foco seria em ajuda para produção e divulgação do material da viagem: vídeo, livro e site. Achamos que temos diferenciais em nossa viagem: um ponto de vista de iniciantes, boa pesquisa prévia dos lugares a serem visitados, planejamento e registro da viagem. Nada de grandes pilotagens como no Rally dos Sertões. Mas por outro lado uma visão amadora, bem próxima aos consumidores de várias marcas e serviços. Nossa viagem, acreditamos, pode ser vendida não como um sonho impossível, mas como um sonho acessível a qualquer um que queira.

Em setembro de 2009 as coisas já estavam bem adiantadas. Já compramos todas as passagens aéreas para a Renata, Gabriela, Dante e Babá. Chegaram os pneus Mitas E07 (50% on / 50% off). Vou testar durante esses quatro meses restantes e pretendo usá-los até Osvaldo Cruz. Isso deve dar uma quilometragem de uns 10.000 km. Em Osvaldo Cruz vou colocar pneus novos. Mas se serão Mitas ou não vai depender da durabililidade deles, conforto e segurança no asfalto. Quando chegar mais perto, vou encomendar os pneus e mandar entregar em Osvaldo Cruz. Esses atuais, que espero ainda estejam bons, voltam por PAC. Vou fazer isso porque não quero chegar no Atacama com pneus já com 14.000 km. Em setembro chegou também o descanso bi-lateral, que será muito útil para trocar pneus e lubrificar a corrente. O macaco universal não me passou muita segurança.  Aproveitei a chegada dos pneus e do descanso para eu mesmo fazer as trocas, treinando para um eventual reparo na estrada. Tive apoio do pessoal da oficina Multimotos. Os cursos de mecânica continuam razoáveis. Os professores são bons, mas o curso de mecânica tem muitos alunos para apenas uma moto e o de injeção poucas aulas práticas. Mas valem a pena. Já tirei uma nova identidade, renovei a carteira de motorista e fiz uma internacional. Finalmente, em setembro comecei a estudar espanhol: um curso básico comprado na banca que você pratica 15 minutos por dia, durante 12 semanas.

Continuando a preparação, no  final de semana de 26/09 fomos dar mais uma volta de moto pelo estado da Paraíba. Foram cinco motos, todas do auto-intitulado grupo dos PEBAS. Para mim era uma volta a passeios antigos, para os outros o primeiro encontro. Andamos quase 1.000 km em dois dias, uns 70 km de terra e dois picos impressionantes: Pico do Jabre-PB e Pedra do Tendo-PB. Muito embora o nome do nosso grupo possa parecer esquisito, nasceu de uma brincadeira com as siglas de Pernambuco e Paraíba. Nos conhecemos pela internet há cerca de dois anos, marcamos um almoço em Taquaritinga do Norte-PE, fizemos amizade, nossas mulheres se conheceram e de lá para cá fizemos uma porção de passeios de moto. Uma pena que não possam ir todos para o Atacama. Mas, de certa forma, é como se nós, que vamos, fossemos os representantes dos Pebas. Digo isso porque todos participam intensamente da preparação, com contatos, dicas, treinamentos e passeios. Dá para sentir o envolvimento de todos quando paramos em algum lugar e alguém pergunta quem somos. Dizem, então, que somos um grupo de amigos motociclistas e que, por acaso, aqueles dois ali estão indo para o Atacama. Neste último passeio, por exemplo, queríamos andar um pouco pela terra para acostumar. Por mais irônico que possa parecer, os que vão para o Atacama são os que ficam mais tensos ao pegar um areião. Os outros, que pilotam moto há mais tempo, vão dando dicas e fazendo brincadeiras para relaxar.

O Denny, de Campina Grande, até conseguiu uma entrevista na TV para falarmos sobre a viagem:

 

No final de semana, aproveitei para testar mais um pouco os equipamentos de segurança: bota e protetores (pescoço, coluna, perna e braço). Não incomodam quase nada. Esquentam um pouco, mas a sensação de segurança que trazem compensa o pequeno desconforto. De resto, só um pouco de cansaço da viagem. Embora nos preparemos fisicamente o ano todo, alguns movimentos são específicos da pilotagem. Só andando de moto mesmo é que vão se acostumando ao esforço.

Andamos em vários tipos de terreno. Grandes retas de asfalto, serras com curvas fechadas, uma grande descida de terra pela serra entre Maturéia-PB e Mãe D´Água-PB e um trecho noturno por uma estrada de terra cheia de desníveis entre Mãe D´água e São José do Bonfim-PB. Para ficar completo, só faltou um pouco mais de areia. Talvez dê tempo para fazer um curso de pilotagem na areia até o final do ano. Sinto que posso melhorar bastante.  A questão é nitidamente psicológica. Acredito que se andar um pouco com uma moto um pouco mais leve pegarei logo a confiança necessária.

Eu não me preocupo nem um pouco por não ter grande experiência na areia. Peguemos a história de Ted Simon, por exemplo. Para quem não o conhece, é considerado o maior rider de todos os tempos. Não por ser exímio piloto, mas apenas por ter a coragem de rodar pelo mundo, sem medo e sem preconceitos. Aos 40 anos, no início da década de 70, viajou durante 4 anos pelo mundo. Aos 70 anos de idade, fez outra viagem, agora de 3 anos. Mas voltando à questão da areia, Ted Simon, embora tenha andado muito de moto, nunca perdeu completamente o receio de andar nesse tipo de terreno. Principalmente com motos altas e pesadas. Quando estava no Egito, uma equipe da TV foi filmá-lo. Obviamente, queriam que andasse de moto por algum lugar com areia, característico da região. Ted Simon ficou todo tenso e envergonhado, porque não conseguia andar sem tirar os dois pés do chão. Bem, todos sabem que para andar de moto é preciso acelerar. Quanto mais rápido se anda, mais a moto fica estável. Mas para isso é preciso ter confiança de que você não vai cair. Ted Simon sabia disso. E sabia que todos sabiam. Que vergonha estava passando dentro do capacete. Mas daí, sabe do que lembrou? Da capa do livro de Robert Edison Fulton Jr. Esse tal de Fulton Jr. foi o primeiro cara a dar a volta ao mundo em uma moto, na década de 30. Na capa do seu livro, há uma foto dele andando no meio do deserto. Ele está equilibrado na moto, flutuando  sobre a areia? Está confiando de que não vai cair? Está respeitando as dicas dos maiores especialistas? Não. Ele está com os dois pés plantados na areia! Ted Simon e Fulton Jr. não são grandes especialistas. São simplesmente caras que deram a volta ao mundo de moto. Eu também não sou nenhum especialista em andar na areia. Mas sou o cara que vai para o Atacama. Devagar, se precisar, mas sempre em frente.

Todos os Pebas irão conosco para o Atacama – em pensamento, pela internet e celular. Sabemos que estarão na base para ajudar com a procura de informações – onde achar peças, por exemplo -, e principalmente para nos animar nos momentos mais difíceis. Felizmente, não vamos viajar sozinhos.

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Logo no início do dia, demos uma entrevista para uma rede de TV de Campina Grande-PB. O Denny arranjou tudo durante duas semanas. Gravaram nossas respostas e alguns trechos com as motos em movimento. Cada um falou um pouco, sobre os Pebas e a viagem ao Atacama.

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Mesmo tendo atrasado um pouco o nosso cronograma por causa das gravações da TV e um problema mecânico em uma das motos, ainda chegamos ao Pico do Jabre com dia claro.  Quando combinamos o passeio, queríamos descobrir se havia um jeito de descer do Pico do Jabre por uma estrada de terra. Chegando por lá todo mundo conhece a estrada, tendo até placas sinalizadoras. O dia já estava chegando ao final. Nossa viagem ao pé da serra foi acompanhada o tempo todo pelo sol.

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Uma foto de cima da Pedra do Tendo-PB. Fábio, Denny, Wagner, JP e Bacanex.

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Fizemos várias tomadas em vídeo próximo a essa curva. De cima, de baixo, de lado e de todo jeito mais que foi possível. Vamos ver se dá para aproveitar alguma coisa.

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No final de semana 03/10/2009 a Renata voltou a andar de moto na estrada. Ela tinha parado por causa da gravidez. Demos uma voltinha de 150 km até Gravatá. Testamos vários equipamentos de segurança para ela, o novo banco tipo sela e a dirigibilidade com garupa. Tudo perfeito. A XT660 é bem melhor que a Falcon para andar com a garupa. Tanto a maior potência quanto a melhor ciclística dão muito mais segurança.

Queremos fazer dois testes garupados antes da viagem. O primeiro de um dia, com percurso de 500 km e o segundo de 900 km em dois dias. Será mais ou menos a rotina durante os 12 dias que ela passará com a gente na viagem. Não decidimos o lugar ainda, mas Boqueirão e o litoral do Rio Grande do Norte são bons candidatos. Renata, seja bem-vinda oficialmente à troupe do Atacama!

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10/11/2009

A moto já está toda equipada.

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Em 15.11.2009 fomos até a Pedra da Boca para testar mais alguns equipamentos. Muito legal rever os amigos e fazer uma escalada em um paredão de 50m.

 

 

Durante a viagem notamos que as rodas estavam empenadas. Na volta, levei a moto para desempenar/balancear as rodas e lubrificar os cabos. Também já compramos quase todos os sobressalentes da viagem.

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22.11.2009

 

Fizemos, eu e a Renata, mais um passeio até o Açude do Boqueirão. O percurso todo foi de 480 km. Mais ou menos o que vamos andar por dia na viagem ao Atacama. Fomos em um ritmo um pouco mais lento, aproveitando bem para conhecer os locais e tirar fotos. Isso por duas razões: a Renata precisava se acostumar de novo às viagens de moto e porque a viagem ao Atacama será nesse ritmo mesmo. Não há sentido em sair disparado todo o dia, não conhecer nada e depois ficar parado em uma cidade qualquer. Queremos viajar, não chegar a um lugar específico.

 

Na semana que vem vamos fazer uma viagem um pouco maior, agora em dois dias, com 450km por dia. Isso é um terço do que a Renata vai fazer na viagem para o Chile. Se sair tudo bem, então será um ótimo sinal

 

 

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28-29.11.2009 – São Miguel do Gostoso-RN

25 dias para a partida ao Atacama. Como penúltimo treino antes da viagem, eu e a Renata fomos até São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte. Impossível ler o nome dessa cidade no mapa sem ficar curioso para conhecer, não é? O duro é que o lugar faz jus ao nome: é gostoso mesmo. A região é cheia de pequenas cidadezinhas, com direito a crianças soltas pelas ruas, cachorros se coçando na terra da estrada e velhinhos sorridentes que ficam na varanda vendo o mundo passar. A união perfeita entre o mar e o interior. O lugar fica bem na esquina nordeste do Brasil, onde o mar deixa de nos banhar ao leste e passa a ficar no norte. Aqui, para quem está na praia, até o sol muda o lugar de nascer e adormecer. Outra curiosidade da região é que aqui começa a BR101, que andará 4.542 km antes de chegar ao seu final lá no sul. Também, aqui fica o Farol do Calcanhar, o mais alto do Brasil, com 62 metros de altura.

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Resolvemos pegar dois extremos de tipos de estrada nessa viagem. Na ida escolhemos o movimento. A BR101 é praticamente um canteiro de obras entre Recife e Natal. Muito movimento de carros e caminhões o dia todo, não adiantando sair bem cedinho. Ficamos um bom tempo para cruzar Natal. Em alguns trechos, com sol a pino, chegamos a parar em oito sinaleiros em um trecho de menos de 1 km. O cúmulo da sincronização. Os últimos 100 km entre Natal e São Miguel são o contrário. Uma estrada deserta, com bom asfalto e no meio das dunas. Apenas o vento forte e constante impede desenvolver uma média muito alta de velocidade.

Já na volta, no domingo, escolhemos as estradas secundárias. 500 km quase sem movimento, mas muitas curvas fechadas, serras e buracos.

Combinando o passeio da semana passada para o Açude do Boqueirão-PB com esse de agora para São Miguel do Gostoso-RN, andamos 1400 km em dupla– 470 km por dia. Isso nos deixa muito tranqüilos, pois é praticamente a metade do que faremos na Viagem ao Atacama no trecho em que formos os dois. Outra coisa interessante é que, entre Osvaldo Cruz-SP e Valpararaíso-CH, não esperamos pegar nem o grande trânsito/obras da BR101, nem as estradas truncadas/esburacadas do sertão, a não ser – é claro – a subida dos Andes.

A média desta viagem foi de 60 km/h, incluindo todas as paradas para tomar café, cruzar cidades, encher o tanque ou descansar do grande calor que fazia. Em geral faço média de 75 km/h em passeios curtos. Acho que o ritmo foi exatamente o que vamos fazer em algumas partes da Viagem ao Atacama, pois uma coisa é passar um dia andando de moto, outra coisa completamente diferente é passar 40 dias. Vamos parar para descansar, conhecer as pessoas, tirar fotos e trocar impressões. De nada vale correr a manhã toda para depois ficarmos trancados em um hotel. Estamos saindo em viagem para aproveitar a moto, não esqueçamos. Muitas vezes eu me esqueço disso, transformando os passeios em grandes maratonas. Quero ver se na viagem me lembro o tempo todo disso: o importante é curtir o caminho, não o destino. Que as paradas sejam vistas por todos – mas principalmente por mim! – como momentos importantes e não como empecilhos.

Nós havíamos nos programado para parar a cada 150 km, mas não conseguimos cumprir nem na ida nem na volta. Na ida paramos a cada 200 km porque na estrada em duplicação não havia lanchonetes ou postos. Se tivéssemos a companhia de outras motos poderíamos ter parado em qualquer lugar, mas não nos sentimos à vontade sozinhos. Já na volta foi o contrário. O calor e a estrada travada com várias serras esburacadas nos cansaram bastante no meio do dia, nos forçando a fazer uma das paradas com apenas 100 km percorridos. Mas depois de jogar água na cabeça, estirar as pernas e conversar um pouco, nos animamos novamente, continuando a viagem sem problemas.

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A Renata “se portou” muito bem ficando dois dias inteiros longe do bebê. Que bom que ela sabe – ao mesmo tempo – ser atenciosa com ele, mas também reservar um espaço para o casal e para a sua individualidade. Isso, acredito, será muito importante quando o bebê estiver crescendo porque provavelmente ela saberá mesclar perfeitamente a atenção com a liberdade que ele precisar.

Tudo na maior tranquilidade com a moto e os acessórios. Foi a primeira vez que usei os alforjes nesta moto, mas a fixação com elásticos e fios de cobre os deixaram bem firmes. Gasto cerca de 5 minutos para prendê-los no início do dia, mas vale a pena. Desta vez também consegui prender bem a base da bolsa de tanque, que não ficou sambando. O tanque vazou um pouco a gasolina pela boca. Pode ter sido o respiro impedido pela bolsa de tanque, mas provavelmente foi porque coloquei muita gasolina. A bala clava não aprovou porque embaça muito os óculos. Os 50 CV da XT660 têm que ser bem administrados nas regiões serranas quando se anda carregado de bagagem e garupa. O consumo sobe, a velocidade média cai e o cansaço aumenta. Mas para quem, como eu e a Renata, já fez várias viagens com uma moto de 30 CV, essas pequenas dificuldades são o paraíso na terra.
 

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Deixando um pouco de lado a estrada, aproveitamos muito a tarde do sábado em São Miguel do Gostoso-RN. Conhecemos algumas de suas atrações, conversamos com o pessoal, descansamos na rede, descobrimos comida de qualidade, tiramos fotos, admiramos a lua, acompanhamos o caminhar do sol, nos banhamos no mar e deixamos nossos passos marcados na areia.

Claro que esse texto deveria ter sido muito mais sobre Gostoso do que sobre a viagem, mas com a iminência da Viagem ao Atacama, é impossível mudar o foco.
 

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A moto está, neste momento, na revisão final para a Viagem ao Atacama. Vamos trocar as pastilhas de freio, cabo do acelerador, corrente, kit de tração, óleo de motor/freio/bengala, fluido de arrefecimento, vela, pneus e câmaras de ar. Isso sem contar o aperto geral, lubrificação e uma olhadela na parte elétrica. Na quinta-feira vou até João Pessoa-PB em uma viagem a trabalho. Serão 200 km importantes para verificar a moto revisada na estrada. Depois ficarei esperando 20 dias para a grande partida, resolvendo apenas alguns detalhes administrativos como brindes, carteira de vacinação, seguro carta-verde e renovação do seguro da moto.

Foram 15 meses de preparação. Neste tempo fizemos um bebê, detalhamos o percurso, compramos uma moto, trabalhamos para conseguir o dinheiro para tudo isso, lapidamos um grupo para a viagem e armamos toda a logística de passagens, treinamento de babá e combinações com meus pais para deixarmos as crianças por lá enquanto viajamos (Gabriela, tudo bem que você não quer mais ser chamada de criança aos 13 anos de idade, mas é força do hábito…).

Agora é só esperar o tempo passar… 

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03-04.12.2009 – Litoral sul da Paraíba.

Três semanas para a partida ao Atacama. Tive que ir até João Pessoa-PB para uma reunião a trabalho de dois dias. Claro que fui de moto! 280 km de ida e volta, aproveitei para ver como tinha ficado a revisão.

A moto parece 0 km. Tudo novo: pneu, tração e cabo de acelerador. Mesmo com a chuva da ida a viagem foi muito gostosa. O pneu Sirac é muito mais silencioso e tem maior aderência no asfalto do que os antigos Mitas E07. Eu não tinha percebido antes como tinha diminuido bastante a minha velocidade de cruzeiro.

Na quinta-feira à noite encontrei o Emano e o Nando lá na Fava. Muita conversa boa. Só fiquei meio envergonhado quando começaram a falar de um sujeito todo complicado que sempre insistia em fazer o caminho mais longo. Vixê, pensei, é exatamente o que eu sempre tento fazer! Mas, brincadeiras à parte, é bom conversar com os amigos. Principalmente na beira de uma praia nordestina. Por falar em praia, João Pessoa-PB tem uma orla linda!

Na ida tinha saído de madrugada para chegar à reunião no começo da manhã. Aproveitei um pouco mais a volta. Como tudo acabou cedo, pude voltar para Recife às 11:00. Aproveitei para passar na Ponta do Seixas, ponto mais oriental do Brasil e por Tambaba-PB, conhecida praia de nudismo. Conheci também a travessia da divisa entre Acaú-PB e Carne de Vaca-PE. As duas são cidadezinhas muito simpáticas e calmas, pelo menos ao sol do meio-dia em plena sexta-feira.

Tive sorte de chegar apenas 40 minutos antes da saída da balsa, que nesses dias sai de 3 em 3 horas. Estava um sol tão forte que fiquei preocupado do meu tanque de plástico derreter. Mas a moça do bar ofereceu prontamente para eu deixar a moto dentro do bar, como se para me fazer companhia no coco gelado. Aí está um lugar para voltar com mais calma. Muitas histórias de pescadores, ermitões, cobras, pedras fantásticas e assombrações. A maré estava muito baixa, forçando a balsa a fazer muitas voltas entre o areial.

De Goiana-PE para Recife-PE a mesma história de sempre. Filas intermináveis. É broxante quando a viagem de volta a Recife é pela BR101. Mas fazer o que, né? Nem sempre dá para voltar pela matinha de São Lourenço da Mata-PE.

Como era para ser uma viagem só para João Pessoa-PB, acabei não levando nem mapa nem o Camelbak. O mapa a gente compensa conversando com o pessoal no meio da rua. Mas o Camelbak faz muita diferença. Com o solão que fazia, o cansaço bate bem mais cedo sem a hidratação.

No ano que vem, sem uma grande viagem a vista, vou querer voltar com mais calma para conhecer a região. Mergulhar nas galés, ouvir histórias da região e, quem sabe, ajudar em uma pesca.

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A 20 dias da partida, faltam só detalhes:

  • De resto, quase tudo pronto para o Atacama. Faltam apenas detalhes:
    – Trocar o fluido de arrefecimento.
    – Trocar filtro de ar.
    – Tirar cópia de todos os documentos
    – Trocar amortecedores de impacto da coroa.
    – Escolher as ferramentas
    – Apertar bagageiro
    – Fazer adesivos e camisetas
    – Renovar seguro da moto
    – Fazer seguro carta-verde
    – Deixar tanque original, banco original e chave vermelha prontos para qualquer necessidade
    – Carteira internacional de vacinação
    – Desbloquear cartão de crédito, de débito e celular.
    – Aumentar crédito do cartão
    – Organizar pagamento de contas

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Não vai faltar nada na viagem? Claro que sim, mas não é possível preparar tudo. Mas, se tivesse mais tempo, dinheiro e patrocínio, tornaria a viagem completamente profissional, com:

  • Curso prático de primeiros socorros e emergências
  • Curso prático de sobrevivência
  • Curso prático de pilotagem na areia
  • Telefone por satélite
  • Rastreadores
  • Intercomunicadores
  • Filmadora
  • Laptop pequeno e resistente à vibração
  • Seguro para remoção internacional em caso de acidentes
  • E, claro: uma BMW ou KTM, mais equipamentos, mais acessórios, mais tempo de viagem, um profissional para as páginas de internet, outro para fazer os vídeos… um Long Way Round!

Patrocínio

Uma viagem dessas sempre é uma oportunidade para a divulgação de produtos e serviços de empresas. A divulgação é na forma de sites, blogs e fóruns. A equipe pode ainda participar de eventos, apresentações e entrevistas. Sem contar no relato ou vídeo finais. O patrocínio pode ser na forma de equipamentos, acessórios, motocicletas, custeio da viagem, cursos de mecânica, de fotografia etc. Outra forma de patrocínio é na edição final e comercialização de livros e vídeos.

Não estamos indo atrás de patrocínio por enquanto, mas mesmo sem procurar já recebemos ajuda na arte do logotipo e camisetas. Estamos abertos a negociações!

Equipamento

Não deixe de ver a moto usada na viagem, equipamentos, vestimenta, acessórios e o planejamento detalhado nas páginas de preparação:

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Atacama

O Chile, país da América do Sul, tem 16,5 milhões de habitantes (um pouco menos que a população do estado de Minas Gerais) e área de 756.000 km2 (aproximadamente as áreas dos estados de São Paulo e Minas Gerais). Seu território é extremamente alongado, tendo 4,2 mil quilometros no sentido norte-sul e apenas 360 km – no máximo – no sentido leste-oeste. Ao leste é cercado pela Cordilheira dos Andes, que forma a divisa com a Argentina. No lado ocidental há a Cordilheira da Costa, próximo ao Pacífico. No centro do país, entre as duas cordilheiras, há uma depressão. Essa depressão ao norte forma o Deserto do Atacama – uma das regiões mais áridas do planeta -, e ao sul o Vale Central, a região mais fértil do país. Santiago, a sua capital, fica mais ou menos no centro do país, a 1.700 km de Arica, no extremo norte. De Santiago, rumando ao norte, as principais cidades são: La Serena, Copiapó, Antofagasta, Iquique e Arica. Aproximadamente acima de La Serena começa o Deserto do Atacama.

 

O Deserto do Atacama é tão seco porque a umidade é bloqueada pelos dois lados. Ao leste pela Cordilheira dos Andes e a oeste pela Cordilheira da Costa. Além disso, a aridez do clima é também influenciada pela corrente de Humboldt. É considerado o deserto mais seco do mundo. Embora a população seja bastante reduzida, possui grande importância econômica para o Chile. Até o início do século 20 a região era a maior produtora mundial de salitre, produto usado na agricultura. Durante a primeira guerra, os alemães desenvolveram uma tecnologia para a produção artificial, a custos mais baixos. Com isso, mais de 150 cidades “salitreras” foram abondanadas, tornando-se cidades-fantasma no deserto. Concomitantemente com o declínio do salitre foram descobertas grandes quantidades de cobre, fazendo com que até hoje o Atacama produza parte significativa do PIB chileno.


Dakar 2010

Enquanto estivermos viajando vai ocorrer o Dakar 2010. Nós vamos fazer o percurso inverso, mas bem parecido. Pelas nossas previsões, vamos encontrá-los em Santiago, no dia 12/01. De lá subimos para o Atacama, enquanto eles vão para a Argentina (de onde viemos).

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Roteiro

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Brasil Caipira

Saímos de Recife-PE,  passamos alguns dias em torno do Ano Novo em Osvaldo Cruz-SP e pelo menos um dia conhecendo Foz do Iguaçu-PR, sintonizando nossas mentes para a parte internacional da viagem.  O negócio é ir devagar para pegar o costume com muitas horas sobre a moto. Sem obrigações.
Total do trecho: 10 dias, 3430 km

Rumo a Santiago

Saindo de Foz do Iguaçu-PR – com a Renata na garupa desde Osvaldo Cruz-SP -, passaremos durante o dia na região das missiones. Depois é correr o mais rápido o possível, respeitando o limite da Renata, até San Luis-AR, a 1700 km. Naquelas imediações, faremos um desvio para percorrer as estradas da Sierra de las Quijadas e do Valle de Calingasta. Rumamos então para passar um dia em Valparaíso-CH e Santiago-CH. Pretendemos, nesta região, fazer ainda a subida do Cerro la Campana. De Santiago-CH a Renata volta para São Paulo, enquanto nós vamos ao norte, para o Atacama.
Total do trecho: 08 dias, 2550 km

Atacama

A 1000 km de Santiago fica o Parque Nacional Nevado Tres Cruces, onde passaremos um dia conhecendo o vulcão Ojos del Salado e Laguna Verde. Não temos informação sobre essa estrada. Se for um trecho de terra muito grande e de areia, talvez deixemos o passeio de lado.  Subimos então mais 1700 km até o extremo norte do Chile, para conhecer o Parque Nacional Lauca. No caminho passaremos em  Gatico-CH,  Cobija-CH, Mano del Desierto e Pisagua-CH. Sem contar algumas cidades fantasma no meio do caminho, incluindo Oficina Alemania-CH. Novamente rumo ao sul, pasaremos por Iquique-CH e pela estrada de Caspana-CH, caso não seja muito areiosa. Pararemos então um dia para conhecer a clássica San Pedro de Atacama-CH, indo então para a Argentina, onde faremos dois passeios na região de Salta:  ao norte para Humahuaca e ao sul para Cafayete e Los Cordones.
Total do trecho: 15 dias, 5340 km

Rumo ao Litoral Brasileiro

De Salta-AR corremos para Santos-SP, em um trecho de 2.000 km via Foz do Iguaçu-PR e Curitiba-PR. Passamos pela Rio-Santos com uma parada em alguma cidade do trecho, provavelmente Parati-RJ. De lá é seguir para Recife. Mas o caminho só vai ser decidido na hora mesmo.
Total do trecho: 09 dias, 5310 km

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Total: 16.630 km, 42 dias.
30 dias com deslocamento de mais de 250 km, média de 540 km/dia
03 dias com deslocamento de menos de 250 km, média de 147 km/dia
09 dias parados

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Análise. Saindo às 06 da manhã, nos dias mais longos é possível chegar tranquilamente às 13:30 no destino do dia. Já nos dias com menor quilometragem, chega-se às 08:30, sobrando todo o dia para passeios.

Garupa. Na parte que farei com garupa, entre Osvaldo Cruz-SP e Santiago-CH, serão 3210 km em 11 dias. 06 dias com deslocamento de mais de 250 km, média de 477 km/dia; 02 dias com deslocamento de menos de 250 km, média de 170 km/dia; e 03  dias parados.

Terra/areia. Provavelmente 1050 km serão na terra/areia.  Mas um detalhe é que todos os passeios são laterais. Caso sejam muito difíceis, é só voltar para a estrada principal de asfalto.

Photobucket

Na viagem do Atacama, prevemos uma série de paradas, tanto para descansar quanto para conhecer melhor os lugares. Na figura acima, a parte laranja mostra a quilometragem que pretendemos fazer todos os dias. Dá para ver que existem alguns picos com alta quilometragem, mas sempre há um descanso depois. As barras azuis representam a média percorrida a cada 4 dias consecutivos. Dá para ver, então, que normalmente viajaremos uma média de 400 km/dia. Isso significa sair logo de manhã e chegar ao destino na hora do almoço. Na figura, dá para ver uma seqüência de quilometragem média mais alta entre os dias 31 e 39.  A primeira parte desses dia é de passeios laterais, em parques nacionais da Argentina. Caso estejamos cansados, é só uma questão de cancelar esses passeios e voltarmos com mais calma para o Brasil.

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O que conhecer na Viagem ao Atacama

Lista de “coisas” (lugares, fauna, flora e manifestações culturais) que quero conhecer no Chile e na Argentina. A lista está limitada à regiões políticas de Iquique, Antofagasta, Copiapó, La Serena, Valparaíso e Santiago, pois não vamos andar abaixo de Santiago nesta viagem. Do ponto de vista geográfico, essas regiões são agrupadas em: Norte Grande, Norte Chico e Middle Chile. Na parte da Argentina, também ficamos limitados ao percurso proposto. Não passaremos em Buenos Aires, nem ao sul de Mendoza.

O número de asteriscos (de 1 a 3) representa a prioridade que dou para conhecer cada atração:

Norte Grande

– El Tatio Geysers : Sai às 4am e volta lá pelo almoço – 95 km de San Pedro [***]

– Pôr-do-sol no Valle de la Luna – sai no meio da tarde e volta à noite – 15 km de San Pedro [***]

– Passeio por de San Pedro de Atacama, incluindo as casas de adobe, Iglesia San Pedro e Museo Gustavo le Paige [***]

– Laguna Chaxa, dentro do Salar de Atacama – 65 km de San Pedro [***]

– Estrada entre os Geysers Tatio e Calama, passando pela vila andina Caspana, pelo oásis Laguna Inca Coya (ou Laguna Chiu Chiu) e pelas ruinas do forte Pukará de Lasana (século XII). O terreno é difícil, mas existem passagens de até 4.800 m de altura[***]:

– Percorrer a Rota 1, no Pacífico entre Antofagasta e Iquique. [***]

– Parque Nacional Lauca. Vulcão Parinacota e Lago Chungará [***]

– Descer o zig-zag vertiginoso até a porto fantasma em Pisagua [***]

– Mano del Desierto, um pouco ao sul de Antofagasta [***]

– El Morro de Arica e praias de Arica [**]

– Conhecer as duas cidades fantasma da costa Gatico & Cobija [*]

– Observatorio Cerro Paranal – só de fora, pois não é aberto ao público[*]

– Oficina Alemania (***)

– Algumas das várias cidades fantasma da época do salitre

– Mina de cobre em Chuquicamata – 16 km de Calama[*]

Norte Chico

– Passeio próximo ao Parque Nacional Nevado Tres Cruces, para conhecer o Ojos del Salado – o mais alto vulcão ativo do mundo e o segundo ponto mais alto da América do Sul (6893 m) e também Laguna Verde [***]

– Conhecer os glaciares e andar em uma “montanha-russa”em dos mais altos passos andinos em Paso Del Agua Negra [***]:

– Conhecer os pinguins, golfinhos, leões marinhos da Reserva Nacional Penguino de Humboldt [**]

– Farol e arquitetura de La Serena [*]

– Fazer um tour noturno em algum dos observatorios próximos a La Serena [**]

Middle Chile

– Perambular pelos “ascensores” – até os cerros – e pela baía de Valparaíso [***]

– Passar pelos Caracoles no Paso Los Libertadores [***]

– Caminhada pelo Cerro La Campana (4 horas de subida e 3 de descida), de onde se vê desde o Pacífico até o Aconcágua. Foi escalada pelo próprio Charles Darwin [***]:

Argentina – relativamente próximo a Foz do Iguaçu

– Cataratas do Iguaçu – Visão panorâmica no lado brasileiro e trilhas/passeios de barco no lado argentino. [***]

– Missão jesuíta San Ignácio Mini e outras da região de Posadas. Talvez a cascata Saltos del Moconá no Rio Uruguai. [*]

– Reserva Provincial Esteros del Iberá – O “Pantanal Argentino” [*]

Argentina – relativamente próximo a Mendoza

– Parque Nacional Sierra de las Quijadas – San Luis – Canyons e lagos secos [***]

– Valle de Calingasta – Passear nas curvas da estrada de terra entre Barreal e Rio de Los Platos, com vistas de vales de cordilheiras que chegam a quase 6.000m. [***]

– Punta del Inca – hoje em dia fechada para acesso e banho nas águas quentes. Seria só para tirar fotos e uma caminhada [*]

– Ver a paisagem no Camino ao Cristo Redentor (talvez essa passagem seja a mesma dos Caracoles que coloquei lá no Chile) [*]

Argentina – relativamente próximo a Salta

– Andar pela estrada entre Quebrada de Cafayate e Salta, considera uma das mais bonitas da Argentina. Vista de Canyons, formações rochosas e dunas. [***]

– Cruzar o Parque Nacional Los Cardones na outra estrada espetacular entre Cachi e Salta [***]

– Percorrer estrada em Quebrada de Humahuaca que sobe rumo à Bolívia [***]

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O que conhecer na Viagem ao Atacama – continuação

Animais

Guanaco:

Vicuña:

Llama:

Alpaca:

Ñandú:

Viscacha:

Wild Puma:

Andean Gull:

Giant Coot:

Chilean Flamingo:

Andean Condor:

Ibis:

Queltehue:

Humboldt Penguin:

Sea Lion:

Sea Otter:

Whale:

Dolphin:

Fur Seal:

Huemul Deer (em extinção):

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Plantas
Candelabra Cactus:

Queñoa:

Llareta:

Tamarugo:

Quando chove muito no Norte Chico, aparece o fenômeno “Desierto Florido”:

Chilean Palm:

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O que conhecer na Viagem ao Atacama – continuação

Alguns mapas do Chile:

Chile:

Norte Grande:

Região de San Pedro de Atacama:

Região do Parque Nacional de Lauca:

Norte Chico:

Middle Chile:

Região de Valparaíso:

Alguns mapas da Argentina:

Argentina:

Forgotten Andes & Parks:

Northern Loop:

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Vídeos Inspiradores

Mondo Enduro: http://www.youtube.com/watch?v=beEXfEdpDrk
On Any Sunday: http://www.youtube.com/watch?v=1qODJEH1JhE
Long Way Round: http://www.youtube.com/watch?v=Yk_Qkz_5ti8
Race to Dakar: http://www.youtube.com/watch?v=Fatr4h25yE4
Long Way Down: http://www.youtube.com/watch?v=J_gf3vM9CQQ
BMW China: http://www.youtube.com/watch?v=chHHH3kLvEw
KTM Atacama: http://www.youtube.com/watch?v=KXkHYOb1yXE

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DOCUMENTAÇÃO PARA O ATACAMA (Argentina e Chile):

Documentação obrigatória (segundo o Guia Quatro Rodas):

– Carteira nacional de habilitação
– Carteira de motorista internacional (talvez não peçam, mas é bom levar)
– Documento da moto com o mesmo nome do motociclista (se não, levar alguma declaração).
– Carta-verde (segundo contra terceiros).
– Identidade SSP (aquela verdinha!! não vale CREA, reservista etc)

O que parece não ser necessário, mas é bom levar:

– Passaporte
– Seguro de saúde com cobertura na américa do sul
– Seguro da moto com combertura na américa do sul

Informações sobre os pasos chilenos e argentinos (postado pelo itadeu no M@D):

Chile: http://www.vialidad.cl/PasosFronterizos/Pasos_Fronterizos.asp
Argentina: http://www.gendarmeria.gov.ar/

Dois tipos de tocada: rally (quando o objetivo for chegar logo a algum lugar) e expedição (para aproveitar o passeio de moto).