Estudos da Bicicleta [disciplina da graduação: 2012.2]

A grande novidade para 2012.2 é o lançamento de “Estudos da Bicicleta” no Curso de Graduação em Engenharia Mecânica da UFPE. Essa disciplina, que será oferecida para estudantes de graduação, é um pouco diferente da “Engenharia da Motocicleta” que temos oferecido desde 2010. A primeira diferença, óbvia, é o sistema de propulsão. Vamos deixar a termodinâmica um pouco de lado para dar uma breve olhada na fisiologia e na anatomia do ciclista. Isso porque para projetar uma bicicleta é preciso saber como o motor (corpo humano) funciona. A segunda diferença entre as duas disciplinas é que nesta vamos abordar alguns assuntos que em geral estão fora da engenharia mecânica: pilotagem, trânsito, mercado, fisiologia, anatomia, história, cultura, organização social e política. Por isso a disciplina é chamada de “Estudos da…” e não “Engenharia da…”. Mas claro que teremos engenharia também: tecnologia, bicicletas elétricas, aerodinâmica, frenagem, rolamento, equilíbrio e transmissão de potência.

Agora, por que estudar todos esses “detalhes” e não ficar só na “engenharia”? A resposta é simples: porque as bicicletas são conduzidas por humanos que se movimentam em uma sociedade. Precisamos entender um pouco disso tudo para projetarmos bicicletas que sejam realmente úteis.

Hoje em dia as bicicletas são compradas quase que exclusivamente como brinquedos de criança, como equipamentos de lazer para a classe média ou como a última alternativa para a mobilidade da classe baixa. Para que sejam mais usadas, por todas as idades e por todas as classes, precisamos de novos projetos mecânicos, novas leis, novos comportamentos e uma nova infraestrutura.

A idéia é dialogar com o futuro engenheiro dentro dessa visão mais ampla, com o claro objetivo de que esses estudantes tenham as condições, caso queiram, tanto para montar suas próprias fábricas quanto para promover o uso sensato das bicicletas. Vamos entender em que casos é vantajoso andar de bicicleta e, então, contribuir para que haja condições apropriadas para pedalar – seja por esporte, lazer ou para ir ao trabalho.

Sim, tudo muito idealista, tudo muito bonito. Mas, depois de entender tudo isso, como um engenheiro mecânico pode agir na prática? Simples: projetando equipamentos realmente úteis, com qualidade e a um preço justo. De prefência fazendo tudo isso em sua própria fábrica ou cooperativa.

Contexto. Essa disciplina faz parte da linha acadêmica Estudos em Duas Rodas, que inclui atividades de ensino, orientações, projetos de pesquisa (em preparação), atividades de extensão e de divulgação científica. Dentro dessa linha acadêmica, as motos estão sendo estudadas desde 2009. Agora, em 2012, estamos incluindo as bicicletas. Os principais temas abordados nessa linha são dinâmica, propulsão, trânsito, poluição e acidentes. Esses temas principais, por sua vez, são fortalecidos pelos subtemas indústria, mercado, política e cultura. Atualmente estamos orientando apenas estudantes de iniciação científica, mas a partir do próximo semestre (2012.2) vamos oferecer temas para TCC, mestrado e doutorado. Quem sabe um dia, em um futuro próximo, passemos a considerar também as cadeiras de roda. Desta forma completaríamos a tríade principal de veículos urbanos leves: motos, bicicletas e cadeiras de rodas.

ATENÇÃO

1 – O nome oficial da disciplina é “ME499 – Tópicos Especiais em Energia III“.

2 – As datas de matrícula são as seguintes:

22 a 27.11.2012: alunos da Engenharia Mecânica da UFPE.
03.12.21012: alunos regulares e veteranos da UFPE.
04.12.2012: alunos desvinculados, de outras instituições ou portadores de diploma.

Público alvo. “Estudos da Bicicleta” foi preparada para estudantes do Curso de Graduação em Engenharia Mecânica da UFPE que já tenham cursado “Dinâmica” e “Mecânica dos Fluidos”. Para os que escolheram a Ênfase de Energia, essa disciplina conta como “complementar” (cada estudante tem que cursar 180h de complementares). Já para os estudantes de outras ênfases, ela conta como “eletiva” (os estudantes devem cursar no mínimo 60h de eletivas).

Estudantes de outros cursos estão convidados. Só que é bom que conversem antes com os seus coordenadores, pois há uma pequena burocracia interna. Quem não é estudante da UFPE também pode fazer a disciplina, na forma de disciplina isolada, mas para isso precisa ser formado ou então estar fazendo curso superior em outra instituição de ensino superior. As datas estão no calendário da UFPE.

Estrutura do curso. A disciplina ocorrerá todas as terças-feiras, das 17h às 19h. As 30 horas do curso serão divididas em três módulos:

[ História e Tecnologia (10h)]

  • Introdução
  • História da Bicicleta e do Ciclismo I
  • História da Bicicleta e do Ciclismo II
  • Tecnologia da Bicicleta I
  • Tecnologia da Bicicleta II

[ Ciência do Ciclismo (10h)]

  • Fisiologia e Anatomia do Ciclista (ministrada pela profa. Sílvia Moraes)
  • Física do Ciclismo I
  • Física do Ciclismo II
  • Física do Ciclismo III
  • Apresentação do Seminário I

[ Cultura, Trânsito, Mercado e Política (10h) ]

  • A Bicicleta no Trânsito
  • Indústria e Mercado
  • Organização Política e Social
  • Cultura
  • Apresentação do Seminário II

Material de estudo. A disciplina será apresentada com slides eletrônicos (powerpoint), que foram criados a partir de uma série de livros em inglês. Temos pouca coisa em português e nenhum livro completo, em qualquer língua que seja. Por isso, infelizmente, não haverá um livro texto. Mas nada que não se resolva com o estudante imprimindo os slides e fazendo anotações durante as aulas. Isso é o suficiente para que tenha um bom aproveitamento. No entanto, quem quiser se aprofundar um pouco mais, está mais do que convidado para ir às fontes: Bicycle: The History (história), Bicycling Science (dinâmica), Bicycle Design (projeto), Bicycle Technology (tecnologia), Effective Cycling (condução urbana), Pedaling Revolution (política) e Bike Cult (cultura). Claro que também vamos usar a internet (e.g. Analytic Cycling e Cycling Power Meters).

Importante. Mais uma vez, peço que ajudem na divulgação da disciplina. Por ser complementar/eletiva, precisamos de um mínimo de cinco estudantes matriculados. Vai ser uma disciplina interessante – embora eu seja suspeito para dizer -, pois vamos tentar ver o mundo de uma forma um pouco diferente da que estamos acostumados. Pelo menos para mim, parece que hoje em dia estamos valorizando demais a produção de petróleo e a fabricação de carros. Vamos variar um pouco, dando uma olhada nas bicicletas. Claro que elas não são a solução para a mobilidade urbana, mas certamente fazem parte dela – junto com calçadas decentes, passarelas, cadeiras de roda, motos, carros, caminhões, ônibus e metrôs. Outro aspecto diferente é que trataremos de um produto que pode ser fabricado em pequenas empresas. Ou seja, esta é uma disciplina para educar empresários, não empregados. Qualquer dúvida é só entrar em contato. Ah… e para quem estiver interessado em “Engenharia da Motocicleta”, pode ficar tranquilo que ela será oferecida de novo em 2013.1. Conto com a ajuda de todos na divulgação.

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[ 21.06.2012 – Divulgação no Observatório do Recife ]

[ 15.07.2012 – Divulgação no Terra Notícias ]

[ 16.07.2012 – Divulgação no Pedaladas Capitais ]

[ 18.07.2012 – Divulgação no UOL Educação ]

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