Pico do Jabre-PB (II)

28.09.2009

Neste último final de semana fomos dar mais uma volta de moto pelo estado da Paraíba. Foram cinco motos, todas do auto-intitulado grupo dos PEBAS. Para mim era uma volta a passeios antigos, para os outros o primeiro encontro. Andamos quase 1.000 km em dois dias, uns 70 km de terra e dois picos impressionantes: Pico do Jabre-PB e Pedra do Tendo-PB.

Muito embora o nome do nosso grupo possa parecer esquisito, nasceu de uma brincadeira com as siglas de Pernambuco e Paraíba. Nos conhecemos pela internet há cerca de dois anos, marcamos um almoço em Taquaritinga do Norte-PE, fizemos amizade, nossas mulheres se conheceram e de lá para cá fizemos uma porção de passeios de moto. Uma pena que não possam ir todos para o Atacama. Mas, de certa forma, é como se nós, que vamos, fossemos os representantes dos Pebas. Digo isso porque todos participam intensamente da preparação, com contatos, dicas, treinamentos e passeios. Dá para sentir o envolvimento de todos quando paramos em algum lugar e alguém pergunta quem somos. Dizem, então, que somos um grupo de amigos motociclistas e que, por acaso, aqueles dois ali estão indo para o Atacama. Neste último passeio, por exemplo, queríamos andar um pouco pela terra para acostumar. Por mais irônico que possa parecer, os que vão para o Atacama são os que ficam mais tensos ao pegar um areião. Os outros, que pilotam moto há mais tempo, vão dando dicas e fazendo brincadeiras para relaxar.

No final de semana, aproveitei para testar mais um pouco os equipamentos de segurança: bota e protetores (pescoço, coluna, perna e braço). Não incomodam quase nada. Esquentam um pouco, mas a sensação de segurança que trazem compensa o pequeno desconforto. De resto, só um pouco de cansaço da viagem. Embora nos preparemos fisicamente o ano todo, alguns movimentos são específicos da pilotagem. Só andando de moto mesmo é que vão se acostumando ao esforço.

Andamos em vários tipos de terreno. Grandes retas de asfalto, serras com curvas fechadas, uma grande descida de terra pela serra entre Maturéia-PB e Mãe D´Água-PB e um trecho noturno por uma estrada de terra cheia de desníveis entre Mãe D´água e São José do Bonfim-PB. Para ficar completo, só faltou um pouco mais de areia. Talvez dê tempo para fazer um curso de pilotagem na areia até o final do ano. Sinto que posso melhorar bastante.  A questão é nitidamente psicológica. Acredito que se andar um pouco com uma moto um pouco mais leve pegarei logo a confiança necessária.

Eu não me preocupo nem um pouco por não ter grande experiência na areia. Peguemos a história de Ted Simon, por exemplo. Para quem não o conhece, é considerado o maior rider de todos os tempos. Não por ser exímio piloto, mas apenas por ter a coragem de rodar pelo mundo, sem medo e sem preconceitos. Aos 40 anos, no início da década de 70, viajou durante 4 anos pelo mundo. Aos 70 anos de idade, fez outra viagem, agora de 3 anos. Mas voltando à questão da areia, Ted Simon, embora tenha andado muito de moto, nunca perdeu completamente o receio de andar nesse tipo de terreno. Principalmente com motos altas e pesadas. Quando estava no Egito, uma equipe da TV foi filmá-lo. Obviamente, queriam que andasse de moto por algum lugar com areia, característico da região. Ted Simon ficou todo tenso e envergonhado, porque não conseguia andar sem tirar os dois pés do chão. Bem, todos sabem que para andar de moto é preciso acelerar. Quanto mais rápido se anda, mais a moto fica estável. Mas para isso é preciso ter confiança de que você não vai cair. Ted Simon sabia disso. E sabia que todos sabiam. Que vergonha estava passando dentro do capacete. Mas daí, sabe do que lembrou? Da capa do livro de Robert Edison Fulton Jr. Esse tal de Fulton Jr. foi o primeiro cara a dar a volta ao mundo em uma moto, na década de 30. Na capa do seu livro, há uma foto dele andando no meio do deserto. Ele está equilibrado na moto, flutuando  sobre a areia? Está confiando de que não vai cair? Está respeitando as dicas dos maiores especialistas? Não. Ele está com os dois pés plantados na areia! Ted Simon e Fulton Jr. não são grandes especialistas. São simplesmente caras que deram a volta ao mundo de moto. Eu também não sou nenhum especialista em andar na areia. Mas sou o cara que vai para o Atacama. Devagar, se precisar, mas sempre em frente.

Todos os Pebas irão conosco para o Atacama – em pensamento, pela internet e celular. Sabemos que estarão na base para ajudar com a procura de informações – onde achar peças, por exemplo -, e principalmente para nos animar nos momentos mais difíceis. Felizmente, não vamos viajar sozinhos.

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Logo no início do dia, demos uma entrevista para uma rede de TV de Campina Grande-PB. O Denny arranjou tudo durante duas semanas. Gravaram nossas respostas e alguns trechos com as motos em movimento. Cada um falou um pouco, sobre os Pebas e a viagem ao Atacama.

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No almoço paramos no meio da estrada para comer um bode assado. Tranquilidade e um pouco de sombra no meio do sertão.

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Mesmo tendo atrasado um pouco o nosso cronograma por causa das gravações da TV e um problema mecânico em uma das motos, ainda chegamos ao Pico do Jabre com dia claro. Na foto, da esquerda para a direita, Denny (Campina Grande-PB), JP (Santa Cruz do Capibaribe-PE), Bacanex (João Pessoa-PB) e Wagner (Recife-PE).

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Quando combinamos o passeio, queríamos descobrir se havia um jeito de descer do Pico do Jabre por uma estrada de terra. Chegando por lá todo mundo conhece a estrada, tendo até placas sinalizadoras. O dia já estava chegando ao final. Nossa viagem ao pé da serra foi acompanhada o tempo todo pelo sol.

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Os últimos 24 km de terra foram feitos à noite, mas voltamos no outro dia para uma foto do finalzinho da estrada. Neste trecho, praticamente um asfalto.

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No domingo pela manhã, fizemos várias filmagens e fotografias andando no asfalto. Nesta daí o Bacanex tira uma foto minha e do Denny.

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Uma foto de cima da Pedra do Tendo-PB. Fábio, Denny, Wagner, JP e Bacanex.

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Fizemos várias tomadas em vídeo próximo a essa curva. De cima, de baixo, de lado e de todo jeito mais que foi possível. Vamos ver se dá para aproveitar alguma coisa.

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