Gravatá-PE (IV)

By magnani, 04/10/2009 08:29

03.10.2009

A Renata não andava de moto na estrada há mais de um ano.  A última vez foi na Viagem ao Sertão. Depois veio a gravidez, nosso filho e o resguardo. Mas agora, a três meses da saída para o Atacama – ela vai fazer o trecho de 3.000 km entre Osvaldo Cruz-SP e Santiago-CH -, chegou a hora de andar um pouco de moto e se preparar fisicamente.  O preparo físico é com ela (hidroginástica? pilates?), mas a parte da moto é comigo mesmo.

Ontem saímos para uma rodada de 150 km. O clássico café da manhã em Gravatá-PE, no Rei das Coxinhas. Logo de cara já deu para perceber a grande diferença entre a XT660R e a Falcon. Por ser mais potente e com melhor ciclística, o controle da XT660 com garupa é muito melhor. Só em velocidades muito baixas é que você sente o peso.

A semelhança ao que aconteceu no último passeio ao Jabre, tentei manter uma velocidade mais baixa, aproveitando a viagem. Tínhamos conversado de que não aguentaríamos passar 44 dias, na Viagem ao Atacama, correndo desembestados. Logo cansaríamos, deixando de aproveitar.

Peguei emprestado um banco tipo sela com o LLuiz. Embora não seja exatamente da nossa medida, deu para fazermos o teste. No meu caso, não fez muita diferença porque a quilometragem foi baixa e a espuma da minha parte não é tão fofa assim. Mas já no caso da Renata foi uma maravilha. Ela disse que acabou a dúvida sobre comprar ou não o banco, que não sabe como andou de moto até ali sem ele.

A Renata testou também as minhas luvas impermeáveis e o protetor de coluna com faixa abdominal. Eu já tinha desistido de usar essas luvas há um bom tempo. É que dá muito trabalho ficar colocando e tirando o tempo todo que se pára nos postos, principalmente depois que a mão fica suada. Coube com um pouco de folga na mão da Renata, o que não é problema, já que ela não vai pilotar. Ela aprovou também o protetor/faixa, pois força manter a postura. Isso é muito importante para a garupa, que acaba cansando muito mais no final do dia. Esquecemos de levar o protetor de pescoço para ela ver se ajuda a descansar o pescoço.

O que incomoda um pouco a Renata, mesmo com o protetor de coluna, é a vibração do bauleto em suas costas. Estamos pensando em colocar algum tipo de forro por ali.

A Renata foi a grande estrela do passeio, mas eu também fiz uma coisa que deveria ter feito há milênios. Tinha quase desistido de andar com a minha calça impermeável de cordura. É muito quente. De fora para dentro, tem a camada de cordura, uma camada de plástico impermeável, um forro perfurado e um outro forro, removível, isolante térmico. Mesmo tirando o último forro, a calça é muito quente. Começa a grudar na pele, sem contar o cheiro insuportável no final do dia. Estava pensando em levá-la só para andar nos dias mais frios dos Andes. Mas na sexta-feira veio uma iluminação: peguei a tesoura e cortei os dois forros fixos. Agora ela não é mais impermeável, mas posso usá-la sem problemas. Por ser de cordura, é um pouco mais resistente que a calça jeans que normalmente uso. Sem contar que não suja tanto.

O caminho para Gravatá, para quem não sabe, é feito por uma estrada duplicada com curvas bem abertas. A viagem é bem tranqüila.  Chegando em Gravatá-PE há a belíssima Serra das Russas, que termina com um túnel no meio da montanha. Não gosto de passar por esse túnel. Eles colocaram a iluminação na parte de cima. Então, quando você entra, sua mente confunde a referência da pista com o alto do túnel, criando uma certa desorientação. Mas nada que não se resolva andando devagar.

O caminho conta ainda com várias barracas de tapioca, frutas, castanha, mel e queijo. Tem até um posto que vende  ”gasolina boazuda, diesel gostosão e álcool sem defeito.”  Embora seja uma estrada rápida, dá para ter um gostinho do interior em algumas cidades pequenas como Bonança-PE e Pombos-PE.

No Rei das Coxinhas, comemos coxinhas de camarão, café e cartola. Esse doce da região é uma fritura em camadas de banana e queijo manteiga, cobertos com açúcar e canela. Mesmo dividindo em duas metades, ainda é bastante para um casal.

O próximo passeio que pretendemos fazer, ainda pensando na Viagem ao Atacama, é para algum lugar a 450 km de Recife. A idéia é ir no sábado, descansar à tarde, voltando no domingo pela manhã. Será mais ou menos a rotina durante os 12 dias que ela passará com a gente na viagem. Não decidimos o lugar ainda, mas Triunfo-PE e o litoral do Rio Grande do Norte são bons candidatos.

Renata, seja bem-vinda oficialmente à troupe do Atacama!

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