Pesqueira-PE
12.11.2007
No final de semana de 10 e 11 de novembro de 2007, fomos até Pesqueira-PE. A Renata tinha que fazer um concurso lá no domingo pela manhã e aproveitamos para passear um pouco.

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Ficha técnica:
Ida:
206 km (até o centro)
140 min (descontando as paradas)
88 km/h
15 min de descanso
Volta
202 km (começamos a contar na estrada, no CEFET)
128 minutos (descontando as paradas)
95 km/h
32 min de descanso
Passeios nas redondezas de Pesqueira: 79 km
Consumo: 29 litros
Consumo específico: 16,8 km/litros
Gastos:
Hotel: R$ 50,00
Comida: R$ 55,00
Gasolina: R$ 86,00
Lembranças: R$ 23,00
Total: R$ 214,00
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Pesqueira fica a 205 km a oeste de Recife. Aproximadamente 140 km de pista duplicada, com bom asfalto. Os últimos 65 km são de pista única, sem buracos, mas com muitas ondulações. Até Caruaru (130 km de Recife) a vegetação é típica do agreste. De Caruaru a Pesqueira já começa uma vegetação de Caatinga, seca.

Chegando em Pesqueira e subindo a serra do Ororubá, a vegetação volta a ser do agreste.

Nas estradas vicinais aqui do sertão, sempre tem um bode na estrada.

Saímos de Recife às 08:00, paramos para abastecer em São Caetano e chegamos em Pesqueira às 11:00. Deixamos as coisas na Pousada Vila Bella, no centro da cidade, e fomos almoçar no cruzeiro (Santuário Nossa Senhora das Graças). Esse lugar, que fica no alto de um morro possui capela, santa na pedra, cruzeiro e um mirante.

Pode ser visto de toda a cidade, inclusive à noite. Parece ser coisa nova, feito pelas últimas prefeituras. Até à noite continua dominando a cidade, vendo tudo e sendo visto por todos.

Pesqueira tem 120 anos e 70 mil habitantes. Já foi um grande centro industrial, principalmente com fábricas de alimentos. A Peixe, por exemplo, chegou a empregar 5 mil pessoas. Essas empresas foram fechando, principalmente devido à distância dos fornecedores de matéria prima. Há uns 70 anos, no distrito de Cajueiro, houve a aparição de nossa senhora para duas crianças, fazendo o pedido para que a humanidade rezasse o terço diariamente. Então, a cidade nos últimos anos deixa de ser um pólo industrial e passa a viver do turismo religioso. Mais recentemente, vem explorando também o turismo ecológico. Para aumentar a complexidade da região, existem ainda tribos indígenas, e os conflitos voltam à tona de tempos em tempos. Outra qualidade da cidade é a produção de renda do tipo renascença. Pelo menos uma empresa vem aproveitando a mão-de-obra local para exportar esta renda para outras cidades e países. Muitas pessoas vivem da produção dessas rendas (uma toalhinha de mesa, que demora 5 dias para ser feita, é vendida na loja por R$ 20,00) e doces caseiros.
Após a visita ao cruzeiro, bem ali pertinho, ainda em cima do morro, fomos comer no Restaurante Bar do Papa. Comemos uma buchada completa e carne de bode assada. Muito boa a comida, e em conta: R$ 25,00.

Existe um grande hotel em Pesqueira, o Cruzeiro. Com piscina, salão de eventos etc. R$ 90,00 a diária de casal.


Mas a pousada em que ficamos (R$ 45,00 o casal) ganha em marketing. Sem brincadeira, devido à sua cor, pode ser vista literalmente de qualquer ponto da cidade.


Mas há um problema: a tinta não é fosforescente, então a pousada não pode ser vista à noite. Hei! Por que não instalar uma torre sobre o prédio? Tudo resolvido, agora a pousada pode ser encontrada a qualquer hora do dia ou da noite.

No sábado à tarde fomos até o Distrito de Cajueiro, local da aparição, onde as pessoas vão fazer romaria. Uma serra muito bonita, no meio de reservas indígenas.

O local da aparição:

Entre Cajueiro e Pesqueira, passamos também pela cidadezinha Cimbres.


Tanto Cimbres quanto o Santuário em Cajueiro nos passaram uma sensação muito ruim. Difícil explicar. Embora eu seja ateu, posso compreender a força que a religião pode trazer para pessoas que não têm mais nada. Mas não foi isso que vimos ali. Vimos um lugar parado, abandonado. As crianças tristes, sempre pedindo dinheiro. Quando não damos, nos olham com raiva. Sei lá, talvez seja um pré-conceito por passarmos tão pouco tempo ali e termos nos influenciados por filmes e livros sobre charlatães religiosos. Mas, que é tudo muito esquisito, isso é!
À noite fomos dar uma volta na cidade. Encontramos o comum pelas cidades do interior por aqui. Todo mundo andando de moto. Barracas e mesas em todas as calçadas. O duro é agüentar os caras que chegam com carros sonorizados e colocam um forró brega no último volume. Ainda bem que na praça central havia também um Serviço de Alto-Falante de Pesqueira, com música boa (Antonio Nóbrega).
Continuando nosso tour pela cidade, fomos até o pátio da antiga fábrica da Peixe que agora virou uma grande feira.




A fábrica Rosa foi transformada em um centro comercial. Dentro deste há o Museu do Doce.

No museu, entre muitas outras coisas, é possível ver:
Caldeira em corte:

Motor a vapor:

Sistema de transmissão de energia na fábrica, todo por correias:

Motor Diesel de 125 kVA:

A cidade possui vários prédios bonitos e bem cuidados:
Colégio de Freiras Santa Dorotéia:

Catedral:

Seminário São José:

Palácio do bispo:

Câmara Municipal:

Universidade:

Prefeitura:

Fórum:

Antiga ferroviária:

Hospital e capela:

E o impressionante castelo que um dos moradores vem construindo, inspirado nas formas do Mandacaru:


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Impressão final que ficou após uma estada de apenas algumas horas:
Uma cidade que viveu um grande apogeu industrial e que tenta se reestruturar como pólo turístico e religioso. Uma serra muito bonita, cidade muito bem cuidada. O “esqueleto” da antiga fábrica da Peixe, quando cercado pela feira, causa uma impressão de desleixo (mas essa impressão é localizada, não sendo comum no restante da cidade). Talvez pretendam reformar toda a Peixe, como fizeram com a Rosa. Clima agradável. Quente durante o dia, fresco à noite. Quanto à impressão do Santuário (Cajueiro e Cimbres), talvez seja porque fomos em um dia sem movimento. Não conseguimos obter nenhuma informação sobre a questão política do local, se é moderna ou baseada em famílias tradicionais. Os conflitos com indígenas também não ficaram claros.
Gostaria de passar mais tempo lá. A cidade tem aparentemente uma história muito rica e interessante. É sempre uma pena passarmos rápido por um local, porque ficamos à mercê apenas do que nos impressiona imediatamente: por mal (Cimbres, Peixe) ou por bem (Rosa, prédios, vida noturna, amor que as pessoas têm pela cidade, organização, cruzeiro, serra de Ororubá, Bar do Papa).
É isso! ![]()





