Cânions do São Francisco
19.11.2007
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Está aí! Todos os passos de treinamento prontos. Dez meses depois de pegar uma moto praticamente pela primeira vez, um sonho que está quase pronto para se realizar: 7.000 km, Chapada Diamantina, Chapada dos Veadeiros, Serra da Canastra, Nascente e Foz do São Francisco. Janeiro de 2008, quase tudo pronto.
Mas faltava um último treinamento: ver se a Renata conseguiria dirigir o “carro de apoio” por uma quilometragem tão alta. Na realidade não é um carro de apoio, pois as motos vão ser carregadas de forma autônoma. As pessoas do carro vão participar do mesmo jeito que as das motos.
O teste seria feito entre Recife-PE e Piranhas-AL, 1.200 km em dois dias de estrada, intercalados por dois dias de passeios. Fui só na carona… a Renata dirigiu o tempo todo. Pena não termos ido de moto, mas o objetivo final sempre foi a grande viagem de janeiro.
Embora a distância não seja tão longa, 500 km para o interior, passamos por três regiões diferentes quanto ao clima, relevo e vegetação: Zona da Mata, Agreste e Sertão.
Ida (vermelho), volta (azul):



Chegamos então em Piranhas-AL, na divisa com Sergipe. Antigo porto fluvial no São Francisco, uma jóia de cidade encravada em um vale, às margens do Velho Chico. Durante os dias que ficamos por ali, comemos bem: moqueca de Surubim, isca de Surubim, etc. Uma refeição para o casal ficava em torno de R$ 35,00.

Pertinho dali fica a comunidade de Angico, terra onde morreram Lampião e Maria Bonita. Perto também a cidade de Delmiro Gouveia, em homenagem ao grande industrialista do sertão, que em 1913 extraía energia hidroelétrica das cachoeiras do São Francisco. Chegando em Recife não resisti. Fui até a Livraria Cultura e comprei os livros: “Guerreiros do Sol”, sobre o cangaço e “Delmiro Gouveia”; ambos de Frederico Pernambucano de Mello.

No outro dia fomos até Paulo Afonso, conhecer o complexo de quatro hidroelétricas e os canyons do São Francisco. Uma maravilha de instalação, onde as máquinas foram instaladas literalmente dentro da rocha. Parece um filme do James Bond.


Essa aí é a hidroelétrica de Angiquinho, do Delmiro Gouveia:

Mas o que impressiona mesmo é o Canyon:


No terceiro dia pela manhã fomos fazer uma trilha ao lado do São Francisco. Curioso que mesmo ao lado de tanta água, o clima é seco. Árvores retorcidas, mandacarus, coroas-de-frade.

À tarde fomos passear de escuna também pelos canyons do São Francisco, mas agora em Xingó.



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A viagem já está pronta… agora só falta aguardar janeiro chegar. A Renata está de parabéns, andou os 1.200 km sem nenhum problema. A viagem foi uma maravilha. Hidroelétricas em cavernas, Lampião, industrialistas no sertão, antigos portos fluviais, caatinga, canyons, trilhas e passeio de escuna. Pena que não possamos passar tudo o que sentimos nesta viagem.
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Fizemos um filminho no YouTube que mostra umas fotos bem mais legais. Ficou meio comprido, mas vale a pena dar uma olhada. Recomendamos que todos façam esse passeio. Inesquecível.
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Em janeiro de 2007, aos 37 anos de idade, decidi comprar uma moto. 13 anos depois de ter passado com uma CG com a qual não passava de 60 km/h e nunca saía para a estrada. No dia em que peguei a moto tomei a decisão de fazer uma viagem até minha cidade natal, Osvaldo Cruz-SP, a 3.000 km de Recife. Não sabia exatamente como, nem quando… mas iria de moto.
Nestes 10 meses, foram 19.000 km de moto. Aprendendo andar na estrada (até São Lourenço-PE, a 20 km de Recife), na lama (até Bonito-PE), melhorando as curvas nos bananais de São Vicente Ferrer-PE, perdendo o medo da velocidade nas pistas duplicadas da BR 232, vendo se agüentava andar 600 km em um único dia (Garanhuns-PE, fazendo a volta por Tamandaré-PE e Arco Verde-PE), testando a condição física para andar 1.400 km em dois dias (Icó-CE), desenvolvendo uma forma para andar em equipe de duas motos e um carro (Baía da Traição-PB). Nesses dez meses surgiram novos companheiros, o Claudino de moto e a Renata, Francisca e Mateus no carro de apoio. Passei a nadar 4 vezes por semana. O percurso aumentou um pouco, passando por 8 estados (PE,BA,GO,MS,SP, MG, SE e AL), talvez por 10 (TO e ES). Estudei mecânica de motos, técnicas de pilotagem, relatos de viagens. Usei o Orkut e MSN para conhecer pessoas no percurso, pegando informações e adiantando amizades. Guardei dinheiro, equipei a moto. O papel do FOL é inestimável: aqui fiz irmãos de verdade, tirei dúvidas, aprendi, ri, briguei. Com toda a certeza do mundo, e sem rasgação de seda, não teria evoluído nem um quinto neste ano se não fosse o FOL.
Mas está aí. Todos os passos de treinamento prontos. Dez meses depois de pegar uma moto praticamente pela primeira vez, um sonho que está quase pronto para se realizar: 7.000 km, Chapada Diamantina, Chapada dos Veadeiros, Serra da Canastra, Nascente e Foz do São Francisco. Janeiro de 2008, quase tudo pronto.

