Baía Formosa-RN

17 e 18.07.2010

Baía Formosa fica no Rio Grande do Norte, pertinho da divisa com a Paraíba. Poucas vezes um nome foi escolhido de forma tão apropriada. Afinal, é uma baía… e é formosa.

Pena que a viagem de ida não tenha sido tão boa assim. Há vários anos que sair de Recife em direção ao norte ou ao sul tem sido extremamente broxante. O grande movimento e as intermináveis obras de duplicação fazem qualquer passeio de moto ficar cansativo. Não importa se você sai de madrugada, dia de semana ou domingo. Sempre o mesmo movimento lento, buracos e desvios. Pelo menos serve como metáfora para o passeio de moto, pois você sai todo estressado, preocupado e atento. Depois, com o passar dos quilômetros, vai ficando mais tranqüilo.

Ao contrário de quase todo o Brasil, chove no meio do ano aqui no nordeste. Então, nessa mistura de obras, movimento e chuva, rodamos 220 km ao norte de Recife para conhecer um dos lugares mais legais do nordeste. Baía Formosa é uma praia cercada de falésias. Lá embaixo ficam alguns restaurantes e as casas dos pescadores. Em cima, ficam as pousadas e uma cidadezinha de interior. Com direito a tudo: chupar cana na calçada, igreja no domingo e paqueras na praça. Talvez no verão, na alta temporada, todo esse astral seja dominado pelo grande movimento de turismo. Por isso fomos agora, no inverno…

Logo ao chegarmos na praia, com blusão de couro e bota de cano alto, fomos abordados pelo Gibson. Um menino de seus 10 anos de idade, que se propôs a mostrar a cidade. Sua mãe provavelmente era fã do galã Mel Gibson, mas o menino gostava mesmo era do carro possante de Mad Max.

Com a ajuda do nosso agente turístico, conhecemos a Pousada Eco Adventure, que fica na parte superior da falésia. O casal Helder e Virgínia – proprietários – conseguiu o quarto mais perto do mar o possível. R$ 80,00 por dia, com café incluso, foi um preço justo. A pequena sacada do nosso quarto ficava literalmente pendurada sobre um pequeno matagal. Se bobeássemos, cairíamos rolando os mais de 40m até a praia.

Passamos a maior parte do tempo lá em cima, lendo, escrevendo, conversando, descansando e contemplando o mar. Era impossível não fazê-lo, pois até do banheiro não perdíamos nenhum pedacinho da vista.

Os almoços foram feitos no Bar do Cocota, uma palhoça na beira do mar, daquelas em que se pisa na areia, esperando sem pressa que a comida fique pronta. Isso se o Ademir deixar, pois o garçon é super eficiente. Peixe frito, camarão e lagosta. Tudo é feito na hora.

À noite comemos no Ponto da Sopa, na parte interiorana da cidade. O caldo é um dos melhores que já comi. Acho que deve ficar cozinhando por horas e horas, até que engrosse naturalmente.

Para quem precisar, a cidade tem até oficina de moto.

Depois de dois dias pendurados no céu, com a moto parada na beira da piscina, chegou a hora de ir embora. Como estava sol, aproveitamos bem mais os 18 km da estrada sinousa e insinuante até a BR-101.

Na volta, assim como na ida, paramos em Igarassu para tomar um café no Delícias da Roça.

Pegamos um pouco de chuva. Mas para nós acaba não fazendo mais diferença. Depois de tanto rodar por essas estradas, acabamos nos acostumando a aceitar a vida como ela é. Hoje em dia, dificilmente paramos para pegar as capas impermeáveis no bauleto quando está chovendo, ou para tirar a jaqueta de couro se estiver muito calor. O negócio é rodar de moto e só parar quando estivermos pertinho do paraíso, como lá nas falésias de Baía Formosa.

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