Acari-RN

20 e 21.11.2010 – Casamento do Denny

Desde 2007 eu faço parte de um grupo de amigos que anda de moto, os PEBAS. O nome nasceu de uma brincadeira com as siglas dos nossos estados, PE+PB, mas depois acabou se tornando o nosso símbolo, pois sempre passeamos por lugares simples, longe do caminho batido pelos turistas oficiais. Lugares que, com muito orgulho, seriam chamados de “pebas” por muitas pessoas por aí. Nos conhecemos pela internet. No dia 24 de outubro de 2007 o termo PEBA foi cunhado e no dia 04 de novembro foi o nosso primeiro encontro, lá em João Pessoa-PB. Estavam presentes os membros fundadores Denny, Emano e Fábio.

De lá para cá foram muitos passeios juntos. Cachoeiras, montanhas, estradas de terra, caminhos de asfalto, cidadezinhas, bodes, vira-latas, jegues, carcarás, urubus, florestas, caatinga e mar. Restaurantes populares e pousadas para todos. Aparecemos até na TV! Outros amigos entraram no grupo, como o Bacanex, JP e o Wagner. Outros preferiram trilhar outros caminhos, com outros amigos. Temos até um membro honorário, o Geraldinho.

Quatro anos depois – em 20 de novembro de 2010 – nos reunimos de uma forma diferente. Fomos todos de carro para Currais Novos-RN, vestidos de terno e preparados para uma celebração oficial. Era o casamento do Denny e da Moara.

Para mim e para a Renata aquela região é especial. Quando fizemos a Viagem ao Sertão, em meados de 2008, já tínhamos rodado quase 700 km desde Petrolina-PE. O dia tinha sido muito cansativo. A noite estava escura, a estrada deserta. Decidimos que pararíamos na próxima cidade, não importa qual, para dormir. A cidade era Acari-RN, da qual nunca tínhamos ouvido falar. Queríamos chegar em Currais Novos-RN, que era famosa pelos motoencontros. Mas o cansaço foi mais forte. A pousada na beira-da-estrada era muito barulhenta, pois um bando de jovens escutava forró em alto som. O frentista disse que tinha um outro hotel, mas que teríamos que pegar uma estradinha. Arriscamos, mesmo desconfiados. A estrada era cheia de curvas, deserta e escura. Chegamos em um hotel em cima de um morro, antigo. Coisa meio macabra. Conseguimos um quartinho, o último que eles tinham a disposição. Qual não foi a nossa surpresa quando acordamos de manhã e vimos o mais belo açude do mundo, o Açude de Gargalheiras, que fica no meio de montanhas pedregosas.

O casamento do Denny então serviu para revermos os amigos PEBAs, comemorarmos a união dos dois e revermos o açude. Nos hospedamos no mesmo hotel, mas agora no quarto com a melhor vista. Esses lugares que encontramos por acaso na estrada sempre ficam marcados. Assim como os amigos que encontramos por acaso pela vida. Se é que existe acaso, mas isso é outra discussão.

Tivemos que viajar de carro para levar o presente e as roupas de festa. Além disso, a Renata está com uma dorzinha nas costas que a impede de andar muito na garupa. Foi uma experiência diferente. Não é de todo ruim. De carro, podemos conversar melhor sobre as nossas experiências e ouvir música. Outra diferença é que dá para ficar olhando no mapa o tempo todo. Mas não é para acostumar não, porque o meu negócio é moto mesmo.

Quando eu viajo por essas estradinhas do sertão, nunca tenho certeza exata de onde realmente estou. A questão é que nem sempre têm placas na estrada. Você vai na direção certa mas, como há várias estradinhas paralelas, não passa necessariamente por onde queria. Desta vez, com a Renata de navegadora, consegui passar por algumas estradas diferentes. Na ida, no trecho entre Itabaiana-PB e Ingá-PB. Engraçado que sempre passo por ali na volta, mas nunca consigo achar a estrada na ida. Outra estrada legal é entre Junco do Seridó-PB e Acari-PB. Na volta viemos pela estrada de Carnaúba dos Dantas-RN e Barra de Santa Rosa-PB. Eu já tinha passado por ali antes, mas à noite, no maior dilúvio que já peguei de moto. Depois descemos entre Areia-PB e Alagoa Grande-PB. Essas duas estradas estão agora no meu “top 10”. Para quem quer conhecer o interior do nordeste, com cidadezinhas bem cuidadas e estradas sinuosas, não tem melhor.

O casamento do Denny e da Moara foi perfeito. A história deles também é muito legal. Se conheceram em um encontro de motos, lá no interior do Rio Grande do Norte. Ele morava em Campina Grande-PB e ela em Currais Novos-RN.O Denny rodava aqueles 200 km quase todos os finais-de-semana para que pudessem se encontrar. Para eles o casamento significa também a oportunidade de morarem na mesma cidade. Parece uma coisa simples para a maioria de nós que temos a sorte de vivermos perto de quem amamos. Eles merecem o que virá agora.

Ao voltarmos do casamento, encontramos a janela do nosso quarto toda escancarada. A Renata ficou do lado de fora enquanto eu entrei no quarto para ver o estrago que o ladrão tinha deixado. Mas que nada, tinha sido só o vento. Tudo estava exatamente como deixamos. Cidade pequena é diferente do que estamos acostumados.

Cheguei meio cansado em casa. Conversando com a Renata, ela ficou desconfiada de que é porque eu não estou acostumado a dirigir carro. E não é que é verdade? Desde que mudei para o nordeste, em 1997, só fiz duas viagens de carro a uma distância maior que 150 km. Uma vez para a Pedra da Boca no início deste ano, e agora esta viagem para Acari-RN. Todo o resto foi de moto.

Daqui uns meses o Denny volta da lua-de-mel, a Renata melhora das costas, o Bacanex recebe a sua moto encomendada e o filhinho do Emano já vai estar grandinho para ficar na casa de alguém. Daí voltaremos todos juntos para a estrada, pela honra eterna dos PEBAs.

Denny e Moara, vocês conseguiram vencer a distância. Não é fácil. Mais uma vez, parabéns.

Roteiro (800 km):