Limoeiro – PE (II)

São João em Limoeiro-PE –  23.06.2011

A véspera de São João faz Recife mudar completamente. Todo mundo quer ir para o interior participar de alguma festa. As estradas não aguentam escoar tanta gente. No ano passado fomos de carro para Limoeiro. Passamos 2 horas para andar os primeiros 4 km, depois mais 3 horas para andar os outros 75 km.

Quem fica em Recife também comemora, enfeitando a rua com bandeirinhas e acendendo uma fogueira bem na frente de casa. Fica uma fumaceira danada. Mas, como é um dia só no ano, é legal. Quem não gostava era nossa cachorra Kika, que podia sentir o cheiro da fumaça bem antes da gente perceber. Ela morria de medo. Passava o tempo todo debaixo da cama.

O São João mesmo (24.06) caiu na sexta, mas todo mundo comemora na véspera. Esse ano fomos de novo para Limoeiro. Como eu só fui liberado do serviço um pouco antes do almoço, a Renata foi antes de carro levando o Dante. Nem adiantou muito, porque eu cheguei lá quase na mesma hora que ela. Uma das 1001 vantagens de andar de moto.

Essa época do ano o tempo é de muita chuva por aqui. Então, ao contrário das imagens que eles costumam colocar na TV e nas revistas, está tudo verdinho. Se bobear, o mato até invade as casas. Cada vez eu tenho mais preguiça de pegar a capa no bauleto. Fui tomando chuva a viagem toda. Não tem coisa melhor que tomar chuva. Bem, tem: andar de moto na chuva.

No bauleto só vão a capa (que eu não uso), algumas ferramentas, uma muda de roupa e um monte de livros. Queria ver se aproveitava para descansar um pouco a cabeça. Numa ocasião dessas, longe de casa e do trabalho, levo pelo menos 4 tipos de livro: um de moto, um de ficção, um de escrita e um sobre qualquer curiosidade maluca.

O resto da quinta-feira foi para ficar sentado na varanda, lendo bastante e ouvindo a chuva cair nas plantas, me sentindo totalmente irrelevante. Até os bichos ficam assim nesse tempo. A moto ficou dormindo no paiol, como uma boa cavalona.

Ainda bem que a chuva parou à noite, porque deu para acenderem a fogueira. Minha única calça e botas estavam completamente encharcadas da viagem de ida, então tive que ficar um tempo do lado do fogo para secar.

Saí no outro dia bem cedinho de volta para Recife. É que tinha que passar o resto do feriadão escrevendo um artigo sobre motos que aceitaram em uma revista acadêmica. Taí um trabalho que dá gosto de fazer. Principalmente porque, para chegar em casa e começar a trabalhar, tive que rodar 75 km na minha moto. Desse jeito o dia começa perfeito, como em um filme em que o Clint Eastwood sai do hotel de manhãzinha, dá um tapinha carinhoso na cabeça do cachorro vadio que se chama Rex, pega o seu cavalo preto na cocheira e segue em direção ao sol. Os créditos vão caindo, o filme acaba e a vida continua.