Bikers

Hell´s Angels and Mongols

 

Bem, não quero entrar na questão se os Hell´s Angels são anarquistas ou fascistas, nem se os Mongóis são mais ou menos violentos que os Hell´s Angels. Minha visão deles é bastante restrita, baseada apenas nesses poucos livros que comento. Para quem quiser saber um pouco mais para formar a sua própria opinião, seguem as fontes.

Sobre os primórdios dos Hell´s Angels, há dois livros muito esclarecedores…. e contraditórios. O primeiro, de 1966, é “Hell´s Angels”, de Hunter S. Thompson. O autor foi um jornalista que conviveu um tempo com o grupo. No início via os Hell´s Angels como uma parte do movimento hippie, mas depois começou a ver que havia grandes diferenças. É um livro legal porque mostra o início do grupo, explica porque são chamados de 1% e como eram seus encontros. Durante o livro, a visão vai passando da fascinação para uma dura crítica.

O segundo livro tem o mesmo título, “Hell´s Angels”, de Ralph “Sonny” Barger. Publicado em 2001, conta o outro lado da história. Agora do ponto de vista do então (em 1966) presidente dos HA. Neste livro, fala sobre a filosofia dos HA, das modificações nas motocicletas e propaganda gratuita que salvaram involuntariamente a Harley Davidson e, principalmente, uma resposta ao Hunter Thompson.

Outro livro legal sobre o assunto é “Under and Alone”, de William Queen, publicado em 2005. Aqui não há fascinação nenhuma pelos grupos de motociclistas porque o autor é um agente infiltrado. Ele fala sobre os crimes, corrupção e violência no grupo dos mongóis que, segundo ele, é três vezes mais violento que os Hell´s Angels. Antes de ler esse livro eu nunca tinha ouvido falar desse grupo, mas parece que são bastante importantes na cena norte-americana – por bem ou por mal.

Além da história em si, contada de vários pontos de vista, os livros são também muito bem escritos. Há tudo o que se pode esperar de um grande livro de entretenimento: emoção, suspense, violência e ação.

Boa leitura. E que cada um faça o seu próprio julgamento.

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Novos Livros Sobre Motoclubes

Ultimamente tenho gostado muito de assitir a uma série na televisão chamada Sons of Anarchy. A estória toda se passa em torno de um motoclube criminoso – pelo menos do ponto de vista do governo. O legal é que não é maniqueísta – ou preto ou branco, ou bom ou mau – de jeito nenhum. Fica difícil julgar quando estão realizando um crime ou usando a liberdade individual contra os interesses de uma grande corporação – o governo. Os relacionamentos amorosos são uma mistura de amor, paixão, dependência, carência e compromisso. As punições sempre são em nome da lealdade ao coletivo, mas às vezes beneficiam interesses particulares. Alguns policiais são corruptos, alguns bikers são idealistas. Isso sem contar o visual, a ação e a trilha sonora. Grande diversão.

Já tinha uma certa visão sobre os motoclubes dos Filmes de Moto e a Livros Sobre Motoclubes. Mas coisa pequena: uma visão romantizada do “Hollister Riot” imortalizada no filme “Wild One”; a gênese dos Hell´s Angels vista tanto pelo lado do jornalista Hunter S. Thompson quanto do então presidente Sonny Barger; e a infiltração do policial William Queen nos Mongols.

Riding on the Edge: A Motorcycle Outlaw's Tale The Original Wild Ones: Tales of the Boozefighters Motorcycle Club The Mammoth Book of Bikers Running with the Devil: The True Story of the ATF's Infiltration of the Hells Angels No Angel: My Harrowing Undercover Journey to the Inner Circle of the Hells Angels The Assimilation: Rock Machine Become Bandidos - Bikers United Against the Hells Angels The Brotherhoods: Inside the Outlaw Motorcycle Clubs

Nesse embalo da série, fiquei com vontade de conhecer um pouco mais sobre a cultura dos motoclubes. Por isso encomendei oito novos livros. Devem chegar daqui uns três meses.

Riding on the Edge: A Motorcycle Outlaw’s Tale – John Hall. A história real de John Hall nos anos 60, com suas aventuras nos Pagans – definidos uma vez pelo FBI como o grupo criminoso mais violento dos EUA. Descreve as irmandades de então como um misto de conceitos antagônicos: liberdade e preconceito, amor e violência, crime e lealdade. Mas uma coisa é certa, aqueles caram sabiam viver intensamente.

The Original Wild Ones: Tales of the Boozefighters Motorcycle Club – Bill Hayes. Os eventos apresentados no filme “Wild One” com Marlon Brando não são totalmente fictícios. Nesse livro são discutidos os reais eventos do Hollister Riot. Mas, acima disso, mostra a cultura biker nos anos 40. Quando uma nova forma de viver foi forjada por uns quarentões que tinham perdido a juventude na segunda guerra mundial.

The Brotherhoods: Inside the Outlaw Motorcycle Clubs – Arthur Veno. O livro é uma grande pesquisa sobre os motoclubes australianos. Ao contrário de outros livros escritos por policiais ou membros, este é escrito por um acadêmico. Descreve os rituais e regras para tornar-se um novo membro, folclore e perfil de grandes personalidades.

The Assimilation: Rock Machine Become Bandidos – Bikers United Against the Hells Angels – Edward Winterhalder e Wil De Clercq. Winterhalder descreve a assimilação dos Rock Machine pelos Bandidos, a fim de livrá-los das mãos dos Hell´s Angels. Mostra um outro lado dos HA, além de discutir com detalhes e emoção o universo dos motoclubes.

The Mammoth Book of Bikers – Arthur Veno. Aqui o autor compila um grande conjunto escrito originalmente por bikers e observadores. Lendas, gangues e folclore. Definitivo para caracterizar o mundo das gangues de moto.

Running with the Devil: The True Story of the ATF’s Infiltration of the Hells Angels – Kerrie Droban e No Angel: My Harrowing Undercover Journey to the Inner Circle of the Hells Angels – Jay Dobyns. Na mesma linha do livro de William Queen, descrevem como operam as gangues – do ponto de vista da polícia.

Biker Chicks: The Magnetic Attraction of Women to Bad Boys and Motorbikes – Edward Winterhalder e Arthur Veno. Um livro que mostra as várias facetas das mulheres no mundo dos motoclubes. Escravas, deusas ou companheiras?

No final das contas é muito legal ver essa questão das gangues dos dois pontos de vista. Os policiais os vêem como criminosos comuns, que usam uma mitologia de liberdade apenas para esconder sequestros, tráfico de drogas e luta por poder. Já os bikers se vêem como homens independentes, com força suficiente para lutar pela liberdade que todo indivíduo tem direito. Mesmo que para isso seja necessário lutar contra uma gangue muito maior – o governo -, que finge defender a todos.

Bem, escolha o seu lado: governo, Bandidos, Pagans, Mongols, Boozefighters ou Hell Angels.

… ou seja livre vivendo do jeito que quiser.

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The Brotherhoods

Acabei de ler o livro “The Brotherhoods: Inside the Outlaw Motorcycle Clubs” (As Irmandades: Por Dentro dos Clubes de Motocicleta Foras-da-Lei) O autor, Arthur Veno, não é um motociclista, mas sim um acadêmico, um psicólogo social especializado em criminologia. Nasceu nos EUA, mas mora na Austrália. É chamado pelos MC de “Mad Professor” (algo como O Professor Maluco).

Como um bom acadêmico, não tenta defender um ou outro lado, mas sim compreender o que acontece. Mais do que isso, com a sua atuação de mediador, busca sempre minimizar a violência entre as partes.

O livro apresenta teses interessantes: 1) os MC não são organizações criminosas, embora muitos integrantes sejam individualmente criminosos, 2) a polícia exagera muito os estragos causados pelo MC para conseguir eleger comissários ou conseguir mais recursos financeiros e 3) os motoclubes estão minguando já há bastante tempo, devido à pressão da polícia, novas alternativas para os “rebeldes sociais”, leis internas muito fortes e conservadorismo.

Mas toda essa teoria vem cheia de histórias muito bem contadas, o que faz o livro muito gostoso de se ler. Pois, como diz o autor, acima de tudo, essas irmandades são para andar de moto, se acabar em festas, ter comprometimento com algo e se sentir pertencendo a um grupo.

Nota 10!

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The Assimilation

The Assimilation: Rock Machine Become Bandidos – Bikers United Against the Hells Angels (A Assimilação: Os “Rock Machine” se tornam “Bandidos” – “Bikers” Unidos Contra os “Hells Angels”).

Continuando minhas leituras sobre os Motoclubles Fora-da-Lei, terminei agora o livro The Assimilation. O autor, Edward Winterhalder (com a ajuda de Will de Clercq), participou do movimento 1%ers por mais de 25 anos. Durante aproximadamente 10 anos fez parte dos Bandidos.

Embora tenha participado de crimes desde os 13 anos de idade – e pago por eles passando um tempo na prisão -, o autor sempre defendeu a modernização dos motoclubes, com atividades legais e livres de drogas. Com a sua mente privilegiada para questões administrativas, dá uma visão muito boa sobre a política interna dos MCs.

O livro conta um pouco da sua própria história na juventude e como entrou para os Bandidos. Mas o principal mesmo é o seu papel na “Biker War” (Guerra dos “Bikers”) que ocorreu no Canadá entre 1994 e 2002. Nessa guerra, entre os Hells Angels e os outros MCs, mais de 150 pessoas morreram, fazendo com que o Canadá fosse o local com os mais violentos MCs do planeta.

Ainda sobre o autor, além de proprietário de uma empresa milionária de construções (montada legalmente e com muito trabalho), é consultor para a TV sobre a subcultura “biker”. Ainda dizem por aí que o personagem Jax, da série Sons of Anarchy, teve alguns traços de sua personalidade e de sua história baseados no livro autobiográfico “Out in Bad Standings”, de Winterhalder.

Mais um livro bem legal para conhecer o mundo dos motoclubes fora-da-lei baseados nos EUA.

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Hell´s Angel

Enquanto não chegam os outros livros sobre motoclubes, resolvi reler alguns que eu já tinha. O primeiro da lista é “Hell´s Angel: The Life and Times of Sonny Barger and the Hell´s Angels Motorcycle Club” (Hell´s Angel: A Vida e os Tempos de Sonny Barger e o Motoclube Hell´s Angels), escrito pelo próprio Sonny Barger.

No livro, Sonny conta a sua infância abandonado pela mãe com poucos meses e cuidado por um pai alcoólatra, a ida ao exército com apenas 16 anos, a fundação da filial de Oakland dos Hell´s Angels, as guerras entre gangues, as brigas com a polícia, a luta contra a justiça, as prisões, as drogas, as mulheres, as motos, a vitória sobre o câncer etc etc.

É um personagem polêmico, pois defende que para ser livre é preciso lutar.

Lendo esse livro, volta a pergunta que não quer calar: até que ponto os motoclubes americanos são realmente criminosos ou apenas usados pela mídia e pelo governo? Onde termina o sonho anarquista e começa o crime comum?

Há apenas um consenso sobre os HA. Todos os odeiam. Hippies, governo, polícia, cidadãos comuns, esquerdistas e direitistas. Alguma coisa de bom eles devem estar fazendo então.

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Under and Alone

Continuo aqui nas minhas re-leituras enquanto os livros encomendados não chegam. Neste feriado, além de trabalhar, li de novo o livro “Under and Alone”, de William Queen. Aqui o autor conta os seus mais de dois anos como agente infiltrado nos Mongols, considerado um dos mais violentos motoclubes americanos. Para conseguir as provas, Queen teve que passar por todos os estágios no motoclube, desde “hangout” até se transformar no tesoureiro.

Um livro diferente dos outros por várias razões. Principalmente porque mostra a violência real e completamente gratuita contra rivais, amigos, esposas e civis. Os Mongols, de forma mais extrema que os outros motoclubes, encaram a violência como algo normal, não necessariamente como um meio para realizar crimes. É a cultura deles, segundo o autor.

O melhor de tudo é que Queen consegue passar de forma muito intensa o que sente um agente infiltrado. Sua vida particular é toda comprometida. Durante as investigações, perde a namorada e quase não vê mais os filhos. Com o passar do tempo, vai ficando amigo dos bikers. Mas, bastava que em qualquer momento pensasse em como seria difícil trair seus novos amigos, logo acontecia um novo caso de violência gratuita contra inocentes. Daí ele se lembrava de porque estava ali.

Mais um livro que vale a pena ler.

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Running with the Devil

O livro Running with the Devil (”Correndo com o Demônio”), de Kerry Droban, conta a história da Operação Black Biscuit, promovida pela ATF para infiltrar agentes nos Hell´s Angels.

O primeiro passo foi criar uma filial falsa de um motoclube verdadeiro. Os Solos Angeles são um motoclube mexicano aliado aos Hell´s Angels. Depois, os agentes foram se aproximando dos Hell´s Angels. Essa parte foi feita usando a ganância dos Hell´s Angels por dinheiro. Quando viram que os agentes infiltrados eram uma boa fonte de negócios com contrabando de armas e drogas, não tardaram a convidá-los para entrar no maior e mais famoso motoclube do mundo.

Ao contrário do livro do William Queen, este livro é escrito em terceira pessoa por alguém que não participou dos eventos. Por um lado é bom, porque traz certa objetividade. Mas é claro que a coisa fica um pouco distorcida pelo distanciamento. Mas isso não é um real problema, pois o livro “No Angel”, de Jay Dobyns, foi escrito pelo próprio agente. Lendo os dois é possível ter objetividade e proximidade ao mesmo tempo.

Uma leitura válida, mas um pouco superficial. De qualquer maneira, é diferente porque mostra a infiltração de toda uma equipe de agentes e ex-informantes, inclusive de uma mulher, JJ.

Ainda sobre as diferenças, segundo o livro, os agentes não gostavam de motos ou se sentiam atraídos pelos – duvidosos – aspectos libertários e anárquicos dos motoclubes. Por isso não se sentiam em conflito em nenhum momento da operação. Bem diferente do sentimento de Bill St. John em Under and Alone.

Espero que o outro livro – No Angel – que já está na minha estante, seja mais interessante. Vamos ver.

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Boozefighters – The Original Wild Ones

Boozefighters.

“Booze” quer dizer bebida alcoólica,” fighters” quer dizer guerreiros. Então, boozefighters poderia ser algo como os “guerreiros bêbados” ou “guerreiros pela bebida”. Bem, escolha o significado que quiser. Eles eram aguerridos, gostavam muito de beber e só queriam diversão. Fundado em 1946, o Boozefighters é o motoclube em atividade mais antigo dos EUA.

Em 1947, eles foram a um evento em Hollister. Houve um pouco de bebida e algumas brigas. Mas nada demais. A mídia, no entanto, exagerou um monte, como se eles fossem hunos destruindo totalmente a cidade. Para piorar, em 1953 fizeram o filme “The Wild One”, com Marlon Brando, baseado em Hollister. Mais uma vez exageros. A imagem de bikers destruindo cidades nunca mais saiu do imaginário público.

O livro “The Original Wild Ones – The Story of the Boozefighters Motorcycle Club”, de Bill Hayes, tenta mostrar como as coisas realmente aconteceram naquela época. Os caras não eram santos, mas também não eram bárbaros. Eram apenas pessoas querendo se divertir e beber.

Os Boozefighters, embora declarados “outlaws” pela AMA, nunca se transformaram em verdadeiros fora-da-lei como os Hell´s Angels, Bandidos etc. No final das contas, vivem até hoje segundo o seu lema: “A drinking club with a motorcycle problem” (um clube de bebida viciado em motocicletas).