One Week

O que você faria se tivesse apenas uma semana de vida?

Quando eu fazia a graduação lá em Florianópolis ainda havia vários cinemas no centro da cidade. Um dos meus programas preferidos era ir de ônibus até o centro e escolher algum dos filmes, meio que ao acaso. Normalmente eram filmes comuns, mas às vezes as surpresas valiam a pena. É muito legal assistir a um filme do qual você não espera nada. O mais imprevisível era o cinema da prefeitura – um galpão velho, com cadeiras duras e sem ar condicionado. Eu deixava para ir nesse cinema no inverno, pois não havia mosquitos e a roupa de lã acolchoava um pouco as costas.

Hoje em dia quase só há cinemas em shoppings, quase só há filmes famosos. Não há mais surpresa. Já sabemos tudo sobre o filme antes de sairmos de casa. Todos os cinemas são iguais. O único consolo é encontrar algucsma coisa enquanto zapeamos na TV. Digo consolo porque é em casa, sem a magia de andar pelas ruas da cidade, sem o ambiente único de um cinema velho. É certo que existem algumas salas cult e os festivais de cinema, mas não são lugares onde eu me sinta à vontade. São chic demais.

Dia desses eu estava no sofá quando começou um filme de moto que eu nunca tinha ouvido falar: One Week (2008). Ben Tyler era um rapaz acomodado. Quando criança desistiu de cantar depois da crítica de uma professora. Também desistiu de jogar beisebol por causa de uma simples bronca do treinador. Quando adulto, desistiu de publicar seu livro porque dois ou três editores não estavam interessados. Acabou virando um professor infeliz. Pelo menos parecia ter encontrado a noiva perfeita.

Até que descobriu que tinha um câncer muito agressivo.

Naquele momento de loucura/lucidez, Ben comprou uma moto. Sua idéia era passar alguns dias na estrada antes de começar o tratamento. Nada demais. Iria apenas refletir sobre a doença e aprender a ser um paciente.

Era para ter sido tudo muito simples. Só que na estrada, na companhia de sua moto, vieram pensamentos sobre aventura, riscos e amor. Conheceu estranhos, visitou lugares, sentiu raiva, dançou e cantou. O que começou como uma história de doença, acabou se transformando em uma busca pela compreensão da vida. O melhor filme de moto que eu já assisti. Melhor que melhor, já que foi descoberto pelo mais simples acaso.